Na Costa Rica não dá para ficar parado, não que não tenha resorts de luxo que permitam ficar no “dolce far niente” à beira da piscina, lendo um livro e bebericando, vale a pena, claro; mas isso é um desperdício. Na América Central, a Costa Rica tem 51,1 mil km² (menor que o Rio Grande do Norte), com 4,9 milhões de habitantes, sendo 97,4% deles alfabetizados (muitos falando o inglês e que desde 1949 decidiu eliminar o Exército para investir os valores gastos nas Forças Armadas em educação), não vai te dar folga e fará você se movimentar – muito -, andar no meio de florestas, descobrir praias, desafiar tirolesas, conhecer fauna e flora. E com outra atração: a temperatura média durante o ano é de 24ºC.
A Now Boarding conheceu a Costa Rica, banhada tanto pelo Oceano Pacífico como pelo Caribe, numa viagem de oito dias com um grupo de agentes de viagens (*) que teve iniciativa do Consulado da Costa Rica de Curitiba e organização do ICT, Instituto Costarricense de Turismo.
Mas, antes de embarcar nesse relato, algumas recomendações que precedem a viagem:
- A Costa Rica exige vacina contra a febre amarela. Se não tomou, tem que providenciar. Se já tomou, acesse este link para solicitar Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia, emitido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Leve impresso.
- Nunca deixe de embarcar para uma viagem internacional sem um seguro- viagem. Existem vários para consulta na internet. Fizemos o da Assist Card que previa cláusula de despesas médicas, inclusive Covid-19, com cobertura de US$ 30 mil. Custou R$ 338,28.
- A moeda da Costa Rica é o colón, mas não se preocupe em levar. Todos os lugares – até na praia – aceitam dólares. O ideal, portanto, é levar algumas notas menores que US$ 100 que serviram para facilitar o troco. Se precisar fazer câmbio, pode fazer no hotel em que estiver hospedado. R$ 1 compra ₡ 113 e US$ 1 compra ₡ 540.
- Serve como prevenção fazer o lacre da bagagem a ser despachada na Protec Bag. Custou R$ 109 no Aeroporto Afonso Pena. No Aeroporto de San José custou e US$ 18 (R$ 88).
E, por falar em mala, seu destino é para clima quente e úmido. Faça conta que pode usar mais de 1 camiseta por dia, dependendo da atividade que vai fazer. Para a noite, apenas um casaco leve. Não deve faltar um tênis antiderrapante (esqueça Nike e similares porque você pode passar por cachoeiras, enfrentar um pouco de barro, limo em pedras), protetor solar, repelente e adaptador de tomada (foto), que lá é totalmente diferente da nossa. E leve uma mochila que seja impermeável e capa de chuva A explicação vai mais adiante.- A água é potável e pode tomá-la em qualquer torneira, bem como para recarregar seu cantil, que deve sempre levar junto com você para hidratação.
- Não dá para ficar sem internet no celular, né?! Tem um aplicativo chamado Airalo que oferece pacote de 2 GB num plano de 17 dias por US$ 17. Eu não usei, mas pessoas do grupo fizeram a compra e foi super bem.
- Na Costa Rica são 3 horas a menos que no Brasil.
Bem, está na hora de visitar o país da Pura Vida!
“Pura Vida!” é uma expressão que você vai ouvir a todo instante. Serve para um “bom dia”, “obrigado”, desejar coisas boas e energia e é trocada entre os costarricenses e, por consequência, com os turistas. Você se acostuma rápido e vai usá-la com frequência também.
O incrível da Costa Rica é que você pode cruzá-la de norte a sul em pouco mais de 8 horas (são pouco mais de 500 km) e de leste a oeste a pé, se fosse a pé, em 5 horas (155 km) e praticamente 50% do território é coberto por florestas. Por isso uma opção é alugar um carro para cruzar o país e descobrir seus encantos. Dê preferência a um 4×4 porque em algumas ocasiões você pode enfrentar estradas de terra com subidas e descidas. O preço da gasolina é controlado pelo governo e tem o mesmo valor em toda a Costa Rica, então você não vai encontrar nos postos de combustível placas informando os preços como acontece no Brasil: a gasolina regular está a US$ 1,31 e a super, US$ 1,40. Estradas têm pedágio. O pagamento deve ser feito em colón, mas se for pagar com dólar que seja com nota de valor pequeno. O pedágio, pelo que verifiquei, fica entre ₡ 480 e ₡ 640 (US$ 0,88 e US$ 1,18).
San José
A capital San José, no Valle Central, a 1,2 mil metros acima do nível do mar, não tem mais que 300 mil habitantes, mas, em dias de semana, abriga uma população de quase 1 milhão de pessoas que vêm de cidades próximas para trabalhar e, por isso, o trânsito nas horas do rush é intenso nas vias de acesso à capital.
Fundada por espanhóis – foi descoberta por Cristóvão Colombo em 1502 -, três museus se destacam como marca dessa colonização na capital: o Museo del Oro Precolombino com mais de 1,5 mil peças e uma coleção riquíssima, Museu de Jade e Cultura Pré-Colombiana e o Museu Nacional da Costa Rica. Eles estão separados por apenas 1 km, então é possível conhecê-los num passeio a pé. Mas terá que fazer uma visita rápida se quiser conhecer os três num passeio só porque eles têm muita história para contar. Tire uma manhã para fazer esta visita. Ah, o Uber funciona bem.
O Museu do Jade é impressionante. É um prédio quase em frente da Assembleia Legislativa e que, em todos os seus andares, têm mostras interativas. Dá para ficar horas vendo as peças e as explicações de seus usos. Fica aberto todos os dias das 8h às 17h e estrangeiros pagam US$ 16, que valem cada centavo.

