Este é um relato em 4 capítulos de uma viagem ao Chile e Argentina. Era para ser somente ao Chile, mas, inesperadamente, teve um esticada a uma Villa portenha, como se lerá a seguir. A viagem em dois casais (eu, meu primo Eros e nossas esposas, Sonia e Viviane) teve pouco planejamento. O destino foi decidido por comodidade: não queríamos perder tempo em conexões na nossa temporada internacional de 9 dias. Assim, o voo de 3 horas direto entre Curitiba e Santiago mostrou-se perfeito.

Mas só a capital do Chile? Olhamos o mapa desse país que tem 4.329 km de norte a sul (é o mais comprido do mundo) e somente 175 km de leste a oeste, e descartamos Atacama. Pucón seria o destino ao sul.

Concordamos em ficar 5 dias na região central do Chile. Reservamos 2 hotéis em Santiago – um para a chegada e outro para a volta de Pucón – e outro para 3 dias em Pucón, deixando para decidir lá se nos hospedaríamos para os dois dias seguintes.

Explico o pouco planejamento: queríamos decidir os passeios conforme a nossa vontade do dia. Poderíamos ter surpresas, mas estávamos em viagem, relaxados, sem pressão. Só não contávamos com perrengues além da nossa imaginação.

Dica: instale QR Code no celular, sem ele você não acessa os cardápios nos restaurantes e cafés de Santiago, locais que não oferecem wi-fi, ao contrário dos congêneres argentinos. Aliás, ler cardápios em QR Code é um saco!

Capítulo 1: Os destinos, a gastronomia e os passeios

A capital do Chile, Santiago, é uma metrópole vibrante, três vezes maior que a capital do Paraná, Curitiba, com seus 6 milhões de habitantes. A cidade tem vários atrativos nos seus arredores para passeios tipo bate e volta, como Valparaíso e Viña del Mar, a estação de esqui de Portillo, conhecer e degustar os vinhos da Concha y Toro e Vale Nevado e Farellones, um parque e também estação de esqui.

Nossa primeira estadia em Santiago era de pouco mais de 41 horas, então a opção foi passear pela cidade.

E a melhor alternativa de chegar ao centro da cidade é pegar o metrô, principalmente se estiver hospedado na região de Providencia, que tem duas estações: Tobalada e Los Leones. Compre, mesmo se estiver em mais pessoas, uma tarjeta Bip, cartão que dá acesso ao metrô e é carregável. A compra do cartão custa CLP (pesos chilenos) 1,5 mil, cerca de R$ 10. O valor da passagem do metrô em Santiago varia conforme o movimento do dia: no horário de pico é mais caro. Não é recomendável pegar os táxis locais e o Uber funciona com o aplicativo brasileiro, mas um detalhe: só aceite que o Uber pegue você no ponto de partida. Acontece às vezes de o Uber pedir para pegar uma quadra antes, por exemplo. É fria.

Andamos pelo centro, numa das ruas principais, o Paseo Ahumada, que tem 4 quarteirões da Avenida Libertador General Bernardo O’Higgins até a Plaza das Armas. Na Avenida O’Higgins está a Biblioteca Nacional. Entramos para conhecer o prédio e havia a exposição “Gabriela Mistral no México”, bem interessante.

Detalhe importante: o comércio costuma abrir a partir das 10h. Nesta rua, muitas lojas (Ripley e Falabella, por exemplo), cafés e, também, muitos, muitos camelôs e engraxates, só que eles não assediam as pessoas. Nesta rua você vai encontrar várias casas de câmbio. A dica é levar seus reais ou dólar para trocar em Santiago. É seguro, mas as cotações variam muito e a cada instante.

Levamos alguns pesos de Curitiba. Por R$ 2.219,85 compramos 300 mil pesos na Fonseca Câmbio. Pode parecer muito, mas não é. Lá US$ 1 vale, em média, CLP 800 a 815. A carteira fica cheia de pesos chilenos… US$ 300 foram convertidos para 241,5 mil CLP. A taxa foi de CLP 805. Lembrando: no comércio chileno somente se aceitam pesos chilenos.

A Plaza das Armas, de 1541, é o Centro Histórico de Santiago, onde está a estátua de Pedro de Valdivia, fundador da cidade e “conquistador” do Chile. Não deixe de entrar na monumental Catedral Metropolitana. É uma construção impressionante. A Plaza é bem vigiada, com inúmeros policiais, mas é sempre recomendável tomar cuidado com bolsas e mochilas, documentos e celulares.

