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05/04/2016

A cerveja é uma bebida amada mundialmente em locais quentes, frios, ricos ou pobres. Pode-se até dizer que é uma bebida que transcende culturas. Infelizmente, o consumo de bebidas alcóolicas já é visto pelo senso comum como algo nocivo à saúde. Existe até o termo “barriga de chopp” para descrever protuberâncias abdominais devido à apreciação da cevada.

Contudo, o que causa o ganho de gordura são os famosos petiscos que sempre acompanham as bebidas.

Pastéis, quibes, bolinhos, em sua maioria frituras, acompanham as bebidas nos bares, mas mesmo assim somente a cerveja é culpada.

É evidente que o consumo de cerveja em excesso, assim como o de qualquer alimento, acarretará em danos à saúde.

A palavra-chave é moderação. Paracelso, o pai da toxicologia, já dizia: “A dose faz o veneno”.

Consumo

De acordo com Michel Batlouni, professor de pós-graduação em Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, “são muitos os estudos científicos sérios relacionados ao tema ‘álcool e saúde’ que mostram que o consumo moderado de álcool possui impactos positivos à saúde”.

Os potenciais efeitos benéficos do álcool acontecem em pequenas doses. Um consumo moderado seria de 30 a 40 g de álcool diários para homens, e de 15 a 20 para mulheres (levando-se em consideração, em média, 0,102 g/kg de massa corpórea/hora – variando de 0,070 a 0,185). Por dia, isso daria aproximadamente duas cervejas long neck para homens e uma para mulheres.

Falando brevemente da composição e nutrientes, a cerveja contém fibras solúveis, sódio, silício, vitaminas, minerais (quando refermentadas possuem ainda maior quantidade desses componentes). O lúpulo, o tempero da cerveja, atua como antimicrobiano, antioxidante, antitrombótico (diminui o risco de infartos), anti-inflamatório, contra o câncer, como estimulante de apetite e até como relaxante.

Além de tudo isso, a cerveja é um alimento seguro, pois o lúpulo e o álcool não permitem que microrganismos se desenvolvam.

Quanto à barriguinha, um pint (586 ml) diário pode fazer parte de uma dieta bem balanceada para redução de peso. A cerveja possui menos calorias que outras bebidas e o alto teor de água compensa o efeito desidratante do álcool.

É possível levar uma vida saudável e apreciar a tão amada cerveja.

Lembre-se, como disse o professor Raymond Pearl, da Universidade de Baltimore, dos Estados Unidos: “A apreciação moderada, entretanto regular, da cerveja, leva ao prolongamento do tempo total de vida”.

Confira, abaixo, algumas indicações para sua próxima compra:

Eisenbahn – Pilsen

É uma cerveja que apesar do nome Pilsen pertence ao estilo American Premium Lager. Oriunda de Blumenau, tem uma cor amarela dourada, aroma de lúpulo e malte leves e sutil casca de pão. O sabor é condizente com o aroma e tem corpo e amargor baixos. É uma cerveja leve, refrescante e feita respeitando a Bayrisches Reinheitsgebot (Lei de Pureza da Baviera), hoje Deutsches Reinheitsgebot (Lei de Pureza Alemã). Copo ideal: pilsner, lager ou pokal. Fermentação: baixa. Temperatura de consumo: entre 2 e 4,5°C. Teor alcoólico: 4,8% ABV.

Scheider Weisse – Tap 7 (Unser Original)

A Schneider Weisse, em funcionamento desde 1872, é conhecida por produzir somente cervejas do estilo Weizenbier/Weissenbier (cerveja de trigo/branca) e a tap 7, como o nome Unser Original (nossa Original) já diz, é a mais autêntica delas.

Minha indicação é a de ser mais ideal para dias quentes, pois é extremamente refrescante, fresca, harmoniosa e bem balanceada.

Produzida em Kelheim, na Baviera, tem coloração âmbar, turva devido a não filtração e pasteurização, com uma espuma persistente e agradável, lembrando realmente um creme. Possui aroma e sabor condizentes de banana madura, cravo, nozes e noz-moscada.

No fim há uma sensação gasosa, deixando-a ainda mais refrescante.

Para um consumidor iniciante pode-se até dizer que é uma cerveja sutilmente picante. Toda a complexidade de uma genuína cerveja de trigo bávara. Também é feita respeitando a Reinheitsgebot e ainda utiliza a receita original de 1872 do fundador Georg Schneider I. Copo ideal: weizen. Fermentação: alta. Temperatura de consumo: 3 a 6°C.     Teor alcoólico: 5,4% ABV.

Verhaeghe – Duchesse de Bourgogne

Produzida em Vichte, na Bélgica, é uma indicação especial para demonstrar a riqueza do mundo das cervejas. As cervejas do estilo Red Ale de Flandres, como a Duchesse, passam por uma primeira fermentação (alta) e uma segunda fermentação maturação acontece lentamente (em até dois anos) em barris de madeira. A Duchesse, especificamente matura em carvalho e é um blend de ales de 18 e 8 meses.

Na aparência apresenta uma boa formação e média persistência de espuma. Tons avermelhados e granada e é levemente turva, devido à sua não filtração e pasteurização. No aroma é possível perceber uva, cereja, jabuticaba, frutas vermelhas, notas vinificadas e balsâmicas, caramelo e próprio álcool. O sabor se apresenta também vinificado, com notas de cereja, deixando a cerveja bem harmonizada. Tem amargor extremamente baixo, praticamente nulo e tem um sabor residual refrescante, ácido e frutado.

A Duchesse é excelente pedida para dias quentes, pois é refrescante devido à sua característica frisante e corpo baixo.

Degustar uma Duchesse é uma experiência maravilhosa para os consumidores habituados somente às cervejas insossas que compõem a maior parte do mercado e não conhecem toda a gama de sabores que uma cerveja pode alcançar. Uma cerveja perfeita. Copo ideal: cálice ou tulipa. Fermentação: híbrida. Temperatura de consumo: 4,5 a 7 °C. Teor alcoólico: 6,2% ABV.

Thales Seabra, sommelier

Publicado no Aeroporto Jornal – abril/206

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