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03/12/2020

ESTAMOS A BORDO DA REVOLUÇÃO QUE ESTÁ TRANSFORMANDO FUNDAMENTALMENTE A FORMA COMO VIVEMOS, NOS COMUNICAMOS E NOS RELACIONAMOS. Os conceitos e as ideias relacionadas ao dress code profissional passarão intactos por essa avalanche de desconstrução e remodelação?

Estamos no início de uma década que chegou derrubando muitos dos modelos e padrões sociais que conhecemos e herdamos. Modelos de carreira, família, sociedade, comunicação, aprendizado e linguagem já estão ressignificados. As mudanças ficaram constantes e boa parte dos movimentos liderados pelas novas gerações entrou no dia a dia de todos, sob uma ótica mais desburocratizada, informal e horizontal, em diversos contextos.

Já vínhamos acompanhando algumas mudanças expressivas de comportamento, especialmente no Brasil, no que diz respeito à imagem pessoal no ambiente de trabalho, que se intensificou no cenário de pandemia. A nossa inquietação com alguns conceitos antigos relacionados ao tema nos levou a conduzir um projeto de pesquisa, realizado nos meses de agosto e setembro, por meio de questionário online, com mais de 60 questões. O estudo contou com a participação de 460 respondentes, o que corresponde a 4,6% de margem de erro e 95% de confiança para a amostra total. Profissionais residentes na capital do Paraná representaram 71% da amostra coletada.

Um dos grandes assuntos que buscam compreensão no mercado de trabalho atual são os conflitos entre as gerações baby boomer, X, Y e Z. Sem a intenção de limitar os temas que podem estar relacionados a esses conflitos, podemos afirmar que um deles tem a ver com a forma de se vestir.

Para contextualizar: baby boomers – 53 anos ou mais; geração x – 39 a 52 anos; geração y (millenials) – 25 a 38 anos; geração Z – 18 a 24 anos.

Talvez isso não soe novidade, mas o que a pesquisa mostra é que, antes das diferenças sobre o vestir, existe uma diferença de percepção a respeito do nível de formalidade do ambiente de trabalho. Para as gerações mais novas, o ambiente de trabalho no qual estão inseridos é mais informal, o que possivelmente as faça escolher uma vestimenta informal coerente com a classificação que fazem do ambiente. O contrário acontece com os baby boomers, ocasionando um conflito de expectativa.

57% dos entrevistados consideram a sua área de atuação mais informal, enquanto 43% consideram mais formal. Entre os baby boomers, essa classificação se inverte: 41% consideram informal e 59% consideram formal.

Profissionalismo e formalidade (leia-se regras, convenções, etiquetas) foram conceitos complementares por muito tempo. Profissionalismo não existia sem formalidade. E formalidade era evidência de profissionalismo. O vestuário sempre teve papel fundamental nessa materialização, o que é incompatível com a atualidade. Para as novas gerações, a preocupação com o dress code profissional continua fazendo sentido, porém tem um peso diferente em relação ao impacto que provoca na sua autoconfiança e desempenho.

“Quando cuido da minha imagem pessoal, me sinto mais seguro(a) e autoconfiante” é uma frase com 95% de grau de concordância entre os entrevistados, somadas as respostas “concordo totalmente” e “concordo parcialmente”. Quanto mais nova a geração, o grau de concordância vai diminuindo: 100% entre os baby boomers, 97% entre a geração X, 93% entre a Y e 88% entre a geração Z.

No geral, a relevância atribuída ao tema também varia conforme gênero e posição ocupada na empresa, sendo maior na percepção de mulheres e de profissionais que ocupam cargos considerados mais estratégicos.

Gerações, gêneros e cargos à parte, a pesquisa traz um resultado relevante: quanto maior o alinhamento entre os valores do profissional e da empresa, maior é a satisfação do profissional em relação ao que é esperado de sua imagem no trabalho.

Por hora, percebemos que as diferenças vêm falando mais alto e causando desconfortos em diversos aspectos e ambientes, que sabemos acontecer o tempo todo pelos depoimentos de clientes, pelos debates travados em postagens nas redes sociais e, também, pelo noticiário.

De um lado, temos pessoas pouco flexíveis. De outro, pessoas pouco tolerantes. A tentativa de colonização por regras por parte dos pouco flexíveis não se mostra um caminho eficaz. E a tentativa de colonização por choque por parte dos pouco tolerantes não se mostra um caminho estratégico.

Para saber mais sobre os resultados desse projeto, entre em contato com a KD Imagem e Marca Pessoal.

Karla Giacomet, consultora de Imagem

Publicada na Now Boarding – dezembro/2020

Foto: Peggy und Marco Lachmann-Anke/Pixabay

 

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