Depois visitamos o Museo Chileno de Arte Precolombino, na Calle Bandera, 3 minutos a pé da Plaza. É uma visita imperdível porque no subsolo do Museo você vai entender a história do Chile e seus povos originários com a mostra de inúmeras peças. Abre de terça a domingo, das 10h às 18h. Não abre às segundas e feriados. Estrangeiros pagam CLP 10 mil (R$ 65). Dentro, tem um café.

Museo Chileno de Arte Precolombino.

Passamos num supermercado. Sempre vamos a supermercados para conhecer os produtos locais. Para almoçar, atender uma memória gastronômica do Eros: cachorro-quente com abacate (palta, no Chile) e salsinha defumada, iguaria tradicional no país. Na calle Agustinas quase esquina com a Ahumada, fica desde 1952 o Dominó. Tem uma carta de vários sanduíches e por CLP 2.950, cerca de R$ 21, você come um cachorro-quente com duas salsichas (vina, para os curitibanos) com salsa verde, tomate, mayo Dominó, cebolinha temperada e… abacate. A conta para os 4, com sanduíches, papas fritas e chopp saiu por R$ 24,850 (R$ 170).

Cachorro-quente com abacate, no Dominó.

Metrô da Plaza das Armas para a Estação Central e, dali a 20 minutos a pé, o impactante Museo de La Memoria y los Derechos Humanos. Seus 5 mil m² não fazem esquecer os anos da ditadura Pinochet, de 1973 a 1990. Fica aberto de terça a domingo das 10h às 18h, com entrada livre.

Logo na entrada, todos os países que passaram e sobreviveram a períodos de violação de liberdades têm um quadro que resume esses anos. O Brasil está representado. Você sai do Museu rogando por um mundo melhor, de compreensão do outro e pelo outro, de convivência pacífica das diversidades e de que na democracia, com todos seus defeitos, o povo pode fazer escolhas a cada eleição, certas e erradas a cada turno, mas é ele que escolhe.

As vítimas da ditadura chilena.

Cartas de prisioneiros, vídeos do ataque ao Palácio La Moneda, a reprodução dos diálogos dos militares nesse dia, jornais da época, a tortura e a luta pela volta do poder civil fazem do Museu uma visita obrigatória.

Mais uma viagem de metrô para descer na estação Boquedano em a partir daí, são cerca de 15/20 minutos até a La Chascona, uma das 3 casas chilenas do poeta e Prémio Nobel da Literatura de 1971 Pablo Neruda. A casa é mantida pela Fundación Pablo Neruda e abre para visitantes de terça a domingo, das 10h às 18h, a CLP 8 mil/pessoa (R$ 55). Na entrada entregam fone de ouvido que relata em várias línguas, incluindo português, todos os espaços da estranha e curiosa construção. Não são permitidas fotos durante a visita. Detalhe: La Chascona começou a ser construída em 1953 para Matilde Urrutia, com quem foi casado de 1966 a 1973. Neruda teve 3 casamentos e, ao que consta, umas 6 amantes. Lá, você pode ver todos os títulos da vasta produção do escritor.

TURISMO: O que fazer no Chile

Saindo, se fizer a visita à tarde, passe no Patio Bellavista, no bairro Bellavista, uma caminhada de cerca de 400 metros. O Pátio é um complexo de um quarteirão, 2 andares que unem comércio (arte, moda, design e artesanato), atividades culturais e gastronomia. É ponto de referência para turistas brasileiros e onde se encontram muitas famílias. Paramos para aperitivar no Backstage Emotions que fica no pátio do complexo. 2 piscos sour, 2 chopps, 1 vinho Adobe Carménère e 1 quinteto de empanadas saiu por CLP 57.673 com propina, a gorjeta (R$ 400).

Fomos abordados, lógico que estávamos com cara de turistas, pelo mágico Saek, que nos iludiu com suas mágicas e nos divertiu bastante. Suas apresentações podem ser acessadas aqui.

Antes de voltar para o hotel, uma passada no supermercado Jumbo no Shopping Costanera. É gigante e passear por seus corredores é conhecer produtos do dia a dia dos chilenos e muitos não são encontrados no Brasil. Aproveitando que estávamos no Shopping, providenciamos 2 chips da Claro com internet ilimitada para 7 dias sendo que o WhatsApp continuaria com o número brasileiro. Custaram CLP 7 mil (R$ 50) para 2 celulares.

