A majestosa Maria Fumaça 310 está de volta. Depois de mais de 110 anos da primeira viagem, a máquina movida a vapor volta a operar em Santa Catarina com a mesma função assumida naquele distante outubro de 1913, agora como Trem das Etnias.
O passeio Trem das Etnias sai do Instituto Cultural Grünenwald (R. Pedro Mazurechen, 745), em Porto União, faz uma parada na Estação Ferroviária de União da Vitória onde todos desembarcam para conhecer o único túnel interestadual do Brasil que liga o Paraná a Santa Catarina num trajeto debaixo dos trilhos. Depois a viagem é retomada até a Estação Engenheiro Mello, em Porto União, com novo desembarque para explorar a estação e, em seguida, embarque para o Instituto Cultural Grünenwald, ponto final da viagem de aproximadamente 2 horas.
Durante o trajeto em velocidade moderada, você será transportado a tempos antigos quando o trem era meio de transporte importante no Brasil, relembrando o balançar dos vagões e o som metálico das juntas de aço e a brisa quente do vapor da Maria Fumaça.
Para quem nunca viajou de trem, serão momentos memoráveis, que ficarão para sempre na memória desses passageiros de primeira viagem.

Ao longo do trajeto, passagem por um túnel histórico quando todas as luzes do Trem são apagadas, imponentes paredões e paisagens deslumbrantes se revelam, marcando o caminho de ferro construído para a eternidade. Você chegará a uma vila ferroviária centenária e conhecerá de perto a história e a força dos ferroviários pioneiros. O nome Trem das Etnias é homenagem aos alemães, ucranianos, italianos, poloneses e libaneses que se instalaram na região.
Para reativar o passeio, foram necessários mais de oito anos de trabalho. Todo o trecho percorrido pela Maria Fumaça foi restaurado com a substituição de praticamente todos os dormentes que foram deteriorados pelo tempo. Além disso, foram feitas melhorias para tornar o trajeto adaptado às normas ferroviárias atuais.
A locomotiva, que ficou exposta por 28 anos na Praça Visconde de Nácar, em União da Vitória, passou por uma restauração minuciosa. Foram reconstruídas a caldeira e pistões, mas com a preocupação de preservar sua originalidade. Alguns manômetros centenários, ainda funcionais, continuam nela, mantendo viva a história do passado. Já os vagões de passageiros precisaram ser reconstruídos do zero, aproveitando apenas os chassis e o material rodante.
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Guerra do Contestado
Toda a operação de restauração foi feita por 33 empresários das cidades de Porto União, Santa Catarina, e União da Vitória, Paraná, que são separadas pela linha do trem, num investimento de R$ 6 milhões.
Quem fizer o passeio, fará uma viagem pela história. Os trilhos passam por uma região que foi palco de um dos maiores conflitos do Brasil: a Guerra do Contestado travada entre os anos de 1912 e 1916. Esse conflito envolveu disputas de terras entre camponeses e grandes corporações, resultando em um dos episódios mais marcantes da história nacional. Durante a viagem de 12 km Ferromoças contarão sobre a história do trem e darão informações sobre o passeio aos passageiros.
As passagens para o passeio custam R$ 120 por pessoa e podem ser parceladas em até 10 vezes nos cartões Visa e Mastercard, Elo, Amex e Pix. Crianças até 5 anos não pagam, desde que vão no colo, e todas as crianças até 12 anos só poderão fazer o passeio acompanhadas dos pais ou responsáveis com apresentação de documentos.
Antes ou após o passeio, aproveite um café colonial servido no Instituto Cultural Grünenwald por R$ 36,90.
O passeio no Trem das Etnias pode ser feito todos os sábados em três horários: 9h, 13h e 17h.
Lúcio Colombo, jornalista associado à Abrajet-SC (Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo – Santa Catarina) com Projeto Trem das Etnias






