O mundo acompanhou por alguns dias o sofrimento de uma família brasileira com o acidente da Juliana Marins que caiu e faleceu ao fazer uma trilha na Indonésia. Assistiu, também, o acidente com um balão num passeio com turistas em Praia Grande, Santa Catarina, e, mais recente, sábado passado, 5 de julho, Daiane Marques, de 36 anos, morreu ao praticar rapel na Pedra do Elefante, em Andradas, Minas Gerais, caiu de uma altura de quase 100 metros. Com o avanço do turismo de aventura, quem pratica esportes radicais e na natureza precisa se cercar de cuidados. No caso das trilhas, Lucas Ribeiro, da plataforma de ecoturismo PlanetaEXO, diz que “é fundamental que as trilhas sejam classificadas corretamente quanto ao nível de dificuldade e que essa informação esteja clara no momento da reserva. Não se trata apenas de distância, mas também de desnível, tipo de terreno e tempo total de caminhada”. Veja seis dicas que se deve tomar para fazer uma trilha:

1.Classificação de dificuldade: informação clara antes da escolha

Escolher uma trilha sem conhecer o nível real de exigência é um dos erros mais comuns. “Empresas responsáveis devem fornecer informações detalhadas sobre a dificuldade de cada percurso, incluindo quilometragem, tempo estimado, ganho de altitude, inclinações, tipo de relevo e outras características do terreno. Assim, o viajante pode tomar uma decisão consciente e evitar surpresas desagradáveis ao longo do caminho”, reforça Lucas.

2.Guias preparados

A presença de um guia local experiente vai muito além do conforto, é uma questão de segurança. Optar por profissionais treinados faz toda a diferença na condução de grupos em áreas remotas e de difícil acesso. Além de conhecer o terreno, o clima e as particularidades da região, esses guias estão preparados para prestar o suporte necessário ao longo da trilha, acompanhar o ritmo dos participantes e tomar decisões rápidas em caso de cansaço, desistência ou mudanças inesperadas nas condições do percurso.

3.Equipamentos adequados: responsabilidade compartilhada

O equipamento adequado é essencial para garantir segurança e conforto durante a trilha. Mais do que seguir uma lista padrão, os guias devem validar com os participantes o que é necessário para cada percurso, considerando terreno, clima e esforço físico. Quando os itens fazem parte do pacote, a agência deve fornecê-los. Caso contrário, o guia orienta o viajante sobre o que levar, incluindo roupas confortáveis, blusas térmicas para o frio, tênis ou botas de trilha com boa aderência, bastões de apoio e alimentos leves como barrinhas energéticas. “Uma dica importante é checar com o guia se o equipamento que você pretende levar é adequado para as condições da trilha. A escolha certa faz diferença no desempenho e na segurança durante o trajeto”, reforça Lucas.

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4.Planos de saída para casos de cansaço ou desistência

Nem todo viajante consegue completar o percurso inicialmente previsto, seja por cansaço, questões de saúde ou mudanças climáticas. Em trilhas com rotas alternativas, é fundamental que haja um plano claro de saída. Quando isso não é possível, cabe à equipe de guias oferecer todo o suporte necessário para garantir que o participante consiga retornar ou aguardar em segurança até que uma solução viável seja encontrada. O objetivo é minimizar riscos e evitar que a situação afete a segurança do restante do grupo ou da equipe de apoio.

5.Comunicação e sinalização: sempre deixe alguém informado

Em trilhas localizadas em áreas remotas, onde o sinal de celular pode ser inexistente, uma medida simples, mas muitas vezes negligenciada, é informar previamente amigos, familiares ou a própria agência de turismo sobre a rota planejada, horários estimados e possíveis pontos de contato ao longo do trajeto. Além disso, os guias devem trabalhar com estratégias de comunicação interna no grupo, como estabelecer pontos de parada e intervalos para checagem geral.

6.Aventura, mas com responsabilidade

“Trilhas e expedições em ambientes naturais oferecem experiências transformadoras, mas precisam ser encaradas com a seriedade que a atividade exige”, destaca o fundador do PlanetaEXO, completando que “informação transparente, acompanhamento de guias locais experientes, equipamentos adequados e um plano de segurança bem definido são cuidados que fazem toda a diferença para garantir que a aventura seja a melhor e mais segura possível para todos”.

Com apoio Mention

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