Ô trem bão que é viajar! Mas ainda mió de bão é viajar para Minas Gerais. E a capital dos mineiros, Belo Horizonte, ou Belô, ou simplesmente BH, é uma das portas de entrada para desbravar um pedaço da história do Brasil e a cultura típica dos mineiros e, poder, a poucos quilômetros conhecer o museu a céu aberto de Inhotim.

As Minas Gerais são o quarto maior Estado brasileiro (perde em extensão para Amazonas, Pará e Mato Grosso); é o segundo maior Estado em população e, também, o segundo com mais eleitores – em ambos os casos, São Paulo lidera – e responde por 9,5% do Produto Interno produzido no país. São números que destacam e mostram a importância desse Estado que tem o maior número de municípios entre os 26 Estados: 853. Mas são números que escondem algo intangível: a hospitalidade do mineiro e suas mineirices, desde “engolir” letras nas falas até suas gírias saborosas.

Se não é preciso de visto para ir a Minas Gerais, vale a pena estudar o mineirês e nesse link você encontra expressões que só lá vai ouvir e precisa se acostumar.

E não pense que é só quem mora fora de Minas que tem dificuldade. Não, nesse vídeo no YouTube, que é um curso rápido de nível básico para se comunicar, diz logo no início que serve também para “quem mora em Minas Gerais e não sabe se comunicar”…

Bão, mas com ou sem curso, com ou sem dicionário mineirês na mala, essa viagem mostra um pouco de Belo Horizonte e do imperdível Inhotim, não explorando todas as potencialidades turísticas das Minas Gerais que podem ser descobertas nesse link.

BH, planejada

Belo Horizonte é a segunda capital do Estado; a primeira foi Ouro Preto. E Belo Horizonte foi uma cidade planejada, com alguns afirmando que foi a primeira capital projetada do Brasil. Teresina, no Piauí, e Aracaju, em Sergipe, disputam essa posição.

E esse projeto foi de Aarão Leal de Carvalho Reis, engenheiro e urbanistas, lá pelos idos de 1894 que assim descreveu seu projeto segundo a Wikipédia: “Foi organizada a planta geral da futura cidade dispondo-se na parte central, no local do atual arraial, a área urbana, de 8 815 382 m², dividida em quarteirões de 120 m × 120 m pelas ruas, largas e bem orientadas, que se cruzam em ângulos retos, e por algumas avenidas que as cortam em ângulos de 45°. Às ruas fiz dar a largura de 20 metros, necessária para a conveniente arborização, a livre circulação dos veículos, o tráfego dos carros e trabalhos da colocação e reparações das canalizações subterrâneas. Às avenidas fixei a largura de 35 metros, suficiente para dar-lhes a beleza e o conforto que deverão, de futuro, proporcionar à população”.

A cidade foi construída em quatro anos.

Hoje a capital tem mais de 2,3 milhões de habitantes cercada pela Serra do Curral o que faz com que o clima seja abafado nos dias quentes e, como toda cidade que hoje é capital, tem um trânsito complicado. E muito morador de rua, calculados em quase 15 mil.

Quem chega a Belo Horizonte pelo BH Airport pode se deslocar até o bairro de Lourdes utilizando ônibus da Conexão Aeroporto com conforto e comodidade pagando R$ 42,60 para um percurso de 40 km.

Gosto de conhecer cidades caminhando, mas em Belo Horizonte é preciso se programar antes de “bater perna”. Com muitos morros, quem mora em BH, disse um motorista de Uber, “tem coxas grossas” por causa de subidas e descidas. Então, se a distância for longa, prepare-se.

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Mercado Central

Um passeio imperdível é conhecer o Mercado Central, numa quadra inteira no centro da capital onde antes era o estádio do América Mineiro. É muito grande e um labirinto, fácil de se perder, tanto em localização quanto na diversidade de lojas e produtos que se encontram ali. Funciona de segunda a sábado das 8h às 18h e domingo das 8h às 13h. Turistas podem fazer visitas guiadas bilingues para grupo de até 20 pessoas pelo (31) 2127-4336. São mais de 400 lojas, e é impossível não se impressionar com a quantidade de queijos – e seus sabores – da variedade de cafés e especiarias. É onde se encontram as “lembrancinhas” da viagem. Tem que provar o pão de queijo que tem sabor, gosto e textura muito diferente do que como, por exemplo, em Curitiba, e o torresmo – sensacional – e conhecer o local com calma com seus bares e restaurantes.

Mercado Central.

Fomos no recomendado Casa Cheia que serve feijão tropeiro e carne de panela todos os dias. O torresmo de barriga (R$ 37) é muito bom. O espaço tem poucas mesas, não aceita reservas e é preciso ter um pouco de paciência, que vale a espera.

