Como definir uma data comemorativa. Muitas vezes é fácil: o fim de um conflito ou o nascimento de uma pessoa ilustre. Mas e quando ser quer estabelecer quando começou o Turismo no Paraná?
A palavra turismo, ou o seu termo, foi oficializado por volta de 1811, segundo pesquisa no Google, e a Wikipédia diz que o turismo tem “duas linhas de pensamentos no qual a História do Turismo se divide. A primeira seria que é o ócio, descanso, cultura, saúde, negócios ou relações familiares. Estes deslocamentos se distinguem por sua finalidade dos outros tipos de viagens motivados por guerras, movimentos migratórios, conquista, comércio, etc. Não obstante o turismo tem antecedentes históricos claros. Depois, se concretizaria com o então movimento da Revolução Industrial. A segunda linha de pensamento se baseia em que o Turismo realmente se iniciou com a Revolução Industrial, visto que os deslocamentos tinham como intuito o lazer”. E no Paraná?
Bem, poderíamos pegar a trilha do Caminhos de Peabiru que com mais de 4 mil km de extensão há mais de três mil anos ligava o Pacífico ao Atlântico, passando pelo Paraná. Será que esses ancestrais faziam turismo? Não foi essa a escolha.
Profissionais do setor se debruçaram sobre a questão e definiram que o turismo no Paraná começou com a visita às Cataratas de Foz do Iguaçu por Santos Dumont.
O aviador estava hospedado na Argentina em abril de 1916 e foi convidado por Frederico Engel que abriu o primeiro hotel de Foz do Iguaçu – o Hotel Brasil com sete apartamentos – em 1915 para visitar o lado brasileiro. Santos Dumont ficou três dias na então Vila Iguassu e para chegar às Cataratas era preciso andar a cavalo por quatro horas. Ele ficou impressionado com o que viu. Ao descobrir que a área pertencia a um uruguaio, se indignou. Disse, segundo registram várias matérias e autores: “Posso dizer-lhe Frederico Engel, que estas maravilhas não podem pertencer a um particular”. Dumont alterou seus compromissos e foi a cavalo até Guarapuava e dali pegou um trem para Curitiba. Chegou à capital do Paraná e teve audiência em maio com Affonso Camargo, governador do Estado, quando insistiu para o governo comprasse a área. A área foi adquirida em 1919.
Com a área, veio o Parque, com o Parque o turismo e a definição de que a primeira e única visita de Santos Dumont às Cataratas do Iguaçu seria o marco inicial do Turismo no Paraná.
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Mas existem outras datas significativas. 1969, criação da Paranatur (Empresa de Turismo do Paraná) e do Cepatur (Conselho Paranaense de Turismo). 2003, criação da Secretaria de Turismo do Paraná que depois seria extinta por reformas administrativas e unida à Secretaria do Esporte e noutra fase à Secretaria de Desenvolvimento Sustentável. 2023, recriada a Secretaria de Estado do Turismo e, junto, o Viaje Paraná, um serviço social autônomo.
É claro que iniciativas governamentais e, principalmente, orçamento, ajudam e favorecem o turismo no Paraná: o Estado recebeu mais de 1 milhão de turistas estrangeiros em 2025, um recorde, mais de 10 milhões de visitantes e o setor gerou uma receita de R$ 32 milhões. Mas só o Estado não pode tudo. Toda a cadeia do turismo, desde as Instâncias de Governança Regional, guias de turismo, agências de viagens, hoteleiros, restaurantes, comércio, parques, aeroportos importam e têm importância nesses números.
E todos esses segmentos estão de uma forma ou de outra representados no Cepatur que faz amanhã, 18 de agosto de 2026, às 14h, sua 100ª reunião ordinária quando os 110 anos do Turismo do Paraná será lembrado. É no Cepatur que se discutem as diretrizes e os rumos que o Turismo no Paraná deve seguir para continuar trilhando o caminho que faz do Estado um dos mais visitados no Brasil.
Abrajet-PR (Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo – Paraná)