Museo do Jade. Divulgação
O curioso é que na Costa Rica não tem jade. A pedra chegou na região graças ao comércio com povos indígenas da Guatemala e Colômbia.
Como sempre ressalto, andar é conhecer e o centro de San José é como centro de vários lugares do mundo: cheio. No dia do nosso passeio, um domingo, estava faltando a coleta do lixo. Algum comércio funciona aos domingos, como supermercados que sempre recomendo entrar para, além de comparar preços, procurar os produtos que são consumidos pela população local. Vai conhecer o guaro, a aguardente nacional. Eu, particularmente, acho interessante essas visitas.


O Teatro Nacional da Costa Rica fica a cerca de 10 minutos andando do Museu de Jade, na Plaza de La Cultura, em frente de um dos hotéis icônicos da capital, o Gran Hotel Costa Rica.

Teatro Nacional. Foto: Visit Costa Rica
Este é um hotel de 1930 que totalmente remodelado e hoje com bandeira Hilton, tem 79 apartamentos. O grupo jantou no restaurante Cultura5 que tem janelas panorâmicas para o Plaza e a cidade. Diárias a US$ 220 o casal com café da manhã.
A caminhada foi sob um sol forte e a opção foi buscar refúgio no Alma de Café do Teatro do que fazer a visita (US$ 6) ao prédio construído em 1890. Um Café 7 Províncias com a escolha do grão preferido, sai a US$ 3,40, lembrando que na Costa Rica o IVA é de 13% e quando tem serviço, mais 10%, que vêm incluídos na conta.

Alma de Café do Teatro.
Mais outros 5 minutos a pé você alcança o Mercado Municipal de Artesanias onde num só espaço terá uma oferta incrível de produtos. Em menos de 1 hora dá para passar por tudo e, principalmente, negociar. É espaço de turistas, claro, então não custa pechinchar. Uma colher de pau para salada, US$ 1,50; uma caneta, US$ 4; camiseta para criança e boné, US$ 10.
O bairro gastronômico fica em Escalante que tem restaurantes para todos os gostos.
Mais de 200 vulcões
A Costa Rica tem oito vulcões considerados ativos (são mais de 200 no país que fica ente a placa do Caribe e Cocos) e alguns dá para visitar. A menos de 50 km do centro de San José fica o Vulcão Poás, ativo, dentro de um Parque Nacional aberto todos os dias das 8h às 15h30, com estrangeiros pagando US$ 15 a entrada.
A 2.708 metros de altitude é fácil chegar ao mirante que dá vista para a cratera numa caminhada entre 15 e 20 minutos. A última erupção foi em 2017 e hoje o Poás emite gás com cheiro de enxofre, facilmente perceptível ao se aproximar.

