Passado um ano da crise sanitária imposta pela pandemia do novo coronavírus, o setor brasileiro de turismo não é mais o mesmo. As perdas foram inevitáveis e a necessidade de adaptação a um novo modelo de negócio também. Mais do que nunca, planejamento empresarial, organização, boas práticas de saúde e segurança se tornaram essenciais na atração de turistas.

E agora, em uma fase de aplicação de readequações e expectativas de retomada, frente ao crescimento da vacinação, bons números começam a surgir. Em setembro de 2020, de acordo com Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o setor turístico brasileiro faturou R$ 12,8 bilhões, três vezes mais do que no mês anterior.

O número ainda não é motivo de comemoração, visto que há ainda um longo caminho de retomada a se percorrer. Mas a confiança do turista em realizar novamente viagens internas e seguir com planos de férias, mesmo que mais tímidas, mostra um fator positivo: há, afinal, confiança por parte do consumidor no fator adequação e segurança em relação aos serviços prestados pelas empresas ligadas ao segmento.

Para o empreendedor, o retorno do turista é o respaldo necessário para fortalecer boas práticas até então inexistentes no dia a dia. Mais do que higienização, muitos negócios passaram a adequar o modo de receber, agindo com mais transparência e clareza em todo o processo, da venda até a finalização do serviço.

Há ainda o fator positivo trazido pelas iniciativas do governo federal, como as Leis para a Aviação Civil e setores de cultura e turismo, regulamentando a prorrogação de voos, serviços e eventos cancelados. Somados à possibilidade da suspensão temporária de contratos de trabalho, essas ações ajudaram muitos negócios a organizarem caixa e se manterem ativos no momento mais difícil da pandemia.

Agora, os cuidados com fatores essenciais para a subsistência de negócios, como o fluxo de caixa, o planejamento, a colaboração e a análise jurídica das ações realizadas, devem seguir como marco para um novo tipo de empreendedorismo. A resiliência imposta pela pandemia forjou gestores e líderes mais preparados e mais preocupados com fatores que tornam as empresas confiáveis e atrativas.

Seguimos em um segmento ainda frágil, porém muito mais próximo de um novo momento de fortalecimento.

Que 2021 seja o ano do ressurgimento de um setor turístico muito mais atrativo e seguro para todos.

Flávio Pinheiro Neto, é advogado empresarial do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

Foto: Mantas Hesthaven/Unsplash