No jantar, restaurante próximo ao hotel. O Entreturno, um bistrô que une gastronomia e jogos de mesa. Ali, você pode escolher um jogo de tabuleiro e passar o tempo, aperitivar bebericar e, depois, comer. Os 4 jantamos por CLP 97.680 (R$ 670).

Jogos e comida no Entreturno.

Depois, na volta de Pucón, tivemos pouco mais de 40 horas novamente em Santiago, aonde chegamos no início da noite, tempo de fazer o check-in no hotel em Providencia, deixar as malas nos apartamentos e sair para jantar, em outro restaurante próximo ao hotel.

A poucos metros fomos ao Los Canallas, que já havíamos “namorado” na primeira estada. E o namoro deu certo. Restaurante de “cocina democrática francesa” nos conquistou. Do vinho da casa, o Los Canallas Cabernet Sauvignon, aos pratos que pedimos, tudo estava perfeito. Nele fizemos o que não havíamos feito em outros restaurantes, pedimos sobremesa, o postre no Chile, o Café Gourmand. É uma tábua que serve 1 mini crème brûllé à la vanille, 1 mini tintan, 2 minis brownies, e dois café à escolha entre te negro/verde ou expresso/americano. Como queríamos 1 crème brûllé para dividir e não tinha, a tábua trouxe 2. Ainda bem. Tudo delicioso. Tão perfeito que tentamos ir ao Los Canallas só para pedir o Gourmand, mas a fila de espera era de cerca de 1 hora. Por isso, é bom fazer reserva.

No dia seguinte, outra atração que todo brasileiro não pode deixar de fazer que é programa de turista, mas vale a pena comer centolla no Mercado Central de Santiago. Ali estão várias peixarias e você vai encontrar espécies desconhecidas para nós e com aparência estranha. E como é local de turistas, a abordagem para os restaurantes é quase corpo a corpo. É só saber que você é brasileiro que eles capricham no portunhol.

O Mercado é uma construção de 1872 e tem uma praça central que impressiona pelo seu telhado de ferro fundido.

Nossa escolha foi o Donde Augusto onde fizemos o que todos devem fazer: tirar fotos do caranguejo gigante só encontrado nas águas frias e profundas do Oceano Pacífico que, adulto, pode pesar até 2 kg.

A gigante centolla.

Não é barato. Uma centolla média para 4 pessoas sai por CLP 80 mil, ou seja, cerca de R$ 500. Para duas, CLP 69 mil (R$ 475). Felipe, o garçom que faz todo um ritual para destrinchar o bicho, já quase fala português fluentemente, e sacou essa: “Deus fez a Cordilheira para não achar os argentinos”, frase que mostra a rivalidade entre os dois países.

Deu tempo para fazer compras, sim. Mas é preciso pesquisar. Se você paga cerca de CLP 20 mil para uma refeição para 2 pessoas comendo no Dominó, aquela bolada de pesos chilenos na carteira não significa muito. Então, saque o cartão de crédito.

Um jeans básico na Falabella, loja de departamento espalhada pelo Chile que tem uma unidade no Shopping Costanera Center, na Providencia, sai por CLP 9.990 (R$ cerca de 70) e 1 suéter masculino está a CLP 16,9 mil (R$ 120). O shopping tem 5 andares e lojas de várias especialidades, destacando-se, além da Falabella, a H&M, Ripley, GAP, Longines, Guess, Zara (com roupas diferentes do Brasil), Nautica, Adidas, Victoria’s Secret e Columbia, entre várias, junto com restaurantes e cafés. O prédio onde está o mall tem 64 andares, 300 metros de altura e é considerado o maior da América do Sul.

Lá no topo está o Sky Costanera, outro passeio de turista, mas só para quem não tem medo de altura. Uma torre panorâmica mostra Santiago em 360 graus e o legal e ir à hora do pôr do sol. O ingresso de segunda a quinta custa CLP 12 mil (R$ 85) adulto e CLP 5 mil (R$ 35) crianças; sexta, domingos e feriados, CLP 16 mil (R$ 110) adultos e crianças sobem de graça. O elevador levou 50s94 para chegar ao topo e a visão de lá só pode descrever quem visitar. Incrível.

A vista de Santiago a 300 metros de altura.

Os pontos turísticos são apresentados em placas e há binóculos para os mais curiosos e um café também. Para descer, 47s90, mas a parada é no 5º andar do shopping. Das 10h às 22h. O último elevador para subir é às 21h; às 22h desce o último.

