O Paraná está vivendo um boom no turismo. Desde o início da pandemia da Covid-19 governos, estadual e municipais, perceberam que deveriam atuar fortemente para reverter os números de queda que eram registrados no turismo mundial. O trade também se mobilizou com as entidades buscando soluções, alternativas e propostas para o turismo no Paraná.

Eleito no primeiro turno em 2018, Ratinho Júnior já no período de transição informou que o turismo seria uma de suas prioridades. Seu vice, Darci Piana, veio da Fecomércio onde sua gestão dedicava boa parte do seu tempo para o desenvolvimento do turismo estadual. Esses fatores, mais pela primeira vez após vários anos um orçamento específico para o setor e a forte retomada que o turismo teve a partir do momento em que viagens e fronteiras foram abertas, favorecem as estatísticas no Paraná.

Dados de janeiro a setembro apontam que 888 mil turistas vieram conhecer o Paraná, um acréscimo de 20% sobre 2024. Esses visitantes deixaram, segundo dados do Banco Central, R$ 5,8 bilhões no Estado. O Paraná é o quarto portão de entrada de turistas estrangeiros no Brasil.

Parque Vila Velha

Parque Vila Velha.

Com verba e a integração entre os setores interessados, o Paraná participou de 94 eventos no Exterior para mostrar suas atrações.

Outro elemento que favorece a robustez desses números – ainda não há estatística sobre o turismo interno – foi a criação, como um serviço social autônomo, no início de 2023 do Viaje Paraná. Da forma como foi criada, o Viaje Paraná tem mais facilidade e agilidade em gerir a verba destinada pelo governo com o setor sendo favorecido. No mesmo dia foi criada a Secretaria de Estado do Turismo.

Irapuan Cortes Santos assumiu o Viaje Paraná em outubro de 2023. Tinha como experiência ter trabalhado no segmento na iniciativa privada, ter sido diretor de Turismo de São José dos Pinhais e, na Paraná Turismo, antecessora do Viaje, responder pela área de Marketing e, também, como diretor-presidente.

A Now Boarding entrevistou o diretor Presidente do Viaje Paraná:

Irapuan, você participou da transformação do turismo no Paraná. Foi diretor da Paraná Turismo e, hoje, é diretor presidente do Viaje Paraná. Foi uma mudança radical na estrutura de governo do Estado. Pode explicar essa transformação.

Irapuan Cortes Santos – Com certeza isso se deve ao fato de o governador Ratinho Junior ter enxergado o turismo como uma matriz econômica importante em outros países e decidiu aplicar esta estratégia ao Paraná.

Ao criar a Secretaria de Estado do Turismo (Setu) para criar e gerir políticas públicas e o Viaje Paraná, como órgão de promoção do turismo do Estado, o governador mostra uma visão futurista investindo em uma indústria limpa que pode transformar o futuro do mundo.

A maior transformação é que, agora, é possível atuar com políticas públicas adequadas (através da Setu) e, também, diretamente com a iniciativa privada através do Viaje Paraná.

Com o Viaje Paraná, por exemplo, nós demos voz aos empresários com a participação deles em feiras e eventos nacionais e internacionais. Também atuamos diretamente com os profissionais da ponta, os agentes de viagens, que são formadores de opinião fazem o turismo do mundo girar, conseguimos fazer ações de promoção dos atrativos e destinos dentro e fora do país. São locais prontos que o Paraná já possui para recepcionar turistas do mundo todo.

Irapuan Cortes Santos

Irapuan com Kapi, um dos símbolos da promoção do Viaje Paraná.

Por que a opção de criar /o Viaje Paraná como um Serviço Social Autônomo?

Irapuan – A decisão do governador foi de trabalhar mais diretamente na promoção do turismo. Assim, o Viaje Paraná é um Serviço Social Autônomo com ações inspiradas e baseada no estatuto da Embratur. Enquanto a Secretaria do Turismo atua na importante missão de elaborar políticas públicas e cuidar de diversas ações com programas e projetos, o Viaje Paraná, foca na promoção dos destinos, produtos e serviços. É uma ligação muito direta com o setor privado, para que o Estado e o privado caminhem juntos, unidos.

Prainha do Meião, Paraná

Praia do Meião. Foto: Lucio Freire dos Santos

Como se dá a integração do Viaje Paraná com a Secretaria de Turismo?

Irapuan – Nós somos um Serviço Social Autônomo que atua em consonância com a Secretaria do Turismo, somos vinculados à pasta. Possuímos um contrato de gestão com a Secretaria, que nos demanda atividades. Não poderia ser diferente, pois tanto o Viaje Paraná quanto a Secretaria atuam em prol do turismo. Uma complementa a outra.

Nesses dois anos de atuação como diretor presidente do Viaje Paraná que ações destaca como as mais relevantes da sua gestão?

