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05/09/2009

O tingimento de tapetes é uma arte milenar. O uso de diversos tipos de tinturas lhes confere brilho e vida, fazendo da cor um dos mais importantes fatores em sua avaliação. Todos os tapetes persas são identificados pela sua cor de campo, cor de borda e cor dos diferentes motivos. As cores também podem determinar a origem de um tapete artesanal. Sejam naturais ou sintéticas, as cores são escolhidas de acordo com as tinturas disponíveis em cada região, e às vezes também respeitando valores simbólicos (tradicionais e religiosos).

A cor de campo é a cor dominante do tapete, com exceção das bordas, ainda que em alguns tapetes estas possam ser iguais. Os motivos de diferentes cores se sobrepõem ao campo de cor sólida. No campo, as cores mais frequentes são o vermelho, azul, bege, e amarelo, todas encontradas em diferentes tons.

A cor da borda não é tão facilmente distinguível, pois geralmente há muitos desenhos e padrões coloridos que ofuscam sua verdadeira cor; entretanto um exame mais minucioso pode discernir sua cor predominante. As principais cores usadas em bordas são o vermelho, azul, amarelo, verde e bege, também encontradas em muitos tons diferentes.

Para que a tintura se fixe permanentemente à fibra, é necessária uma substância chamada de mordente. Tinturas ácidas requerem mordentes básicos, e tinturas básicas requerem mordentes ácidos. Diferentes mordentes produzem diferentes tons da mesma tintura. Os mordentes mais comuns são: sulfato de alumínio, alume de potássio, sulfato de cobre, sulfato ferroso, dicromato de potássio e cloreto estanhoso.

Tinturas naturais

As tinturas naturais se dividem em tinturas oriundas de plantas, de animais e de minerais. As de plantas vêm de raízes, flores, folhas, frutas e cascas de árvores. O pastel, uma planta da família da mostarda, e o índigo, um arbusto da família da ervilha, são usados para se obter a cor azul. O amarelo é obtido das seguintes plantas: açafrão, sumagreira, cúrcuma, casca de cebola, ruibarbo, jataíba, entre outras. A garança é usada há séculos para se obter o vermelho; também se usa sequoia e pau-brasil para esta cor. Marrons e pretos são obtidos da casca e de galhas (excrescências) do carvalho, cascas de bolota, chá e cascas de nós.

A hena é usada para o laranja. Para o verde, utiliza-se o índigo misturado com algumas tinturas amarelas. Algumas fontes animais incluem insetos: a cochonilha, encontrada em cactos no México, a laca, espécie selvagem da cochonilha, encontrada
na Índia e no Irã, e o quermes, encontrado em árvores de carvalho na região do Mediterrâneo. Todos os três produzem a cor vermelha. O quermes, o mais antigo deles, foi usado na Europa, e a laca na Pérsia e no Egito, até que a cochonilha, economicamente mais viável, gradualmente os sobrepujou.

Em certos tapetes é possível que a tintura se altere. Esta mudança de cor chama-se “abrash”, e é a prova de que o tapete foi naturalmente tingido.

Tinturas sintéticas

O aumento da demanda por tapetes orientais a partir do século XIX fez com que surgissem as tinturas sintéticas: mais baratas, mais fáceis de usar e com uma gama maior de cores. Criadas na Europa, logo chegaram aos países produtores no Oriente. As primeiras tinturas sintéticas eram feitas de anilina, obtida através de carvão e piche, e eram brilhantes, baratas e de fácil uso; porém desbotavam ao ser expostas à luz direta. Devido à sua baixa qualidade, seu uso fora proibido na Pérsia em 1903, até o surgimento das tinturas cromo – de melhor qualidade – no século XX.

Atualmente, as tinturas sintéticas cromo são as mais utilizadas na maioria dos países do Oriente, com exceção do Irã, onde ainda prevalece a preferência por tinturas naturais. Dependendo da disponibilidade dos tecelões, usa-se um ou outro tipo de tingimento, obtendo-se diferentes resultados, ainda que os dois tipos de coloração possam ser combinados em um mesmo tapete.

Independentemente do tipo de tintura, um tapete persa é uma obra de arte que só tende a valorizar com o tempo, e é um investimento que vai inundar sua casa de cor e vida.

Publicado no Aeroporto Jornal – setembro/2009

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