Fernand Léger (1881–1955) é importante nome do modernismo francês que foi professor de Tarsila do Amaral e influenciou toda a geração de 1920 no Brasil. E a Pinacoteca de São Paulo está expondo como mostra de longa duração a obra O Disco (Le Disque), de 1918.
A tela está no Brasil por empréstimo Museu Nacional Thyssen-Bornemisza, de Madri, dentro do projeto “O Thyssen Está de Visita” que aproxima a arte do cotidiano das pessoas e reafirma o valor da cultura como instrumento de cidadania, educação e participação.
A proposta destaca a capacidade da cultura de construir pontes entre sociedades diversas, unidas por profundos laços históricos, linguísticos e humanos, construindo nossa comunidade como somente a cultura pode fazer e projetando-a para outras partes do mundo e para o futuro.
A obra estará instalada dentro da exposição do acervo da Pinacoteca, no segundo andar, em diálogo direto com trabalhos de artistas como Tarsila do Amaral, Flávio de Carvalho, Vicente do Rego Monteiro e Emiliano Di Cavalcanti. Para o curador do acervo da Pinacoteca, Yuri Quevedo, essa é uma oportunidade de pensar as relações entre o modernismo europeu e o brasileiro.
“O embate entre a pintura de Léger e obras como São Paulo (1924) de Tarsila do Amaral nos permite avaliar como as vanguardas europeias, por exemplo o cubismo, se transformaram na experiência brasileira, fazendo-nos perceber como cada artista, e cada contexto, elabora a experiência moderna ao seu modo”, explica Yuri Quevedo, curador do acervo da Pinacoteca de São Paulo.
Além do empréstimo da obra de Léger à Pinacoteca, o projeto “O Thyssen Está de Visita” contará, em parceria com a Prefeitura de São Paulo, com a exibição no Parque da Luz de 50 reproduções de obras do museu espanhol que apresentam ao público um percurso cronológico da pintura ocidental a partir de obras de seu acervo.
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![Fernand Léger. Le Disque [O Disco], 1918. Óleo sobre tela, 65 x 54 cm. Museo Nacional Thyssen-Bornemisza, Madri](https://nowboarding.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Fernand-Leger.-Le-Disque-O-Disco-1918.-Oleo-sobre-tela-65-x-54-cm.-Museo-Nacional-Thyssen-Bornemisza-Madri-400x484.jpg)
Fernand Léger. Le Disque [O Disco], 1918. Óleo sobre tela, 65 x 54 cm. Museo Nacional Thyssen-Bornemisza, Madri
Produzida em 1918, logo após o término do serviço de Léger como combatente no corpo de Engenharia do exército francês durante a Primeira Guerra Mundial, O Disco marca a transição do artista para a sua emblemática “fase mecânica”. Impressionado pela força das máquinas, trens e armamentos pesados com os quais conviveu no front, o pintor converteu o fascínio pela tecnologia em uma pesquisa sobre a velocidade e os ritmos da metrópole moderna.
Considerada um dos marcos do Cubismo e um exemplo radical de quase abstração em sua trajetória, a tela articula círculos concêntricos, linhas geométricas e planos cortantes. O contraste entre as cores como vermelho, amarelo, azul e verde, cria uma espécie de engrenagem. Em vez de descrever um objeto fixo, Léger sintetiza o movimento em uma mesma imagem.
A presença de O Disco na Pinacoteca ilumina um dos diálogos mais férteis da história da arte no Brasil.
A partir dos anos 1920, o ateliê de Léger em Paris tornou-se ponto de convergência para sucessivas gerações de artistas brasileiros. Tarsila do Amaral (1886–1973), que estudou com o francês na Académie de la Grande Chaumière a partir de 1923, absorveu seu conceito de “contrastes plásticos” e a geometrização dos volumes, aprendizado que transparece na estrutura de A Negra (1923) e nas paisagens da fase Pau-Brasil.
O método pedagógico de Léger não impunha uma estética estritamente europeia, mas fornecia um instrumental plástico para que seus alunos observassem suas próprias realidades. Enquanto o francês aplicava tubos e cilindros para traduzir a industrialização parisiense, artistas como Flávio de Carvalho, Tarsila do Amaral, Vicente do Rego Monteiro e Di Cavalcanti utilizaram esses mesmos princípios de rigor e síntese para estruturar a luz, as formas e o imaginário urbano e rural brasileiro. Décadas mais tarde, na virada dos anos 1940 para os 1950, a lição de espaço e tridimensionalidade do ateliê de Léger serviu também como base para a formação de nomes fundamentais do abstracionismo e do geometrismo, como Lygia Clark e Milton Dacosta.
A exibição de O Disco reforça o papel da Pinacoteca de São Paulo como principal acervo de arte brasileira, permitindo ao público do museu confrontar uma obra histórica global com os desdobramentos de sua própria produção artística. Essa é a tônica da exposição do acervo da instituição desde a sua inauguração em 2020.
Serviço
Edifício Pina Luz | 2º andar
De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)
R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso
Gratuito aos sábados
2º Domingo do mês – entrada gratuita – Gratuidade Mantenedora B3
Com informações da Assessoria de Imprensa