Irapuan – Trouxemos mais de dez convenções das maiores empresas de turismo do Brasil e do mundo, atuando de forma direta no mercado do turismo e principalmente colocando o Estado em reconhecimento perante o trade turístico. Além das convenções de imersão capacitamos pelo Brasil, América do Sul, Europa e América Central e do Norte mais de 20 mil agentes de viagens mostrando o quanto o Paraná está preparado para receber turistas do Brasil e do mundo inteiro. De forma inédita participamos das maiores feiras de mercado de vários países como, Espanha, Estados Unidos, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Alemanha, Portugal, Argentina, Peru, México, Chile, Uruguai e Paraguai. Dado a grande importância, os agentes de viagens são fundamentais no reconhecimento do destino e na cadeia turística são aqueles que, na maioria das vezes, indicam passeios, roteiros.

Acredito que como diretor presidente do Viaje Paraná você tenha se surpreendido com o potencial do Estado como destino turístico. Tirando Curitiba e Foz do Iguaçu, pode citar três destinos que vão encantar os turistas no Paraná?

Irapuan – Bom, como profissional do turismo o Paraná, para mim, já era bastante conhecido e já atuo no ramo do turismo há mais de 30 anos, mas mesmo com todo este tempo atuando no turismo, o Paraná não deixa de me surpreender e orgulhar. Em cada viagem de negócios dentro do Viaje Paraná, acabo ainda descobrindo um pedacinho apaixonante deste Estado que amo e isso é o que me deixa ainda mais encantado. Respondendo à pergunta, além de Curitiba e Foz do Iguaçu, e suas regiões metropolitanas que já são potências enormes para o turismo, com toda certeza, temos apresentado ao mundo destinos e produtos dentro dos 18 territórios turísticos existentes no Estado, mas podemos destacar alguns que já estão preparados para receber os turistas com bons produtos e um ótimo destino: os Campos Gerais, Litoral, Norte Pioneiro, Noroeste com suas águas doces. Então, para deixar todos esses roteiros mais organizados, criamos no Viaje Paraná o Portfólio de Destinos e Produtos Turísticos. São 249 produtos distribuídos em 18 regiões turísticas do Paraná em 58 destinos. No portfólio, estão atrativos e destinos dos segmentos de Turismo Rural; Náutico & Pesca; Saúde & Bem-Estar; Gastronômico; Sol & Praia; Cultural; Ecoturismo & Aventura; Sobre Rodas; Negócios & Eventos e Turismo Religioso. São atrativos, destinos e produtos para todos os gostos, separados também por regiões do Estado, o que ajuda na escolha do que conhecer no Paraná de acordo com o interesse do viajante.

Represa Chavantes vista do Morro do Gavião, Ribeirão Claro, Paraná

Represa Chavantes vista do Morro do Gavião, Ribeirão Claro, Paraná. Foto: Jean Luiz Féder

Ano que vem é o último ano da atual gestão. Independentemente do que acontecer na eleição por que o novo governador deve manter na estrutura de governo o Viaje Paraná?

Irapuan – Porque os números apresentam que tivemos resultados com a promoção do turismo. Os números de turistas internacionais, por exemplo, mostram crescimentos mensais em 2025, em comparação com os anos de 2023 e 2024 e ainda anos anteriores. Isso se deve às ações que fizemos fortalecendo o estreitamento de relações com o mercado externo, em feiras e eventos do setor. Outro motivo, até mais importante, é que o turismo fomenta a economia do Estado e gera emprego e renda aos paranaenses. Conseguimos mostrar ao empresariado do setor a importância de estar ao nosso lado em feiras e eventos por todo o Brasil e, também, no Exterior. Isso reflete na melhoria dos serviços prestados pelos empresários e, consequentemente, no seu fortalecimento, no aumento da sua renda e no maior número de contratações de profissionais.

Que legado você acha que vai deixar para o turismo do Paraná com sua administração?

Irapuan – Acredito que o legado da nossa gestão para o turismo do Paraná será a consolidação de um modelo moderno, integrado e sustentável de desenvolvimento turístico. Trabalhamos para fortalecer cada região, dar visibilidade aos nossos destinos, valorizar nossa cultura e ampliar as oportunidades para quem vive do turismo. Deixaremos um Estado mais preparado para receber o turista com uma infraestrutura melhor, profissionalização, inovação e uma visão clara de futuro. Nosso foco sempre foi transformar o turismo em um dos grandes motores econômicos do Paraná, gerando emprego, renda e orgulho para a população. Se existir um legado, ele está na construção de políticas duradouras, na promoção inteligente dos nossos atrativos e, principalmente, na certeza de que o Paraná se consolidou como um destino de referência nacional e internacional.

Jean Luiz Féder, jornalista associado à Abrajet-PR (Associação Brasileira de Jornalists de Turismo – Paraná)

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