Visite, também com calma para observar todos os detalhes, o Palácio da Liberdade. Inaugurado em 1898 Seu último morador foi o governador Tancredo Neves. Na década de 1950, o então governador Juscelino Kubitschek mandou construir uma nova residência há quase 5 km de distância no bairro Mangabeiras para ser a nova residência dos governadores, que passou a ser conhecido como Palácio das Mangabeiras. Apesar de ter visitação livre, opte pela visita guiada para conhecer o Palácio da Liberdade (toda quarta e sexta, às 16h30; sábado e domingo em dois horários, às 11h e 15h) para poder apreciar todas os detalhes dessa construção em estilo francês e sua impressionante escadaria que veio da Bélgica.

Foto: Lúcia Sebe/Secom MG

Cartão postal de Belo Horizonte, a Pampulha (nome oficial Parque Ecológico Francisco Lins do Rêgo), com seu lago artificial e o Estádio do Mineirão é passeio obrigatório. Concebido na gestão do prefeito Juscelino Kubitschek, o arquiteto Oscar Niemeyer projetou o entorno onde estão a bela Igreja de São Francisco de Assis, o Museu de Arte, a Casa do Baile e o Iate Tênis Clube, jardins de Burle Marx, pintura de Portinari e esculturas de Ceschiatti, Zamoiski e José Pedrosa.

A Igreja de São Francisco, aliás, era tão moderna para sua época que a Igreja levou anos para consagração a capela por verem no projeto de Niemeyer símbolos comunistas.

Já que está na Lagoa, vá à Av. Otacílio Negrão de Lima, 1.835, para conhecer o Bebedouro Bar & Fogo que tem um deck com vista para a Lagoa e a Igrejinha. Bom local para um happy hour. A carta de bebidas tem de cervejas a drinks e no cardápio o destaque é para carnes na parrilla.

Bebedouro Bar & Fogo.

Bares para todos os lados

Se Salvador, a capital da Bahia, tem mais de uma Igreja para cada dia do ano (são 372), Belo Horizonte é um pouco mais profana: são 4.136 bares na última contagem; 12 bares a cada km²; 178 bares a cada 100 mil habitantes. E fomos a eles.

Na esquina do nosso hotel, o Belo Horizonte Plaza, está o Café Cultura Bar nas esquinas das Ruas Timbiras e Bahia. Com mesas nas ruas, música popular da melhor qualidade, cerveja gelada, tem diversos tipos de caipirinhas, drinks, várias porções (carne de sereno acebolada com fritas e manteiga de garrafa, R$ 55, e fígado acebolado, R$ 30) e pizzas, cada uma homenageando um artista brasileiro como Luiz Gonzaga (presunto com bacon), Rita Lee (vegetariana) e Clube da Esquina (quatro queijos).

O Belo Horizonte Plaza tem a facilidade de estar a poucos passos do ponto final do Conexão Aeroporto, tem amplos apartamentos e se você escolher um em andar mais alto, terá vista dos morros que cercam a cidade. Conta com fitness center, sauna e uma piscina interna.

Na Savassi, R. Padre Odorico, 38, você entra no restaurante Dona Lucinha, típico de comida mineira. É para se comer muito. Peça uma cachacinha para acompanhar. Tem de tira gostos, a pratos executivos (só no almoço) e a opção por R$ 167 de entrada, prato principal e sobremesa.

Voltando aos bares, na quadra da R. Pium-i, no bairro Sion, os dois lados da rua têm bares. É caminhar para escolher. No nº 620 tem o Meu Bhar Sion com mesas externas e na cobertura. De segunda sexta abre a partir das 17h e sábado e domingo começa ao meio-dia. O chope vem bem gelado. No 690, o PoiZé Bar e Petisqueria é um gastropub, que abre de terça a sexta a partir das 17h e a partir do meio-dia no sábado e domingo. Foi no PoiZé que ouvi garçons com sotaque mineiro bem forte.

E encerrando a “via sacra”, o Café com Letras na R. Antônio de Albuquerque, 781, bairro Funcionários, também numa rua com bares nos dois lados, é um espaço bem legal que une gastronomia e cultura, com atendimento perfeito do Igor e Gustavo, abre todos os dias a partir do meio-dia e vai até o final da noite. O gin tônica é honesto: o copo não vem cheio de gelo como em outros bares. A música é excelente.

Depois do bares, guarde um espaço para o Convivere Piano Lounge, no bairro Funcionários, Av. Getúlio Vargas, 167. O misto de restaurante, piano bar, galeria de arte (as obras expostas estão à venda) fica numa construção com mais de 100 anos. Peça seu drink ou sua refeição e passeie pelo espaço para conhecer os detalhes da casa e as várias peças que estão à mostra.