Nossa última refeição em Santiago, também próxima ao hotel, foi no El Wagon, restaurante que se autodefine como de “gastronomia de autor” que combina comida peruana e chilena. Pedimos uma Parrilla de mariscos (CLP 19,9 mil, ou R$ 140,00) que traz à mesa camarões, ostras, lulas, polvos e pedaços de peixe grelhado servidos com legumes da casa e batatas rústicas, e um Pescado a termidor (CLP 14,9 mil, R$ 100) de um peixe típico que nunca ouvíramos falar, Reineta, de sabor muito bom.

O site oficial de turismo no Chile dá dicas do que fazer em 3 dias em Santiago.

O Chile é um país onde acontecem terremotos. Sua posição geográfica é favorável a isso e em Santiago podem acontecer alguns tremores. Em 21 de março desse ano ocorreu um que teve magnitude de 5,5 graus na Escala Richter, que vai até 9, mas a cidade e suas construções são preparadas para esses impactos.

Para ir a Pucón, ao Sul de Santiago, são quase 800 km ou cerca de 9h de estrada. Fomos de avião até Temuco, onde alugamos na First um MG ZS, um SUV chinês, muito comportável, com um porta-malas onde cabia nossas malas, e percorremos 105 km. A estrada, para padrões brasileiros, é impecável. Passamos por 2 pedágios, CLP 3,2 mil (R$ 22) cada.

O MG ZS alugado.

Para você ter uma comparação sobre o valor do combustível: no Chile tem 3 tipos de gasolina: 93 octanas a CLP 1.291 o litro (R$ 8,91); 94, CLP 1.326 (R$ 9,15) e 97, CLP 1.363 (R$ 9,40). Na Argentina também são 3 tipos. Super ARS 178 (R$ 4,45), Infina ARS 225 (R$ 5,63) e Ultra ARS 214 (R$ 5,35)

No Brasil, gasolina comum tem 87 octanas; na Argentina começa com 85.

Pucón é destino de inverno com a neve que começa a se precipitar em meados de junho. Outra atração para nosotros é o vulcão Villarica, ainda ativo, aliás um dos mais ativos da América do Sul. Em nossa estadia, a cidade estava em alerta amarelo, um passo para o vermelho, quando ocorre evacuação da cidade de quase 25 mil habitantes. Há pontos de encontros sinalizados para isso.

Placa mostra os níveis de alerta e o que fazer em caso de erupção.

A luz estava no amarelo.

Levamos um pouco de azar em razão do tempo, praticamente sempre nublado, e estava frio. Mesmo assim nos arriscamos e fomos até o vulcão que fica a mais de 3 mil metros de altitude. Mas tem uma primeira parada: Cuevas Vulcánicas, em bom português cavernas vulcânicas. É um parque concessionado aberto todos os dias das 10h às 17h. Para visitar pagamos cada um CLP 18 mil (R$ 125). Mais abaixo que a cratera do vulcão, a 1,1 mil metros, o parque mostra num passeio de quase 1 hora uma caverna formada pelas lavas do Villarica. Há um passeio pelo bosque que não fizemos porque ventava e aumentava a sensação do frio e a neblina era intensa.

Entrando na caverna vulcânica.

O guia dá todas as explicações sobre a formação da caverna e sobre a ação das lavas do Villarica. Para descer, leva calçado que não escorregue porque das paredes da caverna, cai água. Você desce, desce e ao final, a uns 25/30 minutos de caminhada segue ao fim quando o guia pergunta se pode desligar a luz. Eu e Eros, que fomos até o final (Sonia e Viviane preferiram voltar do meio do caminho), lógico que respondemos que sim. E aí se faz uma escuridão e um silêncio ao mesmo tempo surpreendente e tranquilo. Dá para imaginar antes da criação do fogo, como nossos antepassados deveriam se sentir ao fugir ou se proteger dentro das cavernas.

Sempre descendo.

A bucólica Pucón recebe turistas de todo o mundo e se percebe, mesmo fora de temporada, que a turma do mochilão aproveita o Chile. É lugar para os esportes de inverno. No verão subir até o vulcão e fazer trilhas são as melhores atividades. Trilhas não estava no nosso cardápio.

A cidade tem lojas especializadas em roupas para o frio intenso, então é a oportunidade de renovar ou comprar roupas e calçados que aquecem. Se for esse seu caso, não abarrote a mala com roupas senão vai ter que comprar outra bagagem… Detalhe: lá, as roupas são mais caras que em Santiago.

