Até 15 de novembro de 2026 uma exposição com curadoria internacional estará na Sala 9 do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC) no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. A mostra “Camuflagens” faz parte da 16ª Bienal de Curitiba traz uma mensagem para um tempo marcado pela aceleração tecnológica, pela circulação massiva de imagens e pela instabilidade das noções de verdade e realidade numa exposição coletiva internacional com curadoria de Royce W. Smith, decano da Faculdade de Artes da California State University, Long Beach.
Em um eixo conceitual complementar ao “LIMIARES”, tema central da Bienal, “Camuflagens” propõe uma investigação sobre os limites entre o visível e o invisível, o real e o fabricado, o explícito e aquilo que escapa à percepção. Reunindo artistas de diferentes países e linguagens, a exposição articula pintura, instalação, fotografia, vídeo, inteligência artificial e processos híbridos para discutir estratégias contemporâneas de adaptação, ocultamento e sobrevivência.
“A camuflagem tornou-se um mecanismo de enfrentamento fundamental para as mudanças sociais, culturais, econômicas e tecnológicas, rápidas e inesperadas, e um meio de encontrar estabilidade em um mundo cada vez mais marcado por mudanças e convulsões”, afirma Royce W. Smith no texto curatorial da exposição.
O curador propõe a camuflagem não apenas como recurso visual, mas como metáfora política e existencial. A exposição parte de referências históricas que vão do trompe l’oeil (ilusão de ótica) renascentista aos surrealistas, passando pelas relações entre arte, guerra, natureza e tecnologia, para refletir sobre um presente em que inteligência artificial, vigilância digital, fake news e algoritmos alteram profundamente nossa percepção da realidade. “A verdade e a realidade são, na prática, montagens de inúmeras e infinitas suposições”, escreve Smith ao refletir sobre a cultura contemporânea mediada por imagens e tecnologias.
Entre os destaques da mostra está a participação do artista maranhense Thiago Martins de Melo, cuja produção atravessa pintura, instalação, vídeo e linguagens digitais em investigações ligadas ao sincretismo religioso, colonialismo, espiritualidade e disputas de território. “Eu não separo minha produção da minha vida. Meu trabalho surge justamente das tensões do mundo, da minha luta política e das experiências que atravessam minha existência”, afirma o artista.

Triptico, Guillermo Srodek Hart.
Na Bienal, Thiago apresenta obras que articulam religiosidade afro-brasileira, inteligência artificial e sistemas oraculares digitais, propondo reflexões sobre transcendência, tecnologia e colonialidade contemporânea. Um dos trabalhos inéditos desenvolvidos para a exposição utiliza IA interativa para criar uma espécie de oráculo contemporâneo baseado em processos de “alucinação” algorítmica. “A gente vai provocar a ideia da inteligência artificial como divindade e oráculo do mundo contemporâneo”, resume.
Também integra a exposição o artista norte-americano Ricky Allman, cuja pintura combina abstração e figuração em cenários que investigam colapsos ambientais, tensões políticas e futuros distópicos. “Meu trabalho é uma resposta direta aos acontecimentos contemporâneos. O medo diante da crise climática, da ascensão do fascismo e do declínio do capitalismo acaba sendo expresso nas minhas pinturas sobre o futuro”, afirma.
Para Allman, a própria ideia de camuflagem tornou-se uma estratégia de sobrevivência diante das estruturas contemporâneas de controle e vigilância. “Torna-se existencialmente necessário atravessar o mundo sem ser percebido pelos sistemas autoritários de vigilância”, comenta.
Ao mesmo tempo, o artista defende a permanência da pintura como espaço de resistência em meio à velocidade das imagens digitais. “A pintura desacelera o olhar. Ela continua sendo uma das maneiras mais diretas, honestas e satisfatórias de expressar visualmente nosso universo interior”, afirma.
A exposição reúne artistas de diferentes geografias e contextos culturais, entre eles Paulo Nazareth, Regina José Galindo, Marcos Ramírez ERRE, Julia Isidrez e Abel Barroso, consolidando um panorama internacional que atravessa discussões sobre identidade, poder, tecnologia, memória e percepção.
Os artistas participantes são: Abel Barroso, Alejandro Sánchez, Ángel Poyón, Barton Lidice Benes, Bill Burns, Christopher Miles, Daniel Han, Diego Masi, Fidel Fernández, Fernando Poyón, Glenda Salazar, Gonzalo García, Guillermo Srodek-Hart, Javier Calvo Sandí, Javier Vanegas, Jason Shulman, Julia Isidrez, Ledania, Levente Sulyok, Lilian Camelli, Mabilón Jiménez, Marcos Ramírez ERRE, Paulo Nazareth, Prospex Park, Regina José Galindo, Ricky Allman, Tavin Davis, Thiago Martins de Melo e Toni Graton.
A 16ª Bienal Internacional de Curitiba é realizada pelo Ministério da Cultura, Governo Federal – Do lado do povo brasileiro, MON, MAC Paraná e Paraná Festival – Secretaria de Estado da Cultura – Governo do Paraná.
É possível acompanhar a 16ª Bienal de Curitiba pelo site oficial e pelo Instagram.
Com informações da Assessoria de Imprensa