Vulcão Poás.
Outra caminhada, de 800 metros, mas bem puxada, vai à antiga cratera do Poás, hoje um lago azul.

Antiga cratera do Poás.
Vá pela manhã, nuvens podem aparecer rapidamente e fechar a visão das duas crateras e estragar a visita.
Mas se quiser uma experiência ainda mais radical, nosso guia Max Vindas disse que no Vulcão Turrialba (70 km da capital), a 3.355 metros de altitude, tem a possibilidade de ir até a boca da cratera, quando o vulcão não está com muita atividade, o que está acontecendo enquanto escrevo a matéria. O ingresso custa US$ 14 e o Parque abre das 6h às 10h.
Cassino
Ficamos no hotel da rede IHG na capital, o Crowne Plaza San Jose La Sabana, ou seja, mantém um padrão internacional. Faz transfer do aeroporto por US$ 25. Tem 213 apartamentos, piscina, academia, um business center e um dos melhores, segundo fomos informados, restaurantes de comida japonesa da capital, o Fuji, do chef Ochi Tohishiko, que trabalha só com produtos vindos do Japão. O Fuji tem duas salas típicas, abre todos os dias, sendo que aos domingos funciona das 12h às 22h.

Crowne Plaza San Jose La Sabana. Divulgação
Como outros hotéis na Costa Rica, tem um cassino.
E como em todos os hotéis em que ficamos hospedados, o café da manhã é um pequeno almoço com enormes opções de frutas, queijos, presuntos, bolos, doces e sempre o Gallo Pinto, prato típico da Costa Rica, que se quiser fazer, segue a receita para porção para quatro pessoas: 6 xícaras de arroz, 2 xícaras de feijão com um pouco de caldo, 2 dentes de alho, meio copo de cebola picada, 1 pimenta doce picada, 1 colherada de salsa inglesa, 2 colheradas de coentro picado e 1 colherada de manteiga. Refogue o alho picado por 2 minutos em fogo alto. Baixa o calor e agrega a manteiga, a pimenta e a cebola. Refogue por 2 minutos mais e agregue o feijão. Ferva 1 minuto e agregue o arroz e o coentro. Misture e sirva. É gostoso. Observação: arroz e feijão pré-cozidos.

Gallo Pinto. Foto: Max Vindas
San José, onde os voos operados pela Copa Airlines com escala na Cidade do Panamá chegam, fica praticamente no centro do país e dali se pode escolher entre o Pacífico e o Caribe com facilidade.
No site da Copa, viagem de 31 de agosto a 10 de setembro de 2023, um voo com saída de São Paulo do Aeroporto Internacional às 1h26 chega a San José às 7h49. O retorno, tem voo ao meio-dia que aterrissa em São Paulo às 12h32. Os voos têm escala de cerca de 1 hora na Cidade do Panamá tanto na ida quanto na volta. Na classe Econômica ida e volta custa R$ 3.513,10. Vale a pena no trecho mais longo comprar um assento premium. A Executiva custa nesta simulação R$ 15.992,52.
TURISMO: O que conhecer na América Central
Outra opção de hotel na capital costarricense é o Studio Hotel Boutique. Em cada cantinho do hotel você encontra uma obra de arte, um objeto de decoração. Hotel super simpático e com excelentes apartamentos e uma piscina com muito design no último andar.

Junior Suite. Divulgação
Da capital de Costa Rica, nosso programa foi em direção ao Pacífico, às províncias de Guanacaste, Alajuela e Punta Arenas. São 7 províncias no país.
Fomos ao encontro de aventura, conhecimento e emoção.
Em Punta Arenas
Rio Tárcoles
Dizem que é o rio mais poluído do país. No dia do passeio as águas estavam barrentas, mas tinha “caído” o mundo na noite anterior, tanta foi a chuva.
Na Hacienda Nosavar/Doka Tárcoles um espaço de 640 hectares, pegamos um barco e fomos à procura do Tornado, Capitão e da Shakira, alguns dos crocodilos que habitam o rio e que são conhecidos do capitão Emílio, que comandava a embarcação.
Era meio da manhã e Shakira, mãe de 15 filhotes, estava à beira do rio, “crocodilando”. O bote chega muito perto dos animais, oportunidade para selfies…

