Um aviso: essa matéria além de informar sobre um restaurante e café de Curitiba também terá um relato afetivo. O local é o Casa Kurí (com acento no “i”) Restaurante e Café que está numa das ruas que foi uma das mais importantes da capital do Paraná, a Barão do Rio Branco.
Antes chamada de Rua da Liberdade – só em 1912 e que passou a ter a denominação atual – ela ligava a Estação Ferroviária ao centro da cidade, até a atual R. XV de Novembro. Nos tempos de glória abrigou casarões e prédios que representavam o poder na época. Passou por uma fase de declínio e, agora, aos poucos, quer retomar dias melhores. E a Casa Kurí é um passo importante nesse sentido.

Foto: Jean Luiz Féder
Bem, mas vamos ao que interessa.
É Kurí para fazer referência a Curitiba, segundo uma das sócias, a psicóloga Gabriela Inácio (as outras são Alone Leal e a chef de cozinha Edite Ribeiro).
E a casa onde está a Casa é uma construção de 1911 que pertenceu a Jordão Mader, do ramo da erva-mate. O prédio foi totalmente reformado pelo proprietário Arlei Esmanhotto. Parabéns ao Arlei por se interessar em preservar um patrimônio da história de Curitiba. Ele está revitalizando outras seis unidades, segundo soube.
E ao entrar na Casa, você entra num prédio onde viveu uma das referências da cidade quando se fala em Curitiba: o arquiteto, urbanista, prefeito e governador Jaime Lerner. Seu pai, Félix, e sua mãe, Elza, tiveram ali um comércio (a Casa Félix) e a família morava no mesmo prédio. Era alugado, mas anos mais tarde, foi comprado e era o lar dos filhos Júlio, Jaime, Clarita, Henrique e Lea.
O restaurante abre às 11h30 e serve buffet até às 14h30. Com quilo a R$ 89,90 (livre a R$ 59,90), opção de saladas, pratos quentes e, também, veganas. O cardápio não é fixo, mas na quarta tem galinha caipira e feijoada – que volta ao buffet no sábado – quinta, moqueca de peixe, e sexta, ossobuco. De quinze em quinze dias, na segunda, destaque para pratos árabes. Tem sobremesa mas, confesso, esqueci de anotar…

Buffet. Foto: Jean Luiz Féder
Circo
Fui numa terça e a comida estava saborosa. Os pratos quentes eram pollo a la brasa, paleta de porco, peixe empanada (os dois, uma delícia), escondidinho e macarrão primavera. O pé direito do restaurante, de 4 metros de altura, dá uma claridade ao salão que torna o ambiente agradável. Uma das paredes é decorada com quadros e livros e outra tem um painel de Fernando Canalli, doado pela família Lerner, que retrata momentos da infância do Jaime, com referências à loja do pai, de roupas, calçados e, importante à época, chapéus, e ao circo, dos Irmãos Queirolo, que tinha em frente.

Painel Fernando Canalli. Foto: Jean Luiz Féder
Entre 14h30 e 15h30, apesar de continuar aberta, a Casa Kurí dá uma parada para troca de turnos (mas serve cafés e bolos), e a partir das 15h30 entra com o cardápio do café da tarde que vai até às 19h30. À disposição, cafés especiais, chás gelados, sucos naturais, sanduíches, tostadas, bolos e tortas. Tem café coado.

Hélio Puglieli na escada que dá acesso sótão. Foto: Júlio Cézar Rodrigues
Chumbo
A R. Barão do Rio Branco foi, por anos, a rua do jornal “O Estado do Paraná”. Ali, meu pai, João Féder, foi diretor e a redação eu visitava volta e meia. Não só isso, quando no primário que fiz no Colégio Tiradentes, na Praça 19 de Dezembro, a turma fazia visita ao jornal e, ao final, na oficina, um linotipista escrevia, em chumbo, o nome de todos os alunos a gente esse usava chumbo como carimbo. Isso, só quem tem 60+ vai entender. Ainda tenho esse chumbo-carimbo. É legal revisitar lugares e ter lembranças que são boas.
E foi n’O Estado do Paraná, mas já na Cidade da Comunicação, nas Mercês, que comecei a trabalhar aos 15 anos o que fez aflorar minha paixão pelo jornalismo seguindo, modestamente, os passos do meu pai.
E lembranças, também, viveu meu professor e amigo Hélio Puglieli naquela mesma terça-feira. O prédio/residência onde está a Casa Kurí foi lar de seus avós maternos João Rodrigo de Freitas e Angelina Dall’Igna de Freitas e seus sete filhos. João era inquilino no imóvel e a família habitou o andar superior e o sótão. E, conta Hélio, sua mãe, Wilzia, carregou o piá Jaime no colo na Barão 593.
Jean Luiz Féder, jornalista associado à Abrajet-PR (Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo – Paraná)






