Curitiba oferece um novo passeio com muita história: a Rota Afro Curitibana. Esse é um projeto que convida moradores da capital e visitantes a redescobrir e conhecer Curitiba pelos olhos e história da população negra.
A Rota é uma visita guiada por pontos emblemáticos da presença negra em Curitiba e tem como missão dar visibilidade às contribuições históricas, sociais e culturais dos negros e negras na formação da cidade, além de promover o letramento racial. A iniciativa é gratuita e apresenta a quem faz a Rota uma experiência rica em conhecimento, memória e pertencimento.
Roberta França Silva, tem 19 anos e é jovem aprendiz e afirma que fazer a Rota foi uma transformação: “A gente aprende na escola sobre a escravidão, mas não aprende sobre a força, as conquistas e a cultura que vieram junto. Caminhar por esses lugares me fez entender que essa história também é minha”.
Segundo Maria Tereza Rosa, diretora de Promoção à Igualdade Étnico-Racial da Secretaria da Mulher e Igualdade Étnico-Racial (SMIR), o objetivo é tornar o conhecimento acessível e contínuo. Ela diz: “A história negra está nas ruas, nas construções, nos nomes, mas foi invisibilizada por muito tempo. Com a Rota Afro Curitibana, estamos recontando essa história com orgulho e respeito”.
Passeio reconecta passado e presente
O percurso, com cerca de duas horas de duração, leva os participantes por marcos do centro de Curitiba que muitas vezes passam despercebidos, mas guardam histórias profundas:
- Paço da Liberdade: Antiga sede da Prefeitura e símbolo da elite curitibana no início do século XX, o local é o ponto de partida para discutir quem foi invisibilizado na construção da cidade.
- Estátua de Emerenciana Cardoso Neves, na Praça José Borges de Macedo: Emerenciana foi a primeira mulher negra homenageada com uma estátua em Curitiba. Escritora, foi autora de diversos sambas de enredo no Rio de Janeiro. Se formou na Escola de Belas Artes no Rio de Janeiro.
- Pelourinho (foto da capa), em frente ao Mercado das Flores: Local onde pessoas negras escravizadas eram castigadas em praça pública. A parada convida à reflexão sobre as marcas da violência colonial ainda presentes na paisagem urbana.

Iroko, Praça Tiradentes, Curitiba, Paraná. Foto: Hully Paiva/Secom
- Iroko, as árvores sagradas da Praça Tiradentes: Referência às religiões de matriz africana, o iroko é considerado um orixá e representa a ligação entre o céu e a terra. A parada ressalta a importância da espiritualidade afro-brasileira como forma de resistência cultural.
- Igreja do Rosário: A original, construída por mãos negras, foi demolida no século XX. A Igreja atual mantém o nome e carrega a memória da Irmandade do Rosário dos Homens Pretos, importante referência de organização e fé da população negra escravizada e liberta.

Igreja do Rosário, Curitiba, Paraná. Foto: Hully Paiva/Secom
- Sociedade 13 de Maio: Está apresentando a mostra Memórias Curitibanas que traz os Moreira de Freitas e os fundadores da Sociedade 13 de maio. Projeto dedicado a valorização da história negra em Curitiba.
A Rota Afro Curitibana é uma iniciativa da Secretaria da Mulher e Igualdade Étnico-Racial, realizada por meio do Centro de Referência Afro Enedina Alves Marques e toda última sexta-feira de cada mês a Rota pode ser feita mediante agendamento em dois telefones (41-3221-2714 e 41-3321-2748) e ela é feita
períodos da manhã (9h30 às 11h30) e tarde (14h30 às 16h30). O ponto de encontro é em frente à sede da SMIR, na R. Barão do Rio Branco, 45, no Centro.
Com apoio Agência Notícias Curitiba