Num dos dias, optamos por não tomar o café no hotel e no Café de La P, um dos poucos abertos antes das 9h, você tem um ambiente bonito, descontraído, com música e comida boa. Comemos mais do que muito bem. Eu pedi waffles com doce de leite. Os 4 pagamos CLP 33 mil (R$ 230). Eu queria comer os bolos ou tortas (de dar água na boca), mas não dava e planejamos voltar para saboreá-los. Não deu…

Na Pucon Xtremo existem diversos pacotes para passeios na região.

Onde comemos em Pucón: La Maga Uruguayan Steakhouse onde saboreia uma carne uruguaia no ponto com jantar para 4 com vinho a CLP 120.340 (R$ 830) e o Andiamo Cucina Italiana com massas muito saborosas e onde fizemos uma refeição, também com vinho, a CLP 59.731 (R$ 420).

Outro café da manhã foi a 25 km dali, em Villarica, cidade com quase 50 mil habitantes. No Café Bar 2001 fizemos um excelente desayuno acompanhado de um atendimento muito simpático. Para dois, foi CLP 11.282 (R$ 78). Depois fomos bater perna.

Para quem vai de carro a Villarica: o estacionamento nas ruas da cidade é pago. Um agente circula pela rua e coloca no para-brisa do carro um papel, que não é multa: é o registro da hora que ele passou ali. Ao sair, você tem que pegar o papel, ir ao agente e efetuar o pagamento. Quem nos atendeu foi um haitiano… Se não me engano, são CLP 20 pesos por minuto, o que dá R$ 0,13.

TURISMO: O que fazer na Argentina

A cidade fica às margens do Lago Villarica e um dos passeios é percorrer. As calçadas à beira do Lago, onde, em alguns pontos, se concentram restaurantes e vendedores de artesanato.

O Lago Villarica, em Villarica, com o vulcão ao fundo.

Um passeio que pode ser feito em qualquer época do ano e que não pudemos fazer (Eros e Viviane já fizeram e recomendam) é ir às Termas Geométricas, a 80 km do centro de Pucón.

O site oficial de turismo do Chile assim as descreve: “As Termas Geométricas têm mais de 60 piscinas de águas puras de nascente que brotam do solo a temperaturas que chegam aos 80°C e descem por entre as paredes de uma ravina, coberta de vegetação, no meio de florestas nativas em Parque Nacional Villarrica, no sul do Chile.

Entre Coñaripe e Pucón, no km 16 da estrada do parque, você chegará a este magnífico lugar chamado Geométrico porque é uma obra de arte estrutural projetada por Germán de Sol, que permite aos visitantes caminhar ao longo do desfiladeiro e mergulhar em suas muitas piscinas, de uma forma funcional e bonita. Essas fontes termais parecem saídas de um conto de fadas”.

Lógico que, se for visitar, tem que levar roupa de banho na mala. Toalhas tem lá. É passeio bate e volta. Abre das 10h às 19h e adulto paga CLP 42 mil (R$ 290). Há restaurante no local.

E por que não fomos às Termas? No hotel onde ficamos hospedados, encontramos um casal de Ribeirão Preto, Interior de São Paulo, André e Gisele, que estavam viajando de moto.

Nós 4 havíamos comprado vinho e queijo num supermercado local e numa cozinha e sala comunitária, eles chegaram com seu farnel. Conversa vai, conversa vem, nós que pensávamos em ir a San Martin de Los Andes, na Argentina, e a 185 km de Pucón, desistimos da ideia porque eles disseram que Villa la Angostura (295 km) era muito mais atraente. Mudamos de trajeto e resolvemos deixar o hotel um dia antes, mas avisando na recepção que, se não conseguíssemos passar a fronteira, voltaríamos.

E lá fomos no nosso MG na RN 40 para a Argentina.

No caminho, consulta à locadora para informar que iríamos à Argentina, o pedido de cerca de R$ 2 mil, nos fez optar por chegar à fronteira e passar à Argentina de ônibus. Mas, ao chegar ao Paso Fronterizo Internacional Cardenal Antonio Samore fomos informados que o último ônibus já havia cruzado a fronteira e que a imigração argentina ficava a 40 km do Paso. Mas em cerca de 1 hora a fronteira seria fechada, lembrando que no Chile era 1 hora a menos que a Argentina, que tinha o horário de Brasília.

Conversando aqui e ali, um carabineiro chileno gentilmente se dispôs a nos deixar em Villa la Angostura. Deixamos o carro alugado na garagem dele, pegamos nossas malas de mão com roupa para 2 dias e seguimos viagem cruzando a Cordilheira.

No meio do caminho, escolhemos um hotel e reservamos pelo Booking.

