Primeira fotógrafa brasileira premiada no Underwater Photographer of the Year, o “Oscar” da fotografia subaquática, quando conquistou o 3º lugar na categoria “Wrecks” (Naufrágios), entre mais de 6,5 mil imagens inscritas, Fabi Fregonesi viaja pelo mundo para clicar a natureza. O turismo de mergulho é uma atividade que vem se expandido e, segundo a Grand View Research, esse segmento deve movimentar cerca US$ 8,8 bilhões até 2030.

Fabi Fregonesi indica cinco lugares que vão da costa brasileira até o outro lado do mundo, que são seus favoritos não só para fotografar, mas também para mergulhar.

Galápagos

O arquipélago de Galápagos, no Equador, é um “acontecimento na Terra”. O destaque vai para a biodiversidade, com várias espécies endêmicas – ou seja, que só existem por lá – e a ausência de medo dos animais em relação aos humanos, resultado de milhões de anos de isolamento sem predadores naturais. Assim, os encontros debaixo d’água podem ser mais intensos e próximos do que em qualquer outro lugar.

Mergulho em Galápagos, Fabi Fregonesi

Foto: Fabi Fregonesi

“Eu costumo falar que existe Galápagos e existe o resto do mundo, de tão único que esse lugar é. As condições para fotografia, particularmente, são desafiadoras, por conta das correntes fortes e imprevisíveis, mas isso não diminui a experiência. É realmente insubstituível”, diz a fotógrafa.

Estreito de Lembeh

No Norte da ilha de Sulawesi, na Indonésia, o Estreito de Lembeh é referência mundial para mergulhadores e fotógrafos que gostam de tirar fotos macro. Ele também é reconhecido pelo muck diving, um tipo de mergulho realizado na lama ou entre detritos como galhos e folhas. Ao invés de recifes de coral coloridos, a maioria dos locais de mergulho apresenta um fundo de areia vulcânica escura.

À primeira vista, pode não parecer atraente, mas é essa característica que permite a proliferação de uma vida marinha pequena, rara e muito diversificada.

Mergulho Lembeh, Indonésia, Fabi Fregonesi

Foto: Fabi Fregonesi

O Estreito de Lembeh também possibilita o blackwater diving, que consiste em fazer um mergulho noturno em oceano aberto. “A ideia principal é aproveitar a migração vertical diária, o maior movimento de biomassa do planeta. Todas as noites, bilhões de criaturas marinhas sobem das profundezas para se alimentar. É possível ver muitos animais em seus estágios larvais e juvenis, e eu já consegui fotografar algumas espécies dessa maneira”, explica Fabi.

Polinésia Francesa

“Desde que eu vi um documentário há alguns anos, sempre foi meu sonho mergulhar na Polinésia, principalmente em Fakarava, que foi considerada Reserva da Biosfera pela Unesco”, conta Fregonesi. Ao realizar o sonho, em 2022, ela se surpreendeu não apenas com Fakarava, mas também com outras localidades da região, como Rangiroa e Moorea.

Mergulho Polinésia Francesa, Fabi Fregonesi

Foto: Fabi Fregonesi

Cada destino é ideal para encontrar determinado tipo de animal: Fakarava para tubarões, Rangiroa para os golfinhos e Moorea para baleias jubarte. “É tudo tão especial que eu, literalmente, chorei debaixo d’água”, revela.

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África do Sul

A Corrida das Sardinhas, ou Sardine Run, é um fenômeno natural que ocorre anualmente na Costa Leste da África do Sul, geralmente entre os meses de maio e julho. É considerada a maior migração animal do planeta, superando até mesmo a migração anual de gnus no Serengeti. Assim, ela atrai uma grande concentração de predadores como tubarões, golfinhos, baleias e aves marinhas. É uma oportunidade de ver a natureza agindo em sua forma mais selvagem.

Mergulho África do Sul, Corrida das Sardinhas, Fabi Fregonesi

Corrida das Sardinhas,. Foto: Fabi Fregonesi

“É uma escolha desafiadora, já que é um mergulho em água fria, muitas vezes com pouca visibilidade, horas esperando em alto mar dentro de um bote inflável, e muitas vezes a ação é tão rápida que acaba antes de você conseguir pular na água. É um jogo de busca constante, esperando o que a natureza vai te oferecer. Mas, por isso mesmo, é absolutamente inesquecível”, comenta Fabi.

Recife

Para a fotógrafa, Recife (foto da capa) oferece o melhor do mergulho no Brasil. Embora Fernando de Noronha normalmente seja o destino mais lembrado, Recife carrega o título de Capital Brasileira dos Naufrágios, com mais de 30 pontos acessíveis, incluindo desde embarcações históricas até navios afundados propositalmente para formar recifes artificiais. Diferente de outros lugares onde naufrágios podem ser estruturas “estéreis”, no Recife eles fervilham de vida.

“É fascinante observar como a natureza tomou conta dessas estruturas, transformando-as em ecossistemas complexos onde encontramos grandes meros, cardumes imensos de enxadas, tubarões lixa e uma diversidade de corais e esponjas. A visibilidade costuma ser excelente, beneficiada por correntes que trazem águas claras e quentes. É o cenário perfeito para quem busca a experiência do mergulho em naufrágio combinada com a explosão de biodiversidade brasileira”, fala Fabi.

Com informações da EDB Comunicação

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