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05/12/2009

Todos os anos 600 mil pessoas são acometidas de doença tromboembólica nos Estados Unidos. Ela se caracteriza pela formação de coágulos de sangue que quando se deslocam pela circulação podem ocasionar sérios problemas. Quando o deslocamento dos coágulos (trombos) de alguma parte do corpo vai para os pulmões, impedindo que haja troca dos gazes, temos a embolia pulmonar e o paciente pode morrer devido a incapacidade de respirar.

Em 11 % dos casos a embolia é fulminante; o processo é tão intenso que não há tempo suficiente do paciente ser socorrido. Existem fatores de risco que podem piorar a incidência de embolia de pulmão. Entre eles: a obesidade, o sedentarismo, o câncer, o uso prolongado de contraceptivos orais, gravidez, diabetes, e cardiopatias.

Há ainda a chamada “Síndrome da Classe Econômica” que ocorre em viagens aéreas de longas distâncias. Admite-se que de 3 a 10% dos casos de embolia são de viajantes da classe econômica que ao ficarem sentados na mesma posição, sem se movimentar durante horas,
favorecem a formação de coágulos nas pernas, que eventualmente podem se deslocar até os pulmões.

Mas, felizmente, a possibilidade de embolia pulmonar fatal é muito rara. Nenhum dos passageiros com embolia pulmonar viajou menos de 2.500 km segundo os relatos da literatura especializada. Contudo, o risco de TEP grave foi 100 vezes maior em voos de 5 mil a 10 mil km e, de mais de 400 vezes maior em vôos maiores que 10 mil km. Isto significa um caso para cada 200 mil passageiros.

Água

Diante disso alguns cuidados básicos e que não requerem grandes esforços podem ser tomados. Em viagens longas, movimente os pés como se estivesse acelerando um carro. A flexão e extensão dos pés faz com que os músculos da panturrilha também se movimentem, auxiliando o bombeamento do sangue das veias da perna.

Levantar-se e caminhar em direção ao toalete também faz com que os músculos se contraiam e, por fim, é aconselhável a ingestão abundante de água nas viagens longas.

A Radiologia Intervencionista desempenha hoje em dia fundamental papel no diagnóstico e tratamento desta tão grave doença. Ela
faz parte de arsenal multidisciplinar que pode efetivamente mudar a trajetória de uma evolução eventualmente catastrófica e que pode
levar a morte. Conhecida como a especialidade médica de tratamentos minimamente invasivos, através da Radiologia Intervencionista
é possível não apenas diagnosticar a embolia de pulmão, mas também dissolver os trombos que vão ao pulmão.

Através do cateterismo das artérias pulmonares é possível injetar medicações capazes de dissolver os coágulos e também quebrar,
aspirar e destruir mecanicamente os trombos. Este procedimento é conhecido no meio médico como Trombectomia Mecânica.

Outros equipamentos são capazes de injetar micro jatos por dentro de cateteres e estes, tais quais as bombas d’água de alta pressão, são capazes de limpar a sujeira das veias que neste caso são os coágulos – permitindo assim sua desobstrução; Os catéteres são introduzidos por meio de um pequeno buraquinho na virilha e, nas mãos treinadas do Radiologista Intervencionista, chegam a qualquer parte do corpo
do paciente. Sem pontos ou grandes incisões.

Filtros

Como a Medicina atual tem ênfase na profilaxia, a Radiologia Intervencionista dispõe de dispositivos capazes de impedir que novos coágulos se desloquem para o pulmão. São os chamados Filtros de Veia Cava, que nada mais são do que pequenos dispositivos em formato de guarda-chuva e cesta que quando implantados na veia principal da barriga, que leva todo o sangue da perna e dos órgãos da barriga para o pulmão, são capazes de impedir a embolia de pulmão.

É como um verdadeiro filtro que deixa o sangue passar, mas não os coágulos. A grande maioria destes procedimentos é realizada apenas com anestesia local. Os cateteres são guiados pelo Radiologista Intervencionista através de equipamentos digitais com imagens de
altíssima definição (1024 x 1024 linhas), qualidade superior à maioria dos equipamentos de vídeo disponíveis no mercado.

Dr. Alexander Ramajo Corvello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular

Publicado no Aeroporto Jornal – dezembro/2009

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