Diretora do Ente de Promoção Turística de Jujuy, Melina Ainstein veio à ABAV Expo representar a província argentina e aproximar do mercado brasileiro um território que busca ampliar sua presença entre os viajantes do país.

Eu já sabia que encontraria Melina Ainstein na ABAV Expo. A entrevista havia sido combinada previamente por intermédio da assessoria de imprensa e fui ao encontro dela no espaço da Argentina.

Neste ano, a participação argentina chegou à feira em um estande menor, muito mais enxuto do que em outras edições. Jujuy, porém, estava ali com sua identidade bem-marcada.

Foi nesse espaço que encontrei Melina.

Ela vestia preto. Brincos de argola, colares e pulseira completavam o visual. Preso à roupa, um pequeno adereço artesanal e colorido quebrava o preto. No cordão da credencial, lia-se Jujuy. Ao lado dela, uma placa repetia o nome da província e a expressão escolhida para apresentá-la: “Jujuy, energía viva”.

Atrás de nós, a ABAV seguia acontecendo. Gente circulando, reuniões, conversas e destinos tentando, em poucos dias, aproximar quilômetros de distância.

Melina estava ali justamente para fazer essa aproximação.

Diretora do Ente de Promoção Turística de Jujuy, órgão ligado ao Ministério da Cultura e Turismo da província argentina, ela tem diante de si uma tarefa que parece simples quando resumida em uma palavra – promoção – e se torna muito maior quando pensamos no que significa apresentar um lugar a outro país.

Porque promover um destino também é escolher o que contar sobre ele.

E Jujuy tem muitas histórias possíveis.

Uma província no Extremo Noroeste da Argentina, próxima às fronteiras com Chile e Bolívia, com paisagens andinas, cultura e uma identidade que nem sempre ocupam, para o viajante brasileiro, o mesmo espaço de destinos argentinos já bastante conhecidos.

Foi justamente isso que me interessou naquele encontro.

Enquanto Buenos Aires, Mendoza, Bariloche e outros lugares fazem parte há anos do imaginário turístico brasileiro, Jujuy ainda tem um território a conquistar por aqui. E a presença de Melina na ABAV ajuda a entender esse movimento: apresentar a província também a quem transforma destinos em viagens – agentes, operadores e profissionais do turismo.

O De Perto aconteceu durante a 53ª ABAV Expo, realizada de 30 de setembro a 2 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo, destino anfitrião da edição 2026.

Em uma feira desse tamanho, cada destino disputa algo precioso: atenção.

Talvez por isso eu tenha reparado tanto nos pequenos sinais que cercavam Melina.

Jujuy aparecia no cordão que ela carregava. Estava na placa ao seu lado. Estava no material disposto sobre o balcão. E estava, principalmente, no motivo que a trouxe a São Paulo.

Melina Ainstein, Jujuy, Abav Expo 2026

Melina Ainstein. Foto: Mary de Aquino

Existe algo muito particular em representar o lugar de onde se vem.

Quem ocupa uma função como a de Melina precisa falar de turismo, mercado e promoção, mas também carrega a responsabilidade de traduzir um território para pessoas que talvez nunca tenham pisado nele.

Durante nossa conversa, fiquei com a sensação de que era exatamente isso que acontecia naquele espaço da Argentina: de um lado, uma província tentando se apresentar; do outro, o enorme mercado brasileiro que ela quer alcançar.

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A dimensão mais enxuta do estande argentino nesta edição acabava tornando essa presença ainda mais concreta. Entre tantos países, estados, empresas e destinos reunidos no pavilhão, Jujuy tinha seu nome exposto e uma representante ali para contar sua história.

E Melina estava no centro dessa tarefa.

Há uma diferença entre conhecer o nome de um lugar e começar a imaginá-lo.

É nesse intervalo que trabalha quem promove um destino.

Primeiro vem o nome. Depois, uma paisagem, uma cultura, uma história. Em algum momento, se tudo isso despertar curiosidade suficiente, surge o desejo de ir.

Melina me contou que Jujuy reúne quatro regiões e destacou a Quebrada de Humahuaca, reconhecida como Patrimônio Mundial, como uma das primeiras experiências para quem chega à província. Falou das paisagens, da cultura e da gastronomia, mas também de uma Jujuy ligada ao vinho, com bodegas abertas à visitação, diferentes rótulos e experiências enogastronômicas em meio às montanhas. Entre os produtos que apresentou ao mercado brasileiro está o Trem Solar de la Quebrada, que percorre a região e atravessa algumas dessas paisagens. Para uma primeira viagem, ela considera quatro noites uma boa base para começar a conhecer a província. E deixou um convite aos brasileiros: descobrir as paisagens do Norte argentino.

Quando olhei novamente para a placa ao lado de Melina – “Jujuy, energía viva” – pensei que talvez aquele encontro na ABAV fosse exatamente sobre isso.

Jujuy estava a milhares de quilômetros dali. Mas Melina havia acabado de me falar da Quebrada de Humahuaca, das montanhas, dos vinhedos, das bodegas, da gastronomia e de um trem solar atravessando a paisagem do norte argentino.

Por alguns minutos, Melina trouxe Jujuy até São Paulo.

Mary de Aquino, jornalista

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