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10/04/2020

Todo mundo gosta de cervejas. Se não gosta, é porque ainda não conheceu a cerveja que toca no coração. Existem mais de 150 estilos de cerveja no mundo. Mas gente acaba conhecendo só o que vende em larga escala, né? Quer desenvolver o seu paladar? O sommelier de cervejas Robson Vergillio (cervejaria Berggren) ensina 6 dicas para degustar novas cervejas em casa. Confira o passo a passo:

Preparar o local

O local e os copos da degustação devem estar limpos e a refrigeração adequada. Evite ingerir bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores, para que os seus sentidos estejam atentos a todos os estímulos.

O primeiro item é a escolha das cervejas. Você pode fazer degustação de cervejas do mesmo estilo, para compará-las. Ou degustar estilos diferentes. Preste atenção às características esperadas de cada estilo: a avaliação deve corresponder ao estilo analisado e não à preferência do degustador.

O segundo item é a infraestrutura. Os copos devem ser de vidro ou plástico rígido, transparente, limpos, sem odor e em temperatura ambiente (nunca gelados). É inadequado realizar uma degustação diretamente da garrafa ou lata.

Para limpar o paladar entre uma amostra e outra, beba água sem gás e coma pãezinhos ou biscoitos tipo cream cracker. A degustação é feita com um rótulo por vez, servido de acordo com o seu estilo.

Os sentidos: audição

Aquele barulho da tampa da garrafa ou da latinha abrindo já indica que você está perto de tomar uma cerveja. Seu cérebro identifica que você está prestes a se deliciar com uma gelada, por isso é importante escutar o “tchssss”. Além disso, nesta etapa já se verifica o nível de carbonatação da cerveja. Já dá para sentir seu frescor, sua “idade” e a qualidade/abundância de espuma.

Visão

Você precisa olhar a cerveja ao colocá-la no copo, preferencialmente servindo num ângulo de 45 graus. Nesta etapa, deve-se conferir a cor, a transparência e, principalmente, a espuma. É preciso verificar se a espuma é cremosa, densa ou esparsa, se há bolhas e se elas são grandes ou pequenas. Não sendo transparente, é necessário saber se é uma cerveja não filtrada; caso contrário, isso é uma indicação de problemas de estabilidade físico-química (turbidez a frio) ou possível contaminação microbiológica. Finalmente, é preciso verificar se há resíduos no copo. Eles podem ser restos de fermento aglutinados, o que é aceitável na cerveja com refermentação na garrafa, mas também podem indicar impurezas.

Olfato

Deve-se cheirar a bebida tão logo ela tenha sido servida. Alguns aromas são mais voláteis, isto é, evaporam rapidamente e precisam ser identificados logo. É necessário prestar atenção ao primeiro aroma percebido, pois é o mais rico; depois os sensores nasais ficam rapidamente saturados e não mantêm a mesma capacidade inicial. O objetivo é identificar os principais aromas característicos: malte, lúpulo, tostado, frutas e temperos (condimentos).

Paladar

O primeiro gole é sempre o melhor, tanto para o prazer de apreciar uma boa cerveja quanto para a degustação com objetivos de qualificá-la. É recomendável reter o primeiro gole na boca, de forma que o líquido possa entrar em contato com toda a superfície da língua. Deve-se perceber a alma da cerveja, formada pelo casamento do malte com o lúpulo, que carregam 80% da mensagem da bebida. É preciso se atentar para o caráter de cada um desses ingredientes, que revelam a essência do que está se apreciando. Por fim, deve-se sentir a carbonatação, a sensação muitas vezes descrita como “crocante”, e a presença de álcool, percebida pelo leve calor na língua e no céu da boca. Este é o momento de apreciar, de fato, a bebida.

Sensação Final

As últimas impressões da degustação são conhecidas como “final”, o que inclui o retrogosto, a sensação refrescante e de satisfação, além do leve calor experimentado pela boca e pelo corpo. Durante o percurso através do esôfago até o estômago, a impressão deve ser de agradável saciedade e prazer, como se estivesse absorvendo um pão líquido. O amargor e sabores remanescentes, chamados de retrogosto, devem ser observados de forma a completar a experiência gustativa. Após alguns goles, temos a medida exata chamada “drinkability”, que é o quão bebível a cerveja é.

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