Nascido na capital da Lituânia, Vilnius, em 1889, Lasar Segall foi pintor, gravador escultor e cenógrafo. Formou-se nas academias de Berlim e Dresden e integrou a vanguarda expressionista sendo um dos fundadores da Dresdner Sezession Gruppe 1919. Imigrou para o Brasil com 34 anos, em 1923, e em São Paulo, participou do movimento modernista e contribuiu para a criação da Sociedade Pró-Arte Moderna.
O Museu Judaico de São Paulo (MUJ) está com a exposição Lasar Segall: sempre a mesma lua, realizada em parceria com o Museu Lasar Segall. Reunindo 60 obras entre pinturas, gravuras, desenhos, aquarelas e documentos inéditos, a mostra apresenta um panorama amplo da produção do artista. A curadoria de Patricia Wagner adota um olhar poético para explorar suas múltiplas linguagens e a construção de uma identidade que, embora enraizada na tradição judaica, dialoga com temas universais como deslocamento, espiritualidade e a condição humana.
O ponto de partida é a associação entre a imagem da lua e o profundo sentimento humano que Lasar Segall atribuía à própria identidade judaica. Entendida como presença constante e transformadora, a lua orienta o percurso expositivo e articula memória, espiritualidade e experiência coletiva. A partir desse símbolo, a mostra evidencia como, em cada fase, o artista equilibra tensões pessoais, heranças culturais e observações sobre o mundo.
Segall, que se naturalizou brasileiro, cresceu em um ambiente de ortodoxia religiosa e tradições seculares. Filho de um escriba da Torá, teve contato imediato com práticas artesanais, influências que moldaram sua visão artística. Em um contexto dominado pela representação figurativa, sua escolha pela carreira representou uma ruptura relevante para a época.
A mostra destaca também a maneira como Segall absorveu os reflexos de seu tempo. Nos anos 1930, com o avanço da Segunda Guerra, a dimensão trágica da condição humana retorna em obras marcadas por atmosferas opacas, tons terrosos e representações de deslocamentos, perseguições e perdas.
No Brasil, sua condição de imigrante também o expôs a preconceitos, tema que perpassa sua produção e sua recepção crítica. Durante uma grande retrospectiva no Museu Nacional de Belas Artes, Vinicius de Moraes publicou um artigo defendendo o artista dos ataques conservadores. No texto, o poeta recupera um episódio relatado por Rubem Braga: ao observar a lua, Segall comentou “Essa velha lua, amigo, sempre a mesma…”, frase que resume o símbolo que permeia toda a exposição.

Obras
Entre as obras presentes no conjunto está Eternos caminhantes (1919), confiscada pelo regime nazista em 1937 e exibida na mostra Arte Degenerada, parte da campanha contra o modernismo. A pintura também integrou o documentário Arquitetura da Destruição (1989), de Peter Cohen. São exibidas ainda obras emblemáticas como Morte (1919), do acervo da Pinacoteca de São Paulo; Morro vermelho (1926), de coleção particular; e Interior de pobres II (1921), peça restaurada especialmente para a mostra.
Com um recorte direto e acessível, a curadoria destaca como Segall utilizou diferentes linguagens para construir uma identidade artística própria — ancorada em uma tradição específica, mas capaz de alcançar questões universais.
“Incorporando os dramas e transformações de seu tempo, Segall faz de sua produção o equivalente visual de um movimento ético e estético. A mostra propõe, assim, um olhar renovado sobre sua obra, destacando sua potência em articular dilemas humanitários e sociais que transcendem fronteiras geográficas, culturais e religiosas”, afirma a curadora Patricia Wagner.
Lasar Segall: sempre a mesma lua reafirma a relevância do artista e sua capacidade de transformar vivências pessoais e coletivas em imagens que continuam a suscitar reflexões sobre arte, memória e humanidade.
Segall faleceu em São Paulo em 1957, tinha 68 anos.
Para os projetos de 2025, o MUJ conta com o patrocínio da B3, a bolsa do Brasil, do Banco Safra e com o apoio do Itaú Unibanco, Dexco, Porto, Ticket Edenred, Vicunha Holdings, Leo Madeiras, Klabin, Banco Daycoval, Grupo Comolatti, Cescon, Barrieu, Flesch & Barreto Advogados, BMA Advogados, Pinheiro Neto, Iochpe-Maxion, Leal Equipamentos de Proteção, CSN, Agro Química Maringá e Verde Asset Management.
Serviço:
Lasar Segall: sempre a mesma lua
Curadoria: Patrícia Wagner
Até 5 de abril de 2026
Local: Museu Judaico de São Paulo, R. Martinho Prado, 128
De terça a domingo, das 10h às 18h (última entrada às 17h30).
Ingresso disponível nesse link
Classificação indicativa: Livre
Acesso para pessoas com mobilidade reduzida
Com apoio Cor Comunicação






