Ele é mais pesado que o ar e voa com segurança. Menos assim, 65% dos brasileiros numa pesquisa do Instituto Real Time Big Data dizem ter medo de viajar de avião. Mas se a viagem é com a família, 81% dos entrevistados afirmaram que superam o medo e entrar no avião.
Segundo a psiquiatra, pesquisadora e supervisora na residência de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM), e especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), Danielle Admoni, “na realidade, viajar de avião pode gerar uma excitação e um nervosismo que são comuns para muitas pessoas. O importante é saber distinguir a ansiedade normal do medo irracional, que é a fobia”.
Já a psicóloga Monica Machado, fundadora da Clínica Ame.C e pós-graduada em Psicanálise e Saúde Mental pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein, diz que as pessoas com aerofobia (ou aviofobia) costumam apresentar sudorese excessiva, náuseas, dificuldade para respirar, tremores, aumento do ritmo cardíaco, irritação, tontura, dentre outras manifestações físicas e emocionais. “O ideal é ter um acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico para tratar a fobia, pois é muito difícil se livrar dela sem ajuda profissional. Entretanto, se você está prestes a embarcar, há formas de minimizar estes sintomas”, diz Monica, que tem o podcast Ame.Cast que aborda temas de saúde mental.
Estratégias para viajar com mais tranquilidade
Planeje-se com antecedência: Opte pelo voo noturno, pois as chances de você dormir num horário que está acostumado são maiores. Três dias antes da viagem, separe passagens, documentos, passaporte (se for o caso), dinheiro, cartões, entre outros itens fundamentais. Guarde tudo junto em um lugar fácil de lembrar.
“Em relação às malas, o ideal é fazer no dia anterior à viagem, para ter certeza de colocar tudo o que precisa. Se você se antecipar demais e deixar as malas prontas uma semana antes, poderá ficar na angústia, pensando se esqueceu de alguma coisa”, afirma Monica Machado.
Antecipe-se no dia da viagem: Para voos nacionais, vá ao aeroporto com duas horas de antecedência. Em voos internacionais, saia três horas antes. Assim que chegar, já resolva todos os processos burocráticos e fique livre para se distrair no aeroporto. “Desta forma, seus níveis de adrenalina ficam mais baixos, o que significa menos ansiedade”, reforça Danielle Admoni.
Use roupas confortáveis: Esse é um momento para focar no seu conforto, não na vaidade. Aposte em peças que não te apertam ou pinicam. Nos pés, o ideal seria usar um tênis bem confortável. Lembre-se também de levar um agasalho, já que a temperatura interna do avião é sempre fria.
Trabalhe a respiração: Dependendo do nível de ansiedade, a respiração fica mais superficial, com aumento da frequência e diminuição da profundidade. Isso altera o tônus muscular da cadeia respiratória, responsável por várias reações do corpo ao estresse.
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Segundo Monica, ao praticar a respiração de forma correta, é possível regular o sistema nervoso e diminuir os sintomas físicos e emocionais. “Uma das técnicas é a chamada respiração quadrada que requer uma pausa de quatro segundos a cada respiração e inspiração. Inspire lentamente pelo nariz contando até quatro, pause por 4 segundos, expire pela boca contando até quatro e pause por mais 4 segundos”.
Evite se automedicar: Um dos maiores problemas em tomar ansiolítico ou medicamento para dormir por conta própria é o erro na dosagem. Além de poder causar intoxicação, doses muito altas podem gerar uma sonolência tão grande a ponto de você dormir a viagem toda (ou boa parte dela).
Em percursos mais longos, o sono contínuo impede que a pessoa se levante e mexa as pernas, aumentando o risco de trombose venosa profunda ou até de uma embolia pulmonar. “Portanto, se tiver intenção de tomar algum remédio, fale com seu médico antes. Cabe a ele prescrever a dose indicada para o seu quadro, de acordo com sua idade, peso, presença ou não de outras patologias”, frisa Danielle Admoni.
Evite bebidas alcóolicas: Segundo a psiquiatra, quando a pessoa bebe se sente relaxada, já que sua percepção diminui. “No entanto, por ser um depressor do sistema nervoso central, o álcool reduz os níveis de serotonina no cérebro, um dos neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer e bem-estar. Sendo assim, beber durante o voo pode agravar a ansiedade”.
Além disso, o efeito do álcool é potencializado devido à altitude do avião. Isso ocorre por conta da menor pressão atmosférica, resultando em menos oxigênio no ar. “Só pelo fato de haver menor oxigenação no ar, o consumo de álcool pode causar hipóxia, um conjunto de sintomas como mal-estar e tontura. Ou seja, mais uma razão para não beber no voo”.
Distraia-se e interaja: Ouça sua playlist favorita, leia um livro, assista a um filme ou uma série, jogue no celular. Qualquer atividade é válida para te distrair e fazer o tempo passar mais rápido.
“Uma dica importante é interagir com outras pessoas. Converse com seus companheiros de voo, caminhe pelo avião, puxe papo com os comissários de bordo, inclusive para contar sobre seu medo. Estes profissionais são preparados e logo vão dar um jeito de te entreter. O mais importante é perceber seu esforço para atenuar a ansiedade e notar o que está dando certo”, orienta a psicóloga Monica Machado.
Com apoio FGR Assessoria de Comunicação