Foto: Patrícia Siebert
Apesar de procurado, Tornado, o mais velho dos crocodilos (deve ter mais de 60 anos), não foi encontrado.
No passeio, Emílio leva até a proximidade onde o Tárcoles desemboca no Pacífico.
Nesse passeio é possível conhecer alguns dos milhares de tipos de aves que habitam a Costa Rica, destino internacional de birdwatching. E uma das indicações para esse tipo de turismo é o Parque Nacional Caraca que fica no Pacífico Central. A Costa Rica tem 64 parques nacionais. O Brasil tem 74.
Ao final, é possível almoçar no restaurante que serve, entre outros pratos, o casado, tipo um prato feito, com carne de porco, peixe (era dourado), arroz, feijão e salada.
Funciona das 7h às 16h e o passeio leva entre 1h30 e 1h50. Custa US$ 35 por pessoa.
Na Doka são oferecidas outras atividades, como passeio a cavalo, de trator e tirolesa.
Perto, tem uma ponte que é atração turística. A poucos passos você está na Ponte do Rio Tárcoles e é só olhar para baixa e ver vários, mas vários crocodilos. Outro local para fotos.
Hermosa
O paraíso para os surfistas. É a praia no mundo com mais dias de ondas e muitos surfistas brasileiros já a conhecem. Tem hotéis para todos os tipos de gostos e bolsos.

Hermosa Beach. Foto: Ana Marcela Bonilla Alvarado
Manoel Antonio
Ao sul de San José, Manoel Antonio está na província de Punta Arenas, e faz parte de Quepos, cidade que fica abaixo do nível do mar.
Quisemos saber a razão do nome Manoel Antonio, imaginando que fosse alguma personalidade costarricense, mas que nada, ninguém sabe a origem da denominação. A explicação mais corriqueira é que no local, que é bem afastado, vivia alguém com esse nome.
Em Manoel Antonio tem um Parque Nacional que leva seu nome e a localidade é repleta de lojinhas e restaurantes e a indicação para ver o pôr do sol é o Rafaeles Las Terrazas. Agora, um lugar interessante de ir é o El Avion que tem na entrada a carcaça de um avião C-123 que, após sua derrubada na Nicarágua, deu origem ao aparecimento do escândalo Irã-Contras no governo Reagan.
A hospedagem foi no Parador Nature Resort & Spa no final de uma rua estreita. A área do Resort tem quase 50 mil m² e, no check-in, entregam um mapa para você localizar onde está seu apartamento. São 23 pontos marcados no mapa. Uma delicadeza ao chegar é receber os hóspedes com toalhas frias para o rosto e mãos. O calor estava escaldante…

São 5 piscinas, uma com bar molhado e outra para adultos, quadra de tênis, trilha com acesso à praia de Biesanz cinco blocos de apartamentos e muita floresta. Foi aqui que vimos “nosso” primeiro bicho preguiça, vários macacos e lagartos.

O restaurante serve oito diferentes tipos de menus.
O apartamento é espaçoso e tem uma varanda.

Suíte Garden. Divulgação
Diárias a partir de US$ 249 e suíte a partir de US$ 500.

Um lagarto no meio do caminho.
A poucos metros do hotel, numa entrada praticamente camuflada na estrada que dá acesso a ele, tem uma trilha para uma praia. Chegar a ela é por uma trilha que pode, se não tomar cuidado, fazer escorregar, mas ao ultrapassá-la você está num cenário de filme. É uma baía de águas calmas, quentes e ideal para crianças.
Não se preocupe em levar equipamentos (pegue só toalha no hotel) porque ali tem um pessoal que aluga cadeiras e guarda-sol. Dá para ficar horas…
Em Quepos na Marina Pez Vela dá para contratar um tour de catamarã de quase 4 horas para ver as praias de Quepos e Manoel Antonio. O barco faz uma parada para quem quiser fazer snorkeling, curtir um tobogã ou simplesmente ficar na água, o que é refrescante numa temperatura que estava a 29ºC. O tour tem almoço. Dependendo da estação do ano no passeio há possibilidade de ver baleias e golfinhos. Custa US$ 87 por pessoa.
Tem outras duas opções de passeios: jet ski e tour em barco.
A Marina é um pequeno centro comercial com lojas e restaurantes.
Manoel Antonio tem sua praia, com um mar que puxa um pouco e onde o aluguel de uma tenda e quatro cadeiras custa US$ 20, água US$ 2 e cerveja US$ 4.