Villa la Angostura é uma graça de cidade e com quase 15 mil habitantes. Notamos vários turistas de diferentes nacionalidades, muitos viajando de bicicleta.

O início da Av. Arrayanes , em Villa la Angostura.

Como chegamos muito tarde, nos instalamos, descansamos um pouco e fomos jantar. Do hotel até o centro da Villa, uns 5 minutos a pé. Dá para fazer o caminho à noite sem problema, basta enfrentar o vento gelado. Só para ter uma ideia, o caminho de volta foi feito com sensação térmica de -2 graus.

Batemos perna um pouco e escolhemos o Al Alba Parrilla. A conta para todos ficou em ARS 72.596, ou seja, R$ 1.800.

Tem truta, aliás, que nos rios da região atrai pescadores. Um grupo que estava no nosso hotel, saía pela manhã e voltava no início da noite. Sem peixes porque eles pescavam e devolviam para a água.

No dia seguinte, nublado, fomos a pé até onde saem barcos para fazer um passeio pelo Lago Nahuel Huapi (ele tem mais de 500 km² e é o mesmo que banha Bariloche) e parar para trilha no Bosque de Arrayanes. É passeio de 3 horas, mas como o tempo não estava favorecendo, ele foi cancelado.

Do outro lado de onde partem os barcos está a Baía Mansa que tem uma praia bonita e em alguma época do ano deve ter água um pouco mais quente. Será?

Mas no Porto tem restaurantes e na temporada feirinha.

Procurando o que fazer, encontramos o MAC (Museo de Arte Contemporáneo Conrado Meier) e fomos visitá-lo. As instalações são simples, mas a exposição que estava à mostra nos surpreendeu. O argentino de Mendoza, Fernando Rosas, na exposição “Los Pájaros del Sueño” apresenta belíssimas esculturas em madeira que nos deixaram fascinados.

Obra Catre em fuga, de Fernando Rosas.

O MAC abre de terça a sábado, das 10h às 18h.

A vida da Villa é na Av. Arrayanes onde de ambos os lados estão restaurantes (uma placa do Malma informava: “Terrible cordero patagônico – más tierno que político em campaña!!!”), lojas e ao menos uma loja de câmbio e um supermercado.

Muitas lojas fecham para o almoço, e o funcionamento normal é das 10h às 12h30/13h; abrem após e seguem até às 21h.

Numa transversal, Cerro Inacayal 104, fica a Pampita Empanadas onde só serve… empanadas. São 17 tipos para comer no local em pé porque não há mesas ou levar. Custam de ARS 400 a 450 (R$ 10 a R$ 11,25). Entre as opções: jamon y queso, provolone, brie, carne picante e hongos y cebolla.

Podem fazer refeições no Finnegan, um Irish pub, onde jantamos com um cachorro circulando tranquilamente pelo salão e interagindo com os clientes. Aqui, um parêntesis: em todos os locais você encontra cachorros, de lojas a restaurantes. Eles entram e saem sem a menor cerimônia. Ao pedirmos explicação (aqui a Vigilância Sanitária teria chiliques) falaram que são perros comunitários, que circulam livremente durante o dia e voltam para a casa para dormir. Todos têm coleiras.

Vientos Vierdes é outra opção para um café da manhã. Se quiser um cafezinho, vá ao Mamba, uma cafeteria de especialidades.

Capítulo 2: Os hotéis

Nos hospedamos duas vezes em Santiago, em dois hotéis.

Ugo foi a primeira parada, mas se você for procurá-lo dias depois de sairmos mudou de nome: agora é Olá Hotel. Fica no bairro Providencia a poucas quadras do shopping Costanera e a poucos passos de diversos restaurantes.

É um hotel de design, simpático, com atendimento caloroso. A piscina fica no piso da recepção e no período em que estivemos ali não a vimos pegar sol, mas… No mesmo andar, o café, muito bem servido.

Aviso no elevador do Olá Hotel.

Os apartamentos são aconchegantes e as amenities são ótimas. Chuveiro com boa pressão e a cama maravilhosa. A diária no site do hotel está a R$ 589.

O Novotel Santiago Providencia foi o outro, na mesma quadra do Olá, só que do lado esquerdo. É padrão Novotel. A piscina fica no terceiro andar, é coberta, junto da academia.

Os quartos são espaçosos e aqui também as amenities também são o destaque. Quisemos comprar, mas no nosso check-out não havia disponível. O chuveiro é muito bom, como o café da manhã servido no restaurante La Murta. O quarto casal no site do Novotel sai a R$ 612.

