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29/09/2020

É importante para profissionais adotarem discursos positivos e éticos, porém isso precisa, de fato, estar incorporado à essência de sua marca pessoal. A palavra autenticidade vem sendo bastante usada para orientar profissionais a se colocarem seja no on ou no off-line. Mas muitas vezes parece que esse conceito se choca com a tendência – ampliada pelas redes sociais – de adesão indiscriminada a causas e movimentos apenas porque todos o estão fazendo ou porque é “moda”. Efeito manada é a tendência humana de repetir ações de outras pessoas.

O nome é dado devido à semelhança com o que ocorre no reino animal, especificamente com espécies que vivem em comunidades. “Somos seres sociais e ansiamos por pertencimento, isso nos traz bem estar. Porém essa busca deve ser feita levando-se em conta as nossas próprias crenças e de modo alinhado aos nossos objetivos”, afirma Karla Giacomet.

Sabe aquele velho conselho de mãe: “você não é todo mundo”? Faz mais sentido do que nunca quando pensamos que muitas vezes somos impelidos a emitir opinião simplesmente como reflexo de algo que nem ao menos temos conhecimento.

Todos sabemos a importância de temas políticos, raciais e sociais. É preciso sim falar sobre isso. Mas antes de enveredar para uma discussão ou mesmo para a rede social apenas para fazer parte do coro com a maioria é importante se informar e perceber os pontos em que os argumentos combinam com a sua postura.

Segundo Dani Amorim, isso está relacionado a um dos mecanismos do cérebro humano, chamado vieses inconscientes: atalhos que o cérebro toma, de modo inconsciente, que podem ou não levar a erros de decisão ou de lógica. “Um deles é o ‘Viés Efeito Bandwagon’ (ou viés efeito adesão), que explica essa enorme probabilidade de uma pessoa adotar uma crença baseada no número de pessoas que a seguem. A partir do momento em que conhecemos a existência desse viés, passamos a administrar melhor as nossas reações conscientes”, explica.

Esse movimento natural de uma pessoa reproduzir o comportamento de um grupo, mesmo sem saber o motivo, pode gerar uma avaliação negativa dentro de um ambiente corporativo. Às vezes, até própria empresa adota posturas para mostrar ao seu público uma imagem que não condiz com a prática. “Questões relativas à sustentabilidade são um bom exemplo. Por se tratar de uma macrotendência, muitas empresas adotam um discurso ecologicamente correto, mas o que estão fazendo, na verdade, é greenwhashing – se apropriando de valores ambientais como forma de marketing. O mesmo percebemos acontecer com as pessoas em temas variados”, exemplifica Karla.

É por isso que a autenticidade deve ser encarada como um verdadeiro pilar do personal branding. É importante observar, estudar e avaliar por quais caminhos devemos seguir e quais batalhas devemos lutar verdadeiramente. “Um bom exercício é o autoconhecimento. Entender seus valores e colocá-los em ação para, daí sim, incorporá-los em um discurso autêntico”, diz Dani.

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