É como passar por um portal. A 65 km do centro de Curitiba, viajando pela BR-376 e depois pela BR 277, fazendo uma curva à direita, chega-se à Av. Presidente Ernesto Geisel, e aí à Colônia Witmarsum, município de Palmeira, Paraná. A mais 10 km está o Bierwit Restaurante e Choperia.

A explicação do portal, é que a partir da Avenida e ao deixar a estrada, você começa a sentir uma tranquilidade que a paisagem traz e chegando cada vez mais perto de Witmarsum, fundada por imigrantes menonitas de origem russa, sai da agitação do tráfego da rodovia e do que vem consigo na viagem para um local de paz, visível nas casas, quase todas sem muro. Sim, a criminalidade é baixíssima nessa comunidade com cerca de 2,5 mil habitantes.

Witmarsum é um passeio ótimo para os curitibanos, a cerca de uma hora de carro. Mas segue a dica: se está planejando uma viagem a Curitiba inclua a Colônia.

Now Boarding foi a Witmarsum a convite do Bierwit que queria apresentar seu Prato da Boa Lembrança.

A Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança foi criada em 4 de março de 1994, em Petrópolis, Rio de Janeiro, com um pequeno grupo de restaurantes que, hoje, são 98 espalhados pelo Brasil.

A dinâmica do Boa Lembrança é que cada restaurante, todo ano, crie uma receita exclusiva para seus clientes, que levarão, como recordação, uma peça de cerâmica pintada à mão correspondente àquele prato. Quer dizer: faz uma boa refeição e ganha a cerâmica exclusiva com o nome do prato.

No Paraná integram a Associação seis restaurantes: três em Curitiba (Cantina do Délio, Ernesto Restaurante e Quintana Gastronomia), um em Morretes (Villa Morretes Restaurante) e dois em Palmeira, além do Bierwit, o Girassol.

Giovanna Smaka, Bierwit Restaurante e Choperia

Giovanna Smaka, a chef, com o Prato da Boa Lembrança e a plantação de ruibarbo. Foto: Jean Luiz Féder

Aberto em novembro de 2015, a história do Bierwit Restaurante e Choperia começa muitos anos antes. A curitibana Giovanna Smaka (mãe de gêmeos há oito meses) é formada em Gastronomia e já passou por diversas cozinhas na capital como as comandadas pelos chefs Celso Freire, Flávio Frenkel e Délio Canabrava.

Um dia resolveu que era o momento de comandar sua própria cozinha e começou a procurar espaços em Curitiba. Mas sua irmã, a psicóloga Priscila, casou-se com um “colono” e diante da dificuldade de Giovanna encontrar um imóvel em Curitiba lançou: “Que tal Witmarsum?”.

Como as oportunidades aparecem assim meio ao léu, lá foi a chef. E encontrou a oportunidade num terreno onde se plantava milho. Ali começou a erguer o seu restaurante.

O Bierwit, hoje, é uma vila gastronômica. Além do restaurante, que tem um garden pet friendly, uma choperia com quatro torneiras de chopp artesanal da Kunst Braueri, uma cafeteria que serve os cafés especiais da Kaffeewit, a gelateria Oak Farm que serve gelatos artesanais aveludados preparados com o leite produzido na Colônia, e a Casanita, uma loja de artesanato.

Garden pet friendly, Bierwit Restaurante e Choperia

Garden pet friendly. Foto: Jean Luiz Féder

E o Prato da Boa Lembrança?

O desse ano na Bierwit é o Dueto de Bosque e Defumados. É um kassler grelhado servido com papardelle, cogumelos salteados, alho e tomates cereja envoltos em um cremoso molho de queijo que é finalizado com picles de cebola roxa que traz leve frescor e equilíbrio ao prato. Custa R$ 118,90.

A avaliação: é muito bom.

Prato Boa Lembrança, Bierwit Restaurante e Choperia

Prato Boa Lembrança. Foto: Jean Luiz Féder

Se eu provei o da Boa Lembrança, Sonia, que ama a comida alemã, foi no que Giovanna disse que é o mais pedido: o tradicional e famoso joelho de porco, Eisbein (foto da capa), e que a cozinha dali faz pururuca. “Fomos nós que trouxemos essa releitura para a região porque aqui se faz tudo cozido”, destaca a chef. Acompanham chucrute e purê de maçã (R$ 97,90). Faz diferença, que em todos os preparos os ingredientes são locais e certificados. Os temperos são produzidos, como a mostarda escura, boa e suave (à venda na loja). Melhor conferir e provar. Vale a pena.

Na entrada do restaurante, nos dois lados da porta, tem uma plantação de ruibarbo e uma placa informando que “utiliza-se o caule em pratos doces e salgados”. A curiosidade aguçou. Torta de ruibarbo? Só tinha sabido por livros ou filmes. Claro que iríamos provar.

GASTRONOMIA: Barreado, prato típico do Paraná

E nossa sobremesa foi a Torta Gelada de Ruibarbo, a R$ 25,90. É de brigadeiro de ruibarbo, criação da casa para adequar o vegetal ao paladar brasileiro (o ruibarbo é gostoso, mas ácido) com ganache de chocolate. Uma surpresa muito saborosa. O brigadeiro branco fica suave e sem o sabor irritantemente doce do tradicional brasileiro.

Torta Gelada de Ruibarbo, Bierwit Restaurante e Choperia

Torta Gelada de Ruibarbo. Foto: Jean Luiz Féder

O cardápio do Bierwit Restaurante e Choperia é enxuto, o que permite imaginar que o marreco (R$ 84,90) e o pão no bafo (R$ 140 para duas pessoas), iguaria tradicional de Palmeira com registro de Indicação Geográfica (IG), sejam igualmente bons para degustar.

O Bierwit abre de quarta a sexta, das 11h30 às 14h e sábado, domingo e feriados das 11h30 às 16h. Recomenda-se fazer reserva nesse site.

Sonia Bittencourt Féder, jornalista, e Jean Luiz Féder, jornalista associado à Abrajet-PR (Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo – Paraná)

Comentários

Leave A Comment