Convivere Piano Lounge.

Mirante

Suba o morro e veja BH de cima. Com a jornalista Sandrinha Coelho, da Abrajet-MG, fomos ao Mirante do Mangabeiras para observar a cidade a 1.170 metros de altura. É uma vista impressionante da cidade quando se pode reconhecer alguns pontos como os estádios do Mineirão e do Atlético Mineiro. A entrada é gratuita e está aberta às terças e quartas das 8h às 18 (entrada só até às 17h30) e quintas a domingos das 8h às 21h (entrada até 20h30), quando deve ter um lindo pôr do sol.

Mirante do Mangabeiras.

Na descida, conheça a praça onde o Papa João Paulo II que em julho de 1980 celebrou uma missa na Praça João Pinheiro, hoje conhecida como Praça do Papa, para cerca de 800 mil pessoas.

E, um pouco mais abaixo, tem o Boi Vitório (almoço e jantar) uma churrascaria onde comemos uma saborosíssima maninha com farofa com ovos e bacon.

Inhotim é imperdível

E um passeio que você deve fazer é conhecer Inhotim. Fica a cerca de 1h20 de Belo Horizonte. É para passar o dia todo e não conseguir ver tudo.

Inhotim é o maior museu em céu aberto e jardim botânico da América Latina. São 140 hectares para visitar e se deleitar com cerca de 1,9 mil obras de mais de 280 artistas de 43 países, além de 4,3 mil espécies botânicas. É muita coisa para conhecer.

Você pode explorar tudo isso a pé ou em carrinhos elétricos (para até 5 pessoas) que percorrem os diversos pontos de Inhotim (R$ 38) ou ter um carrinho exclusivo para se locomover (R$ 750).

Visitas guias para grupo de até 25 pessoas são gratuitas e duram cerca de 90 minutos.

Fotos de Miguel Rio Branco no Pelourinho, Bahia.

Não é preciso gostar de arte para visitar Inhotim. O passeio une lazer e surpresas ao conhecer obras espalhadas pelo caminho e nos diversos salões espalhados pela área, além de se encantar com a mata. É uma viagem para explorar sentidos e sentimentos. Você não vai se arrepender e vai quer voltar.

Existem diversos espaços de alimentação, mas o restaurante Tamboril tem um excelente buffet (R$ 130 por pessoa) com bacalhau, camarão, cordeiro, ceviche, entre outras opções. Já o Oiticica tem buffet com culinária brasileira a R$ 89,80 o quilo.

Toda quarta a visitação é gratuita, nos outros dias (não abre às segundas) o ingresso é R$ 50 a inteira. Tem meia entrada.

E nesse ano está prevista a inauguração de um hotel dentro de Inhotim no segundo semestre. É um hotel de luxo que está sendo construído pelo Grupo Clara Resorts que terá 46 bangalôs, piscinas climatizadas e coberta, sauna, spa e dois restaurantes. Essa é a primeira parte do projeto que terá um total de 150 acomodações que ficarão a apenas 700 metros do museu.

E, para finalizar, um ensinamento de um imã de geladeira: “É junto dos bão que a gente fica mió!”.

Receita Feijão-tropeiro

Ingredientes:

½ kg de feijão roxinho

250 g de toucinho defumado

5 ovos

1 cebola média, picada em cubos

1 colher das de sobremesa de sal com alho

½ concha de gordura

4 dentes de alhos, amassados

Cheiro-verde a gosto

Farinha, o necessário

Foto: Adobe Stock

Como fazer:

Lavar, cozinhar o feijão e reservar. Lavar, picar o toucinho em cubos, escorrer e reservar. Em uma frigideira, colocar a gordura para aquecer, estalar os ovos. Ao começar a endurecer, picar ligeiramente, escorrer e retirar com uma escumadeira e reservar.

Colocar uma panela para aquecer, usar parte da gordura do toucinho, acrescentar o sal com alho, a cebola picada e o alho amaçado; deixar alourar, acrescentar o feijão tendo o cuidado de, antes, escorrer o seu caldo.

Deixar refogar bem para pegar o gosto.

Retirar do fogo, polvilhar farinha a gosto; mexer, acrescentar os ovos e o cheiro-verde.

Misturar delicadamente.

Servir com linguiça em rodilha, couve e arroz.

Jean Luiz Féder, jornalista da Abrajet-PR, esteve em Minas Gerais participando do Congresso Nacional da Abrajet que foi organizado pela Abrajet-MG

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