Em Pucón procuramos uma marca que ficamos só uma vez e nos conquistou: Selina. Estávamos buscando acomodação na cidade e vimos Selina Pucón e nos recordamos da nossa hospedagem no Selina Porto, em Portugal, e não tivemos dúvida em reservá-lo.

Só que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Apesar de ter a mesma proposta o Selina Pucón é totalmente diferente do de Porto. Não que tenha sido uma decepção, mas entendemos ao entrar que a experiência seria diferente… Sem charme, mas acolhedor.

O Selina Pucón está numa construção em madeira, rústica e assim é a sua concepção. Os quartos são pequenos (não consigo imaginar onde o hóspede colocaria seus equipamentos de neve na temporada) mas a cama é muito confortável. O banheiro também é pequeno, mas a água é quente, apesar de você ter pouco espaço para “manobrar” durante o banho.

O hotel tem espaços para convivência: uma piscina, um grande jardim onde devem acontecer festas e uma cozinha comunitária com micro-ondas, fogão, pia e louças. Um hotel feito para jovens. Foi nesse espaço que conhecemos o casal de Ribeirão Preto que nos convenceu a ir a Villa la Angostura.

O Alma Andina Hosteria foi uma de nossas hospedagens em Angostura, muito confortável e com um café da manhã decente.

O quarto é grande, com cama impecável e calefação funcionando bem, o que é importante ali. Banheiro também é grande, mas teve um pecado: uma das toalhas de banho, tinha um furo. Mas esse detalhe não desmerece a hospedagem.

Fica 6 minutos a pé do centro e diária, pelo Booking, ficou a R$ 793,58 o casal para 2 noites.

Como tivemos que ficar uma noite não prevista a mais, no Booking a escolha foi pelo Hosteria Posta de los Colonos que fica quase na esquina da Av. Arrayanes, ou seja, praticamente no meio da muvuca. É de estilo rústico, todo em madeira (sem cheiro, para quem é alérgico) com apartamentos e banheiros confortáveis.

Se você precisar de tomadas, vai encontrar (e demoramos para achar) numa extensão com todas que fica ao lado da tv que está num suporte próximo ao teto. A diária pelo Booking sai a R$ 371.

Capítulo 3: Os voos

Ir para Santiago do Chile a partir de Curitiba é em voo direto da Latam. Você começa a entrar na viagem ao botar o pé no avião e ser recebido com saudação em espanhol pela equipe.

O voo é de 4 horas direto. No site da companhia aérea, a tarifa básica só de ida sai a partir de R$ 1.158,63 com direito a mochila e mala de mão (até 10 kg). Esta é a tarifa Light. A Plus (mochila, mala de mão, mala de até 23 kg despachada e marcação de assento) fica a R$ 1.903,58; a Top (mochila, mala de mão, mala de até 23 kg despachada e marcação de assento Latam), R$ 2.251,94 e a Plus/Premium Economy onde o assento do meio é bloqueado, custa R$ 2.242,00.

No trecho Santiago-Temuco-Santiago voamos com a Sky Airline, companhia aérea chilena de baixo custo. A ida foi num A321NX um avião bem confortável que lamentamos não pegar no trecho de volta, numa aeronave que não reclina a poltrona. O bilhete custa US$ 14 (R$ 70) para quase 1h30 de voo.

Mas um detalhe: todo o serviço de bordo é cobrado e não é barato. Um café Starbucks, US$ 5 (R$ 25) e o Combo Cheers com um snack doce ou salgado, 1 sanduíche e 1 cerveja ou espumante, US$ 16 (R$ 80).

A experiência da classe Premium

Decidimos, os quatro, para onde ir. Chile. Datas acertadas e decisão tomada, à mesa Jean e Vivi começaram a procurar nos seus pcs as passagens aéreas. Jean me pergunta: quer ir na classe Econômica ou Premium? Qual a diferença? Eu, que sempre viajo de Econômica, não fazia a menor ideia.

Claro que Primeira Classe sei que é muuuito diferente, mas Premium estava desconfiada. O argumento que me convenceu: espaço para as pernas. Reais a mais valeriam por este conforto. Um clique e eu estava lá na classe Premium.

Jean foi confirmar a passagem dele, na Premium também, e travou tudo. Teve que recomeçar o processo e não conseguiu. Comprou a passagem no Booking.com.

Nos 20 dias que antecederam a viagem, contatos e contatos com a Latam e nada de conseguir mudar de classe. Verdade que ele é persistente. Até a última hora ia ao balcão da companhia aérea, voltava, usava o aplicativo, o 0800. Nada. Sem acerto, o resultado: viajei de Premium e ele foi lá atrás com suas longas pernas quase espremidas.

