Estivemos no início de setembro de 2025 em Mendoza, em almoço harmonizado e degustação na Bodega Kaiken.

O Caiquén, ganso selvagem da Patagônia, simboliza a travessia que desafia fronteiras enquanto cruza a imponente Cordilheira dos Andes, entre Argentina e Chile. Nessa mesma trilha de exploração e superação, Aurelio Montes chegou às terras argentinas no ano 2000. A cada viagem, descobria a generosidade de seus vinhedos e a paixão ardente de seu povo. Em 2001, a certeza se consolidou: Mendoza era o cenário perfeito para dar vida à Kaiken.

A vinícola foi construída em 1920 por Italo Calise. Naqueles primeiros anos, além de vinho, também se produzia azeite de oliva, destilados e ácido tartárico.

Hoje, a Kaiken Wines atende aos mais altos padrões de qualidade exigidos pela enologia contemporânea e tem capacidade para produzir 7 milhões de litros, distribuídos em tanques de fermentação que variam entre 12 e 30 mil litros, ideais para pequenas produções de altíssima qualidade, tanques de 100 mil litros para guarda e tanques de concreto.

Ao longo dos anos, a Kaiken consolidou sua reputação como uma referência enológica, combinando tradição, inovação e paixão.

Sob a direção do renomado chef Francis Mallmann, almoçamos no restaurante Ramos Generales que oferece uma proposta diferente e distendida, onde se desfrutar da natureza e dos melhores vinhos da Kaiken. O restaurante é ao ar livre, tem destaque pela sua cozinha baseada em fogos, dando uma experiência gastronómica única e autêntica.

Com os assados maravilhosos degustamos o vinho Kaiken Ultra Cabernet Franc 2021 e depois fizemos degustação com outros ótimos vinhos que abaixo descreveremos.

Kaiken Ultra Cabernet Franc 2021

Kaiken Ultra Cabernet Franc 2021

Elaborado com uvas 100% Cabernet Franc que vêm da prestigiosa região de Los Chacayes, no Valle de Uco, a 1.250 metros acima do nível do mar, este vinho caracteriza-se pela sua tipicidade única.

O teor alcoólico é de 14,5%.

Apresenta cor vermelha rubi intensa e brilhante.

Os aromas são intensos de frutas vermelhas como cerejas e framboesas, com notas herbáceas e picantes como pimenta do reino e cravo.

No paladar tem uma entrada suave e aveludada, com taninos elegantes e bem integrados.

Destaca-se pelo equilíbrio e persistência, um vinho com um final longo que combina a fruta, a espécie nativa do local, com um tanino muito característico do local, o que o torna um vinho único.

Combina muito bem com carnes vermelhas grelhadas.

Bete Yang em homenagem as suas raízes gaúchas na Kaiken Wine

Bete Yang em homenagem as suas raízes gaúchas.

Kaiken Estate Malbec

Kaiken Estate Malbec

Este vinho é elaborado 100% com uvas Malbec, na região de Agrelo, Lujan de Cuyo, aos 950 metros acima do nível do mar.

O teor alcoólico é de 14%.

Apresenta cor vermelho violáceo. Os aromas são intensos de frutas como ameixas maduras, cerejas pretas e amoras, com toques de pimenta preta e cravo da Índia.

Na boca, é equilibrado com taninos macios e redondos. A fruta se mantém com boa persistência no paladar. Também apresenta notas sutis de toffee e baunilhas.

Harmoniza com carnes vermelhas e queijos maduros.

 

 

Bete Yang com uma garrafa Magnum de Mai, Kaiken Wines

Bete Yang com uma garrafa Magnum de Mai.

Kaiken Mai 2017

Kaiken Mai 2017

Um vinho extraordinário, cheio de complexidade, que é digno da poderosa assinatura da família Montes.

Aprecio este vinho também por um motivo especial porque “Mai” é o apelido do meu primogênito, meu filho Michael.

“Mai” é a perfeita expressão do Malbec do terroir de Vistalba em Mendoza onde as uvas são selecionadas uma a um dos vinhedos antigos plantados no ano de 1910 para elaborar um vinho único, elegante e com carácter.

O teor alcoólico é de 15%.

Apresenta uma cor vermelha granada viva com brilhos de rubí e grande caudal de lágrimas que descem devagar.

O nariz descobre o efeito dos anos na barrica e seu tempo na garrafa com uma elegante mistura de aromas de fruta amadurecida e frutos vermelhos e pretos, como os morangos, cerejas, ameixas e framboesas que estão ligadas com notas de tabaco, baunilha e frutos secos.

É um vinho intensamente aromático e muito complexo.

Na boca, é intenso, mas muito delicado, com uma acidez equilibrada que revela um final prolongado e elegante. Um vinho harmonioso, com um incrível equilíbrio e volume de boca onde os sabores realçam as sensações aromáticas e prolonga-as no tempo.

Harmoniza com churrasco, costelinha suína com molho barbecue, carré de cordeiro, maminha assada, chorizo, prime rib, peru assado e queijos duros.

Obteve 97 pontos James Suckling, safra 2017.

Bete Yang, é Engenheira Civil, formada em 1975 pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é enófila desde 1996 quando visitou região vinícola de Stellenbosch na África do Sul. Fez cursos de vinhos em Curitiba, no Vale dos Vinhedos (RS), na Associação Brasileira de Sommeliers/RJ, em Rioja (Espanha) e na Ecole du Vin de Saint-Émilion (França). Desde 2017 é membro do Viniep (Confraria de vinho do IEP- Instituto de Engenharia do Paraná). Visitou mais de 270 (duzentas e setenta) vinícolas na Europa, América do Norte e do Sul, África do Sul e Oceania.     

Fotos: Bete Yang e internet

Comentários

One Comment

  1. Helio 23 de fevereiro de 2026 at 10:40 - Reply

    Mais uma bela matéria!!
    Parabéns!

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