Praia em Manoel Antonio.
E tem seu Parque Nacional, aberto das 7h às 15h (fecha às terças). Ali percorremos uma trilha e que desemboca em praias desertas. O ideal é contratar um guia (são muitos na entrada do Parque oferecendo seus serviços; eles pedem US$ 20) porque o passeio fica mais ilustrativo conhecendo a flora do local e todas as espécies de borboletas. O Parque tem duchas e vestiários e estrangeiros maiores de 12 anos pagam US$ 18. É um passeio muito legal de fazer.

Praia dentro do Parque Manoel Antonio.
Alajulela
De Quepos/Manoel Antonio a Alajuela, também na província de Punta Arenas, são 215 km, umas 5 horas com o ônibus que nos transportava, mas, por proposta de Freddy Lizano, diretor de Mercado de Imprensa Internacional do ICT, fizemos o percurso de avião.
A Sansa Airlines é uma companhia aérea regional que faz voos para doze destinos na Costa Rica, incluindo a capital. Ou seja, pode conhecer o país se deslocando de avião. O voo de San José para Quepos dura 30 minutos e tem bilhete a partir de US$ 92.
No aeródromo de Quepos em dois Caravans fomos até La Fortuna num voo de quase 40 minutos que permitiu ver o litoral do Pacífico das alturas e admirar suas belezas.

Tivemos sorte no voo porque, após aterrissar (o ônibus já nos aguardava, sempre conduzido com cautela e destreza pelo Roman), e chegar ao restaurante Don Rufino, caiu uma tempestade.
Se apresentando com um restaurante de gastronomia internacional com essência costarricense, o Don Rufino tem um menu com diversas opções, das entradas às sobremesas. Um filé de pescado salteado de camarões com cogumelos em salsa de ostras sai a US$ 35 e um prime rib (as carnes servidas são de uma fazenda local com gado criado no pasto sem hormônios ou aditivos) custa US$ 40.

Uma curiosidade é que neste como em outros restaurantes, inclusive de hotéis, não se encontram vinhos produzidos na Costa Rica.
Fortuna, como chamam os costarricenses, é a terra do Vulcão Arenal que teve sua última atividade no ano 2010. A curiosidade deste vulcão é que era considerado extinto, até que em 1968 teve uma erupção que não era registrada desde 1568. Hoje ele expele gases e vapores de água, que podem ser vistos de sua cratera a 1.670 metros de altura.

O Arenal hoje. Foto: Max Vindas

O Arenal quando expelia lavas. Foto: Max Vindas
Empreendimento feito numa antiga fazenda de gado, o Arenal Manoa & Hot Springs Resort é outro dos hotéis da Costa Rica que entrega um mapa no check-in para localizar o apartamento e áreas de lazer. Todo espaço tendo, ao fundo, o vulcão Arenal.

São 110 suítes (Junior, Superior e Premium) todas planas espalhadas pelo grande espaço do hotel e com uma varanda. As acomodações são excelentes. Tem spa, piscina de água termal, piscina fria. Além de um restaurante que serve um café da manhã fenomenal, o Alambique Bistrô serve pizzas e aperitivos. Diárias a partir de US$ 190.

Junior Suíte. Divulgação
Um problema foi a internet. No apartamento, ia e vinha; a melhor conexão era nas áreas comuns.
Termas
Depois de um breve descanso, fomos a um programa que, a princípio, parecia estranho pelo horário – já passava das 18h e ainda chovia: visitar um parque de água termal. Lá vamos nós! Com chuva, mas muita chuva e escuro, chegamos ao Eco Termales Fortuna.
Após deixar roupa e pertences num guarda-roupa caminhamos com guarda-chuvas por uma trilha no meio da mata até chegar a um conjunto de piscinas de águas termais. A mais quente tem 42ºC e a recomendação é não ficar mais de 30 minutos para depois ir a outras piscinas com temperaturas menores. São oito no total.

