No último sábado (29), fui conhecer a nova casa da Galeria Ybakatu, uma das referências em arte contemporânea em Curitiba. A ocasião não era simples mudança de endereço: a galeria celebra 30 anos de trajetória e marcou a data com reinauguração na Avenida Vicente Machado, 1056, no Batel, e com a abertura da exposição coletiva { [ ( Entre ) ] }, com curadoria de Jhon Voese.
Logo na entrada, o que chama atenção é o espaço em si. A nova Ybakatu ocupa um ambiente amplo, de linha bem contemporânea, com estrutura brutalista e pé-direito duplo. Dá aquela sensação de respiro e amplitude, sabe?
Fundada em 1995 pela galerista Tuca Nissel, a Ybakatu nasceu de um trabalho de conclusão de curso de Escultura na Embap, apresentado inicialmente na casa da própria Tuca. Trinta anos depois, a mesma inquietação segue presente. Em conversa no espaço, ela resumiu assim esse percurso: o compromisso da galeria continua sendo sustentar uma pesquisa artística vigorosa e plural, respeitando a poética de cada artista. O nome Ybakatu, que significa “árvore que dá bons frutos”, parece fazer ainda mais sentido nessa nova fase.
O projeto arquitetônico da nova sede é assinado pelo escritório Pinheiro Lima & Mattioli, dos arquitetos Maurício Pinheiro Lima e Carla Mattioli, com iluminação desenvolvida pela E Iluminação e comunicação visual da Lumen Design. O prédio Vaz Batel, que abriga a galeria, tem assinatura da Triptyque Architecture, em parceria com a construtora Laguna.
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Alex Flemming
A exposição { [ ( Entre ) ] } inaugura o novo endereço em Curitiba com um recorte amplo da produção contemporânea. A mostra reúne obras de 22 artistas em diferentes técnicas: pintura, escultura, videoarte, fotografia, arte digital e linguagens híbridas. Participam Alex Flemming, André Rigatti, C.L. Salvaro, Claudio Alvarez, Cristina Ataíde, Débora Santiago, Fernando Augusto, Fernando Cardoso, FOD, Gilson Camargo, Glauco Menta, Hugo Mendes, Isaque Pinheiro, João Loureiro, Lígia Borba, Marta Neves, Ricardo E. Machado, Sonia Navarro, Tatiana Stropp, Washington Silvera, Willian Santos e Yiftah Peled.
Sob a curadoria de Jhon Voese, pesquisador e curador atuante no cenário paranaense, a coletiva aproxima artistas de gerações e trajetórias distintas, algo que já se tornou marca da Ybakatu.
A vernissage foi bem em clima de observação. Entre um olhar e outro, circulavam artistas, colecionadores, jornalistas, estudantes e grupos de amigos. E isso me ajudou a reforçar a ideia da galeria como um lugar de encontro.
Ao longo de três décadas, a Ybakatu já realizou mais de 110 exposições, entre individuais e coletivas, e levou artistas a importantes feiras no Brasil e no exterior, como ARCO Madrid, SP-Arte e eventos em cidades como Nova York, Lausanne, Lima e Londres. Nesse percurso, promoveu momentos marcantes com nomes consagrados, como a exposição de Amilcar de Castro em 1997, com bate-papo com artistas e estudantes, e a mostra conjunta de Arnaldo Antunes e Walter Silveira em 1998. A galeria também teve papel importante na representação e difusão de artistas cujas obras hoje circulam em acervos públicos e coleções privadas.
Saí da reinauguração com a sensação de que a Ybakatu conseguiu equilibrar celebração e continuidade. A nova sede no Batel reforça a galeria como ponte entre a cena curitibana e os circuitos nacional e internacional. Para quem acompanha arte em Curitiba, é um endereço que vale ser visitado e revisitado.






