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05/07/2014

Situada em região central, a poucos passos da Florida, na Suipacha, 384, a Confitería Ideal é quase um monumento de Buenos Aires. O prédio, do final de 1800, é daqueles em que se respira os faustos tempos da capital argentina. Muita madeira nobre, muito cobre e, para completar, a milonga, mania tricentenária do povo hermano.

Já na calçada há a indicação. Nas suas pedras desenhou-se os passos básicos do tango. Há os passos dos homens e os das mulheres. Pode-se treinar ali antes de entrar. E percebe-se que, embora as mulheres sejam sempre tratadas como coadjuvantes, são delas os passos mais difíceis. Mas, o que fazer, sem bons companheiros de dança não há bailarina que renda bom espetáculo nas pistas.

Se quiser ver ou participar de uma boa milonga convém chegar por volta das 17h. É quando as mulheres podem ser surpreendidas por corteses convites à dança: um meneio da cabeça, as mãos estendidas e, lá vão elas, bailando pelo salão com o parceiro. Como de praxe, nos tempos antigos, cabe aos homens chamar à dança. Mas, homem ou mulher, você vai se divertir. Talvez mais pelos desacertos que pelos acertos…

Milonga

A milonga, dança tradicional argentina precursora do tango, é mais rápida. Surgiu mais ou menos em 1865 exatamente em Buenos Aires, numa fusão das danças de povos que ali moravam. Uma mescla de polacos, italianos e outros com argentinos. Juntaram seus ritmos e sons e… aqui estamos: primeiro milonga, depois tango. A milonga é difícil, sim. Mas talvez sem tanta teatralidade como o tango. Melhor conferir e experimentar a dança que tanto encanta o povo argentino. A diferença é que eles sabem dançar. Faz parte da sua cultura.

O certo é que tanto o tango quanto a milonga foram, por tempos, meio que abandonados pelos portenhos. Hoje, há um despertar desta tradição nacional. Há crianças, jovens, adultos e idosos que fazem aula de milonga. Bem ali.

Mariano Filardi (www.showsyclasesdetango.blogspot.com.br), de 34 anos, é um dos professores que atuam na Confitería. Ele começou a dançar aos 14 anos e, por volta dos 20, seguiu viagem ao redor do mundo ensinando sua arte. Hoje, no país natal, dá aulas diariamente ali e vê crescendo o número de crianças e adolescentes inscritos.

Durante a milonga, na Confitería, os turistas podem dançar à vontade. Sem pagar. Mas há as aulas de tango que acontecem de segunda a sábado, em diversos horários, sempre à tarde. O custo é de $ 50 a hora e meia.

O professor Filardi enumera alguns dos segredos para dançar bem uma milonga:

  1. Principal: boa conexão com parceiro(a);
  2. Bailar sempre ao tempo da música;
  3. Saber como mover-se e usar o espaço em que está dançando;
  4. Usar sapatos adequados. Atenção, mulheres! Salto 6, no mínimo!
  5. Muito importante: a mulher deve ficar leve e se deixar levar pelo homem.
  6. Cerrem os olhos e ouçam a música.
  7. Saber os passos básicos.

Ou seja, antes de dançar lá em cima, no primeiro andar da Confitería Ideal, tentem, você e o parceiro, dar umas bailadas sobre os passos inscritos na calçada. Já é um ótimo começo. Embora, às vezes, a gente trance as pernas, ao menos se dá boas risadas.

Publicado no Aeroporto Jornal – julho/2014

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