Com chuva, mas água a mais de 30ºC. Foto: Max Vindas
Apesar da chuva, o passeio a qualquer água termal de Fortuna deve mesmo ser feita no final da tarde – com qualquer clima – porque é sair dali, comer (tem restaurante) e se preparar para dormir.
Após o banho quente, tem chuveiro para trocar de roupa.
São dois tipos de ingresso: só água termal, US$ 45; água termal e refeição, US$ 73.
Faça seu chocolate
Quer se divertir seja em família, grupo ou sozinho? Programe o Rainforest Chocolate Tour. É um tour de cerca de 2 horas que vale além das informações, pelo guia, o Keilor. Ele é um show à parte. Sabe entreter, fazer as piadas nas horas certas e suas explicações sobre a cultura do cacau são objetivas e ele vai logo avisando: “Chocolate branco não é chocolate!”. A razão, simples: não tem cacau. Aliás, sabia que a origem do cacau é no Brasil, na Amazônia?!
Numa área onde há uma plantação de cacau, o tour explica todo o processo da manufatura do chocolate e – surpresa – na parte final você mesmo vai fazer seu chocolate. Com os ingredientes que quiser. O resultado, dentro do grupo, foi variado, mas o saboroso mesmo é o chocolate in natura.

Nesse galpão, Keilor ensina a cada um como fazer chocolate.
Keilor destacou a importância do cacau dizendo que as sementes equivaliam a dinheiro no tempo da colonização espanhola: 80 sementes = 1 real de prata espanhol. Como lembrança, ao final do passeio, recebe um saquinho com sementes de cacau. Eram apenas 10… ainda faltavam 70….
O passeio pode ser feito todos os dias entre 8h e 17h30. Sai por US$ 30/pessoa e US$ 21 para crianças entre 6 e 12 anos.
Aproveitando todo o potencial de florestas do país, o Sky Adventures é, como diz o nome, uma aventura.
Numa área de 260 hectares onde somente 20% aberta ao público, o parque funciona todos os dias da semana entre 8h e 16h. Adulto, US$ 49; criança, US$ 33. Vai valer todo o investimento e, agendando, fazem transfer do seu hotel.
O Sky oferece várias atividades: passeio de teleférico, um circuito por sete tirolesas (escrevi sete, sim são sete descidas de tirolesa que começam numa altura de 210 metros e vão descendo; foi minha estreia em tirolesa…), rafting e trilha de nível de dificuldade média. Tem um combo com três destas aventuras a partir de US$ 109 para adultos e US$ 75 para crianças entre 5 e 12 anos. São passeios que podem durar até 5 horas.

Divulgação.
O Sky tem um restaurante, o Chill Out, que serve refeições rápidas como o casado, US$ 9, mignon salteado, US$ 20, e tem pratos infantis a partir de US$ 10. Tem aperitivos, hambúrgueres, burritos e quesadillas.
Café da Costa Rica
Na Rua 136, na La Casa del Café você tem amostra da qualidade do café produzido na Costa Rica, que é somente de grãos arábica. É proibido cultivar outro tipo no país. Na La Casa dá para visitar a plantação e depois saborear um café preto ou com leite, além de espresso, capuccino late ou mocaccino.
Trouxe na mala um Café Tres Geraciones moído de 350 gramas a US$ 10 que se provou ser muito bom.

Cafés em grãos na La Casa del Café.
Monteverde
De La Fortuna para Monteverde fomos de barca num passeio pelo Lago Arenal.
A rota pode ser feita por estrada, mas atravessando o Lago, o maior do país com 85 km², se ganha minutos preciosos. Por rodovia serão quase 3 horas. A travessia no Lago é de 40 minutos e serão mais 2 horas de estrada. O trajeto é feito por US$ 25/pessoa.