Fazer o que? Aproveitei e relaxei de pernas esticadas. Olhando para os lados reparei que eu estava sozinha ali. Só eu naquela classe. Mas como? Na Latam, o Jean querendo pagar o upgrade e só informavam que a Premium estava lotada. Bem, se não querem vender, o problema é dos donos da companhia e não meu. Fui ler meu livro crente que as vantagens se resumiam a poder ficar de pernas esticadas e sem as malditas câimbras

Que nada! Lendo, fui surpreendida com a oferta de uma refeição. Com escolhas, frango ou carne, batatas ou… Vinho, senhora? Como não? Sobremesa: brownie e outras duas opções. Pensei nele lá atras, que sempre come a minha sobremesa e a dele. De pernas encolhidas. Tive pena. Até remorso. Mais vinho, senhora?  Não aguentei. Classe Premium sempre. Com meu marido.

Sonia Bittencourt Féder

O que diz a Latam

Procurada, a Latam assim se manifestou: “A Latam disponibiliza três formas para upgrade de cabine, dependendo da tarifa que o cliente adquire no momento da compra em latam.com: upgrade por leilão, upgrade por cupons ou upgrade instantâneo. Vale ressaltar que os passageiros devem ter o comprovante de pagamento emitido na categoria Economy para poder fazer a oferta ao leilão e ter acesso ao upgrade.

1.Upgrade por leilão: O passageiro oferece o valor que está disposto a pagar para ter a opção de viajar em uma cabine superior. O pagamento é feito somente se sua oferta for aceita. As ofertas serão recebidas a partir de 10 dias antes da viagem e até 12 horas antes da partida do voo. Esse tipo de upgrade é feito somente pelos canais digitais.

2.Upgrade por cupons: O passageiro utiliza cupons obtidos de acordo com sua categoria de cliente ou por convênios bancários para solicitar upgrades para ele e seus acompanhantes. As ofertas serão recebidas de 48 horas a 12 horas antes da viagem. É importante ressaltar que a tarifa adquirida pelo passageiro no momento da compra precisa ser Top ou Plus. Esse tipo de upgrade pode ser feito somente pelos canais digitais.

3.Upgrade instantâneo: O passageiro paga um preço fixo para garantir seu upgrade de cabine instantaneamente. As ofertas serão recebidas a partir de 14 dias corridos antes do voo e até 12 horas antes da viagem, desde que haja disponibilidade na cabine Premium Economy ou Premium Business.

Em nenhum caso as solicitações podem ser feitas diretamente no aeroporto”.

Capítulo 4: A volta dos que não conseguiram

Como disse, a estadia em Villa la Angostura teve um dia a mais. Deixamos o Alma Andina num táxi com o Nestor que nos levou até a Aduana Argentina. Entramos numa fila, o que nos pareceu normal. Só que passaram minutos e minutos e ela não andava. Eros e Viviane foram a pé até a Aduana e, quando estavam retornando, já sabíamos por um guarda que passou dando a notícia para todos os motoristas que a Aduana ficaria fechada até a manhã seguinte porque não tinha energia elétrica.

Ao saber, Nestor não teve dúvida. Olhou para nós e disse: “Essa é a Argentina”, expressando uma dor pela momento que vive o país. Argentina que ele nos disse ao nos pegar no hotel que deveria ter um dia de turbilhão porque se especulava que o ministro da Economia estava para renunciar – o que não se concretizou – e que os bancos não abririam, o que também não se confirmou.

É difícil imaginar que um serviço público tão importante quanto um posto de fronteira tenha que ficar fechado por falta de energia e que não tenha um gerador ou, um plano de contingência para casos como esses. Não dá mais para usar caneta e papel numa situação dessas?

A fila inteira teve que retornar: quem estava na Argentina não poderia ir para o Chile e quem estava no Chile não entraria na Argentina.

No dia seguinte, já prevendo, saímos 2 horas mais cedo e pegamos uma fila mais extensa que no dia anterior. O que tiveram que fazer: deixar os inúmeros caminhões esperando e fazer os automóveis “furarem a fila” para adiantar o serviço.

Neste retorno, o taxista foi outro, que também se queixava do seu país, das dificuldades que anda enfrentando e da falta de esperança nos políticos. É uma pena porque a Argentina, assim como o Brasil, é um país que tem potencial para ser uma nação que pode viver sem sobressaltos. E, assim, como o Brasil, é linda.

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