AUTOR

TEMPO DE LEITURA

4.4 min

PUBLICADO EM

02/04/2013

Foram oito dias de viagem na companhia de um amigo e quatro meses de planejamento para curtir a América Central de mochila. E para quem vai arrumar sua mochila, uma dica: três meses antes de embarcar, compre as passagens com melhor preço.

A América Central tem o privilégio de ser banhada por dois oceanos separados por uma curta distância, Lá você pode assistir o nascer do sol no Atlântico e viajar alguns quilômetros só para ter o gostinho de ver o pôr-do-sol no Pacifico no mesmo dia.

Tudo isso fica muito mais fácil – e divertido – se feito com a flexibilidade de uma viagem bem ao estilo mochilão, nunca deixando de equalizar Planejar x Improvisar.

Nosso roteiro teve início com a virada do ano no Rio de Janeiro, com todo tipo de atração convencional que os milhões de turistas querem ver ao mesmo tempo.

Canal do Panamá

Depois, uma pequena estadia em Bogotá, suficiente para descobrir uma cidade moderna e muito organizada. Toda essa prosperidade aliada ao tempo frio, típico da altitude elevada, faz a capital da Colômbia muito parecida com uma cidade de país desenvolvido.

Mas é no Panamá que o calor caribenho começa a fazer aflorar a latinidade
nas pessoas. A Cidade do Panamá é quase tão moderna quanto Bogotá, mas a música é tocada mais alta nas ruas e os sorrisos são mais fáceis.

A economia é prospera, muito graças ao Canal do Panamá, que além de toda sua importância na conjuntura econômica é o ponto turístico mais visitado do país – o passeio completo leva em torno de 3 horas e dá direito a uma sessão de cinema 3D com a história do canal e de sua construção.

A existência de tantos navios carregados fez surgir no Panamá a segunda maior zona livre de comércio do mundo. Para turistas brasileiros é o paraíso das compras.

Mas definitivamente você não pode deixar de visitar San Blas, um arquipélago de 365 micro ilhas com a água translúcida onde é verão o ano inteiro. San Blas é o tipo de lugar que você está acostumado a ver em filmes de Hollywood.

“Pura vida”

O país mais feliz do mudo. É assim que o povo costarriquenho gosta de ser conhecido e, para que você não tenha dúvidas, em todo lugar há sempre alguém gritando “Pura Vida”: este é o slogan do turismo no país.

É o lugar do surf no continente sendo que a praia mais badalada é a Playa
de Santa Teresa, que é muito parecida com a Praia do Rosa (SC), porém
com dez vezes mais turistas estrangeiros, o que torna a noite muito mais
divertida.

Se todos os países da América Central têm muito em comum, mas cada
um com a sua peculiaridade, a Guatemala é a terra dos Maias. A genética
Maia está presente no rosto das pessoas e a cultura está no cotidiano
dos guatemaltecos, principalmente no interior.

E é no interior deste país que está o lugar mais bonito que eu já vi na minha vida: Semuc Champey! (foto que abre a matéria) Uma ponte natural onde se formam poças de água potável e cristalina. Mas nem perca seu tempo tentando entender o que é este lugar, porque qualquer amontoado de palavras estará aquém da mínima possibilidade de descrevê-lo.

Na Guatemala também está Tikal que foi a maior cidade da antiga civilização Maia e principal atração turística do país.

Nadar com tubarões

Chegando a Belize esqueça tudo que você já ouviu sobre América
Central, a começar pelo idioma. O inglês é oficial. Aqui passamos o
sufoco que toda boa viagem deve deixar de lembrança.

A cidade de Belize é parecida com um gueto americano. A maioria da população é negra, o inglês falado é carregado de gírias, as lojas são protegidas por grades e as rádios deixam de tocar Rumbia para tocar Hip-Hop.

A cidade em si é perigosa e sem atrativos turísticos, e como não existe hostel
na cidade, não tínhamos reservas e encontrar conexão com a internet é muito difícil, fomos pedir abrigo numa igreja depois de rodar o dia inteiro
recebendo avisos que a noite era perigoso permanecer nas ruas.

O turismo de Belize concentra-se nas ilhas San Pedro e CayeCaulker.
Tudo muito diferente do continente, são lugares seguros, paradisíacos
e cheios de turistas.

Nestas ilhas fizemos o passeio que fechou com chave de ouro a viagem pelo estreito continente centro americano. Shark Ray Alley é o nome de uma “fazenda de tubarões” onde você pode literalmente nadar com eles ao lado da segunda maior barreira de corais do mundo.

Esses tubarões são alimentados todos os dias no mesmo horário e se você for corajoso pode entrar na água junto com eles e algumas arraias gigantes que sempre estão por ali. É uma experiência única estar em mar aberto perto desses animais tão perigosos.

Como tudo na América Central, é o tipo de coisa que te faz se sentir
mais vivo.

Emerson Henrique, mochileiro

Publicado no Aeroporto Jornal – abril/2013

Compartilhe essa história:

COMENTÁRIOS