Ao fundo, um grupo fazendo canoagem.
A região de Monteverde foi descoberta por quakers norte-americanos na década de 50. Eles abandonaram os Estado Unidos por não concordarem em deixar seus filhos se alistarem no Exército. A cultura quaker prega o pacifismo e a não violência.
Hoje, a região é um dos destinos de ecoturismo mais importante da Costa Rica.
O El Establo Hotel é mais um onde nos foi entregue um mapa. É um hotel de montanha, com vários conjuntos de apartamentos. Há transporte para locomoção dentro do hotel, o que dá ideia do quanto ele é grande. Tem piscina aquecida, spa, trilha (que pode ser feita à noite), tirolesa e passeio para birdwatching. Como em outros, não é difícil ver animais, como quatis. São quatro tipos de habitação que começam a partir de US$ 190.

El Establo Hotel. Foto: Carlos Gorgatti de Barros
Aqui, mais atividades ao ar livre.
No Selvatura Adventure Park, dentro de uma “floresta de nuvens”, que faz transfer de hotéis da região, tirolesa, trilha de quase 6 km pela mata fechada passando por dez cachoeiras (dá para tomar banho) e oito pontes pênseis (a menor de 65 e a maior de 157 metros) e treze, sim, treze tirolesas que vão de 55 a mil metros, sendo que quatro são feitas de bicicleta, num percurso toral de mais de 3,5 km.

90 metros sobre a mata numa altura de 25 metros.
O pacote para passar o dia incluindo arvorismo, treetop walkways (guia não incluído), Santuário da Preguiça, Jardim de Borboletas e exposição de répteis e anfíbios sai por adulto US$ 146,40 e crianças (4 a 12 anos), US$ 111,20. Abre às 7g e fecha às 13h30.
O Santuário da Preguiça (o bicho é chamado de perezoso em espanhol) é um tour legal para adultos e crianças. O espaço reproduz o habitat natural e tem 12 preguiças, todas fêmeas, que não podem mais ser reintegradas à natureza. Preguiças dormem 17 horas por dia intercaladas.

Santuário das Preguiças.
É floresta de nuvens porque o tempo muda rapidamente com nuvens que chegam rapidamente e nublam o dia.
Costa Rica é emoção. Se você programa uma viagem a Miami, na ida consulte seu agente de viagens ficar alguns dias na Costa Rica. Talvez não venha com a mala cheia de compras, mas, tenha certeza, voltará ao Brasil com muitas fotos e várias, várias histórias para contar e, sempre, se hospedando em hotéis de alta categoria.
A alta temporada tem dois períodos: de 15 de dezembro a abril e entre julho e agosto, época de férias dos europeus. A estação seca é entre novembro e abril e a chuvosa de maio a outubro.
Ah e se você chegou até aqui, vai a explicação sobre a mochila impermeável e a capa de chuva. Visitamos o país da Pura Vida! na época das chuvas, que são torrenciais, por isso a necessidade da capa, mochila impermeável e calçados adequados para essas condições. Torça, sempre, para chover, e muito, à noite, porque o dia amanhece ensolarado e quente.
E como país sustentável, a viagem de todos foi compensada em créditos de carbono. No meu caso, O ICT adquiriu 2,222 créditos de carbono (toneladas de dióxido de carbono equivalente a CO2e) do projeto Guanacaste em razão do voo de ida e volta.

O grupo na foto de Max Vindas. Agachados e na primeira fila: Freddy, Carlos, Marcelo, Luciana, Patrícia e Daniele; no meio, Rigon, Sergio, Marcos, Jerusa e Rafaela e, atrás, eu e Kaoe.
(*) Ana Luiza Weber Rebellato, da All Intercâmbio Viagens e Turismo; Carlos Roberto Gorgatti de Barros, da Multitravel; Daniele Cristina Renta Linzmeyer, da Cosmos Turismo; Kaoe Staviski, IAF Turismo; Luciana Omena Padilha Forstman, K2 Travel; Sergio Afonso Martins, Latitude 25º; Rafaela Souza, Le Monde Viagens; Gislei Marcos Souza, Marvin Turismo; Jerusa Pereira, Tao Turismo; João Alceu Rigon Filho, Rigon Turismo, e Marcelo Carvalho, BWT. Também acompanhou o grupo Patrícia Moser Godoz Siebert, Consulesa da Costa Rica em Curitiba, e o guia Max Vindas.
Jean Luiz Féder, jornalista associado à Abrajet-PR






