Tudo bem que para brasileiros viajar ao Exterior e fazer a conversão para o real a viagem pode ficar cara. Mas enfrentar abusos nos serviços é outra coisa. Veja o que aconteceu com dois turistas canadenses ao fazer uma refeição num restaurante em Veneza: pagarão € 156 (quase R$ 880 na cotação de hoje, 21 de outubro de 2026) por um linguado assado que, segundo eles, não constava no cardápio consultado. E olha que 1 dólar canadense é igual a 0,63 euro, enquanto 1 real equivale a 0,18 euro. Os canadenses denunciaram a falta de transparência nos preços do restaurante.

O caso foi divulgado no último fim de semana pela Adico, associação italiana de defesa dos consumidores, que recebeu uma reclamação por e-mail em meados deste mês.

O recibo da refeição feita na Trattoria Ali d’Oro, localizada na Fondamenta de l’Osmarin, 4.976, mostra, além do peixe, uma pizza Margherita por € 8 (R$ 45) e uma água mineral sem gás por € 4,50 (R$ 25).

Segundo os turistas, o valor do prato do peixe foi uma surpresa, pois o garçom que o recomendou não teria informado o preço nem explicado que a cobrança seria feita por peso.

O casal Julie Li e seu companheiro, afirmou que pagou a conta quando recebeu o recibo, sem contestar o valor publicamente, para evitar um confronto no estabelecimento.

Em resposta às acusações, o estabelecimento negou irregularidades e afirmou que o cardápio informava o preço de € 13 (R$ 74) a cada 100 gramas de linguado assado e que os próprios clientes escolheram o peixe, que pesava 1,25 quilo.

A versão dos turistas, no entanto, é diferente. No e-mail encaminhado à Adico, eles relataram que o cardápio consultado apresentava pratos de carne e peixe com preços entre € 21 (R$ 118) e € 34,50 (R$ 194).

Segundo o casal canadense, ao pedirem uma recomendação, o garçom mostrou uma foto de um linguado inteiro assado, acompanhado de batatas e pimentão verde, mas não informou o custo total nem explicou que o preço seria calculado pelo peso.

Os turistas também questionaram a falta de detalhes no recibo, que, segundo eles, não especificava o peso do peixe, o preço por unidade de medida ou o cálculo do valor cobrado. “Se tivéssemos sido informados do preço antes de fazer o pedido, não teríamos escolhido esse prato”, afirmaram.

Consultada sobre o caso, a associação italiana explicou que os restaurantes devem fornecer informações claras sobre os preços, especialmente quando oferecem produtos vendidos por peso que não estão incluídos no cardápio habitual.

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De acordo com a associação, o estabelecimento deve informar o preço por unidade de medida, o peso do produto e os dados necessários para que o consumidor conheça o custo da refeição antes de fazer o pedido. A omissão dessas informações pode configurar uma infração administrativa, e a cobrança pode ser contestada.

A entidade também orientou que denúncias formais sobre possíveis irregularidades na divulgação de preços sejam encaminhadas à Polícia Municipal ou à Guarda de Finanças, força policial italiana que atua, entre outras áreas, na fiscalização econômica e financeira.

A Adico criticou ainda a conduta de comerciantes que, segundo a associação, prejudicam a imagem de Veneza ao não esclarecer adequadamente os preços aos visitantes.

Veneza já foi alvo de outras reclamações envolvendo cobranças consideradas abusivas. Em setembro, um caso chamou a atenção após a inclusão de uma taxa extra por música em uma conta do histórico Caffè Florian.

Ansa

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