O gin é a bebida favorita da rainha da Inglaterra, Elizabeth II. Ele conquistou milhares de corações, e aqui no Brasil podemos dizer que é o destilado do momento.

Por Elen Souza, bartender

A bebida, muito embora tenha fama de inglesa, tem origem holandesa. A palavra gin deriva de genever, que é o nome holandês da erva que serve como base do destilado. Aqui no Brasil, é conhecida como zimbro.

A primeira versão da receita vem da Holanda e data do século XVI. Ela nasceu para ser um medicamento diurético, para tratar doenças renais. Na guerra dos 30 anos, antes das batalhas, os soldados bebiam um gole do chamado “coragem holandesa” para afastar o frio europeu. Assim, a bebida chegou à Inglaterra.

Os ingleses popularizaram o destilado quando começaram a produzi-lo. Criando altos padrões de qualidade que são usados até hoje pelas destilarias. O que conferiu a eles o estilo London Dry, considerado o estilo clássico do gin. Nele, o ingrediente predominante é o zimbro.

Os botânicos que conferem aromas e um sutil paladar devem ser colocados durante o processo de destilação, nunca depois. Para se enquadrar no estilo inglês, o liquido não deve apresentar cor.

Confira alguns tipos de gin

  • Clássico: é seco e com sabor intenso de zimbro. Geralmente têm toques cítricos e picantes.
  • Cítrico: no paladar tem notas de laranja, limão, tangerina ou grapefruit.
  • Herbal: tomilho, hortelã, alecrim e o manjericão costumam ser o forte desse tipo.
  • Floral: elaborado com flores e frutos como, rosas, flor de uva verde, cassis, violeta, jasmim, papoula.
  • Aromático: Costuma trazer notas de canela, coentro, cardamomo e noz-moscada. Sempre com especiarias bem presentes

Cada marca tem sua própria seleção de ingredientes, que conferem um sabor único. E com isso, podem misturar os tipos descritos acima. Um exemplo é o Bulldog Gin – um London Dry que possui, além do zimbro, a cassia, angélica, alcaçuz, amêndoas, longan, coentro, limão e vários florais.

Entre eles, a receita do Bulldog Gin leva a iris germânica, lavanda, folha de lótus e a flor de papoula branca, que é bem presente. Isso confere a ele o tipo Cítrico Floral. E vai muito bem com frutas mais doces e azedinhas, como as amoras.

O gin também pode ter a classificação de compostos ou destilados. Ao acrescentar outras infusões depois da destilação, como é o caso do Hendrick’s Gin, que passa por uma infusão com rosas e pepino.

O que é o gin rosa?

O “gin rosa” que tem aparecido nas prateleiras dos mercados e bares também pode entrar na lista dos gins compostos. Tudo depende do processo de fabricação. Hoje já existem vários rótulos brasileiros de vários tipos de gin, que têm preços acessíveis e são fáceis de encontrar no mercado:

Gin: tudo sobre o destilado do momento 1
Foto: Yvy Mar; WH 48, Arapuru, Amázzoni

Conhecendo as diferenças, você consegue escolher melhor qual tipo de sabor fica melhor com o que você quer combinar na sua receita. Você pode pensar em sabores por aproximação, como um gin cítrico com frutas cítricas para ressaltar alguns sabores. Ou um estilo herbal com
frutas vermelhas para ter contraponto de sabor.

O gin favorito dos especialistas

No meio de todas essas opções, como escolher o melhor? Eu fui perguntar a alguns bartenders.

Vinícios Kodama, head Bartender do Ponto Gin: “Tamqueray, bombay, amazoni, gordons são os 4 que julgo ter melhor custo benefício e são bem coringas. Eu sou do negroni e da Gin com tônica, então em casa eu sempre Beefeater, por que acredito que é bom casamento de sabor com os ingredientes que uso.”

Tanqueray, Bombay, Amázzoni e Gordons são os 4 que julgo terem melhor custo benefício e são coringas. Em casa, uso o Beefeater porque acredito ser um bom casamento de sabor com os ingredientes do Negroni e Gin Tônica.

Vinicius Kodama, head bartender do Ponto Gin

Os gins Amázzoni ou Tanqueray têm ótimo custo benefício. O primeiro em especial, é leve e macio, fica ótimo em Gin Tônicas e coquetéis frutados. Já o Tanqueray, prefiro em coquetéis mais pesados, como Dry Martini.”

Igor Bispo, bartender

Seguindo a tendência do gin rosa, indico o WH48 da Weber Haus. É infusionado com hibisco. O sabor suave dele combinado com ingredientes florais e chás, permite sair da tradicional Gin Tônica. Além da coloração diferenciada. Sim, ele é rosa.

Monica Silveira, bartender e sommelière de cachaça


Caso você ainda não tenha achado o seu gin preferido, eu sugiro começar com um London Dry para ter em casa. Eles são super versáteis e ficam bem em praticamente todas as receitas. Que tal começar com Gin Tônica?

Receita da Gin Tônica perfeita:

Gin: tudo sobre o destilado do momento 1
  • 50 ml de gin
  • 150 ml de água tônica
  • 1 rodela limão siciliano
  • 1 zest de limão siciliano
  • 3 bagas de zimbro
  • 1 topo de alecrim

Coloque o gin, o limão e as bagas de zimbro na taça. Com as costas da colher, dê uma apertadinha de leve neles para soltar um pouco do sabor no gin (não precisa destrui-los).

Coloque o gelo até o topo da taça e acrescente a água tônica. Dê umas batitidinhas leves no alecrim. Você vai perceber que ele libera o aroma. Então, coloque-o dentro do copo.

Agora, é só torcer o zest de limão em cima da taça. Ele espirra umas aguinhas, isso é o óleo essencial que contém todo o aroma do limão. Passe ele pela borda da taça e pode colocar dentro do copo também.

Está pronta a melhor Gin Tônica da sua vida. Pode parecer complicado lendo, mas verá que é muito tranquilo fazer.

Dica 1: Você pode preparar sua GT em um copo alto grande ou uma taça de vinho caso não tenha a taça do coquetel.

Dica 2: Quanto mais você souber sobre o gin que está usando, mais fácil fica juntar sabores de frutas. E você pode inclusive brincar com os sabores de água tônica que existem. Mas cuidado para não virar uma salada de frutas, ele pode ficar tudo e gosto de nada, o ideal é usar no máximo 3. Lembre-se: na coquetelaria, menos é mais.

Glossário de bartender:

Zest: casca
Bagas: são as bolinhas do zimbro