Os brasileiros são para a Argentina uma das principais receitas de turismo. Com a Covid-19 o fluxo de viagens para o país vizinho zerou. Matías Lammens, ministro do Turismo e Esportes da Argentina, em entrevista para a Now Boarding, disse que ainda é cedo para falar numa data para a reabertura das fronteiras e a retomada do turismo entre os dois países. Mas para incentivar o turismo interno, o governo lançou o “PreViaje” que já mobilizou onze milhões de argentinos. O ministro apoia a criação de um “passaporte de saúde” que garantiria a entrada de turistas vacinados no país. E, para os brasileiros, conta que tem uma campanha especial com descontos para os destinos de inverno na Argentina. 

Como a pandemia afetou o turismo internacional e interno na Argentina?  Qual foi a redução no número de turistas estrangeiros no país?

Matías Lammens, ministro do Turismo e Esportes da Argentina – Vínhamos com crescimento significativo do turismo internacional na Argentina: nos dois primeiros meses de 2020, o turismo receptivo teve um aumento médio de 7% em comparação com o mesmo período de 2019. Então começou a pandemia que afetou tanto o setor.

O mesmo aconteceu em nosso país com o turismo doméstico, que teve um recorde em fevereiro de 2020 em muitos destinos consolidados e emblemáticos, como Mar del Plata, na província de Buenos Aires.

No final de 2020, tomamos a decisão política de ter a temporada de verão nacionalmente e estamos muito felizes com os primeiros resultados: mais de onze milhões de argentinos já foram mobilizados pelos destinos do nosso país desde dezembro e estamos atingindo uma ocupação média de cerca de 75% do que era 2020, bem acima de outros países do mundo.

Na pandemia, que ações o governo adotou para apoiar o segmento de turismo argentino?

Matías Lammens – No ano passado, o Ministério do Turismo e Esportes da Nação aumentou seu orçamento em mais de 300%, permitindo que enfrentasse as medidas e programas para apoiar cerca de seiscentos mil empregos diretos e indiretos no ano mais difícil para o turismo mundial.

Nesse sentido, foram realizadas diferentes iniciativas dentro do “Plano de Ajuda ao Turismo, Treinamento e Infraestrutura” (Pacit) para manter as empresas, prestadores de serviços e trabalhadores do setor turístico para que mantivessem em pé.

O governo lançou o programa PreViaje para promover o turismo interno.  O senhor tem um balanço dos resultados do PreViaje?

Matías Lammens – Estamos muito felizes com os resultados do “PreViaje”. Mostramos que através da criatividade podemos gerar medidas inovadoras e beneficiar mais de trezentos mil prestadores e trabalhadores da atividade turística.

No último trimestre de 2020 e após meses de volume de negócios zero, conseguimos que cerca de seiscentos mil turistas gerassem receita para o setor em mais de $ 10 mil millones (cerca de R$ 6 milhões) para iniciar a reativação.

Como resultado, $ 5 mil millones (R$ 3 milhões) foram injetados no Estado Nacional e estão sendo usados em toda a cadeia industrial.

Com a perspectiva da vacinação gradual da população, quando o senhor acredita que as fronteiras da Argentina com o Brasil possam ser reabertas?

Matías Lammens – Neste momento não podemos falar sobre prazos para o renascimento do turismo internacional na Argentina. Vai depender muito de como o plano de vacinação progride tanto em nosso país quanto no resto do continente.

Estamos trabalhando em conjunto com a Organização Mundial do Turismo para ter uma espécie de “passaporte de saúde”: aqueles que estiverem vacinados poderão entrar na Argentina. Para o nosso governo, o turismo receptivo é estratégico e vamos continuar nessa direção.

O governo e o Ministério do Turismo pensam em adotar algum programa de incentivos para atrair turistas brasileiros para a Argentina?

Matías Lammens – Para o turismo argentino, o Brasil é um mercado estratégico, representando cerca de 20% do turismo receptivo em nosso país. Durante 2019, cerca de 1,5 milhão de turistas brasileiros visitaram a Argentina e 30% visitaram nosso país durante o inverno.

Por isso, neste contexto particular, lançamos a campanha “Snow Plus”, que oferece descontos de até 40% nos diferentes componentes de uma experiência de viagem (hotel, pacotes turísticos, passagens para estações de esqui, roupas, entre outros) relacionadas à neve argentina até o inverno de 2021, se a situação epidemiológica permitir.

Também estamos trabalhando em outras iniciativas inovadoras com o mesmo objetivo: oferecer um serviço de qualidade aos turistas de nossos países vizinhos.

Foto da capa: Monica Volpin/Pixabay