No coração da Cidade Velha, bairro que carrega parte da memória dos 409 anos de Belém do Pará, nasceu o Puba. Assim como o nome, o bar surge em meio à conexão entre muitas raízes, íntimo no ambiente e na atmosfera, mas desprendido em essência, convidando o visitante a experimentar a versatilidade da mandioca com uma boa taça de vinho selecionado.

Na cozinha, os chefs Thiago Castanho e Gustavo Rodrigues transformam a mandioca em ponto de partida. Às vezes estrela principal, às vezes coadjuvante, a cozinha do Puba explora as possibilidades desse ingrediente ancestral em pratos que transitam entre o tradicional e o inesperado.

Gustavo revela que o Puba foi pensado para a Casa Loriga, mas cabe em qualquer lugar do mundo. “Aqui, a viagem não tem fronteiras: cada prato é um passaporte, cada garfada é um mergulho que conecta sabores, histórias e culturas pelo mundo. A atmosfera é de celebração entre amigos e família, a mesma que nos conectou e fez esse espaço ganhar vida”, diz o chef paulista, parceiro de Thiago Castanho no bar Sororoca, em funcionamento na cidade de São Paulo.

Com um olhar amazônico-brasileiro e aberto para o mundo, Castanho afirma que o Puba é como um triângulo de perspectivas: “Quando decidimos fazer o bar aqui, estávamos apaixonados pelos bairros da Campina e Cidade Velha. Começamos a gravar nossos conteúdos em outro estúdio e, quando falamos em ter o nosso estúdio para gravar, achamos a casa. Mas percebemos que ser só um pano de fundo para gravações era pouco para esse lugar construído em 1916. Daí falamos: bora fazer uma viagem nesse novo local? E passamos a desprender o ingrediente amazônico da amarra cultural e levar ele junto com a gente para um cenário inventivo”.

Puba Bar, Belém, Pará

Para compartilhar

Para o chef paraense, existe uma tendência do mercado da gastronomia que traz pessoas de outros universos profissionais para a concepção do negócio. “Faz muito sentido ter o fotógrafo Thiago Pelaes como sócio envolvido na criação da atmosfera desse lugar. Queremos mostrar aqui que a mandioca vai guiar a gente e que negócios especializados podem ser uma boa aposta. Belém, especialmente esse ano de COP30, está pronta para empreender, seja pelo potencial histórico, seja pelo potencial gastronômico e cultural que temos”, analisa Castanho.

Pelaes explica que os pratos foram pensados para serem compartilhados com quem está dividindo a mesa. O conceito de celebração vem desde a concepção do que seria o Puba para o trio. “A trajetória do Castanho inicia na cozinha, mas ele começa a desbravar o audiovisual celebrando a cultura amazônica e a gente se encontra lá em 2015 gravando o a série Sabores da Floresta. Conseguimos celebrar a Amazônia com o respeito que ela merece no audiovisual. Agora queremos celebrar juntos o universo da gastronomia”, conta.

Para o diretor de fotografia, eles encontraram no Puba um lugar com uma história para contar. “Pensamos que essa casa histórica merece um carinho, pela sua estética, pelo que a sua arquitetura remete. Vir aqui não é só sair para beber um vinho e jantar, é viver uma experiência. Como alguém do audiovisual, acho que minha contribuição é permitir uma vivência dentro e fora do Puba. A ideia é expandir esse conceito para além dos muros da casa, já que o nosso estúdio vai ser aqui e aqui vamos gravar vídeos de receitas para o canal e contar novas histórias da gastronomia”, pontuou.

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Vinhos

A carta de vinhos da casa é uma curadoria assinada pelas sommelières Daniela Bravin e Cássia Campos. Com trajetórias próprias, as paulistas trabalham juntas desde 2015. Hoje, as duas comandam a Sede261, bar de vinho em Pinheiros que oferece rótulos diferenciados e uma experiência fora do comum. Juntas, elas ainda comandam a taberna espanhola Huevos de Oro, também em Pinheiros, onde servem tapas, tortillas e sanduíches, bem como outras comidinhas – acompanhadas, claro, de uma boa carta de vinhos.

“Nossa intenção é oferecer uma experiência única com vinhos que não estão em outras cartas em Belém. O ponto de partida é: essa comida feita aqui vai bem com vinho? Vamos servir a comida que fazemos com vinhos como num encontro despretensioso. A ideia é levar a pessoa a sair da sua terra, mas sempre trazê-la para aterrar de volta, até porque a forma com que experimentamos alguns sabores está no nosso DNA”, finaliza Gustavo.

Serviço

R. Veiga Cabral, 649

Abre de terça a sábado, das 19h às 23h30.

Com apoio Grupo Farol

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