A América Latina atravessa um período de transformação política que também pode impactar o turismo. Colômbia, Chile, Equador, Argentina e Paraguai surgem nesse cenário como países com potencial para fortalecer sua posição internacional, caso consigam combinar segurança, estabilidade, investimento e maior conectividade.
O desafio é significativo. Mas a oportunidade também
Para o setor turístico latino-americano, um contexto com regras mais previsíveis, melhores condições para investimento e níveis mais elevados de segurança pode se traduzir em novos projetos, mais conexões entre destinos e uma oferta regional capaz de competir com outros grandes mercados turísticos.
Colômbia busca recuperar a confiança e fortalecer seu apelo
A Colômbia emerge como um dos casos de maior potencial nesse cenário. Uma orientação política que priorize segurança, investimento e crescimento econômico pode ajudar a restaurar a confiança tanto dos viajantes quanto das empresas ligadas ao turismo.
O país oferece uma ampla gama de atrações. Cartagena, Medellín, Bogotá, a Região do Café, o Caribe e destinos naturais permitem o desenvolvimento de propostas voltadas para perfis muito diferentes.
A melhoria da segurança e da conectividade também poderia conferir à Colômbia um papel que se estende além de seus próprios destinos: servindo como porta de entrada para circuitos turísticos que incorporam outros países da América do Sul.
O Chile foca na estabilidade e no turismo de maior valor agregado
O Chile possui uma das ofertas turísticas mais diversificadas da região. Desertos, montanhas, geleiras, vinhos, gastronomia e um extenso litoral fazem parte de um patrimônio que pode atrair visitantes com interesses muito variados.
Nesse contexto, políticas voltadas para a recuperação da competitividade, a facilitação de investimentos e a melhoria das condições de segurança poderiam fortalecer sua posição como destino internacional.
Mas há outro aspecto importante. O Chile também pode ocupar um lugar estratégico no desenvolvimento de circuitos regionais que conectam o Pacífico com a Argentina, Bolívia, Peru e Paraguai. A possibilidade de combinar destinos em diferentes países pode ampliar a experiência do viajante e prolongar sua estadia na região.
Equador: natureza e segurança, dois fatores decisivos
O Equador concentra uma extraordinária diversidade natural em um território relativamente pequeno. Quito, Guayaquil, Cuenca, a Amazônia, o litoral e as Ilhas Galápagos compõem uma vasta e diversificada oferta turística.
No entanto, esse potencial turístico requer condições adequadas para se desenvolver.
A segurança surge como um fator central. O fortalecimento institucional e a melhoria das condições de segurança podem ajudar a restaurar a confiança dos visitantes e incentivar novos investimentos relacionados ao turismo.
Nesse ponto, a restauração da confiança depende não apenas da promoção internacional. Também exige que os visitantes percebam um ambiente estável durante toda a sua viagem.
Argentina: uma oferta turística de alcance continental
A Argentina possui uma vantagem difícil de replicar: uma enorme diversidade de destinos em um único território.
Buenos Aires, Patagônia, Mendoza, Cataratas do Iguaçu, o Noroeste, geleiras, estações de esqui e gastronomia permitem o desenvolvimento de produtos turísticos voltados para públicos muito diferentes.
Maior estabilidade econômica e regulamentações favoráveis ao investimento podem impulsionar o desenvolvimento de hotéis, infraestrutura, conectividade aérea e novos empreendimentos turísticos. A localização do país também abre uma oportunidade adicional. A Argentina pode fortalecer seu papel como um dos principais centros do turismo sul-americano, estreitando laços com Chile, Paraguai, Uruguai, Brasil e Bolívia.
Não se trata apenas de aumentar o número de visitantes. É importante também facilitar a visita de mais de um destino durante a mesma viagem.
O Paraguai busca ganhar terreno no turismo regional
Nesse cenário, o Paraguai encontra uma oportunidade única.
Durante anos, o país permaneceu à margem de muitos dos principais circuitos turísticos da América do Sul. No entanto, seu crescimento econômico, localização estratégica e o desenvolvimento de Assunção e outros destinos estão abrindo possibilidades para atrair novos investimentos.
Turismo de negócios, gastronomia, natureza, compras e eventos estão emergindo como áreas com potencial de expansão na oferta turística do Paraguai.
A integração com a Argentina e o Brasil pode ser especialmente relevante. Uma maior coordenação permitiria o desenvolvimento de circuitos trinacionais e incentivaria o aumento do fluxo de visitantes entre os três países.
A oportunidade reside em vislumbrar uma América Latina com múltiplos destinos
Aqui reside, talvez, um dos pontos centrais do panorama regional.
A competição entre países não precisa ser o único caminho. Colômbia, Equador, Chile, Argentina e Paraguai poderiam colher maiores benefícios se conseguissem se integrar em uma oferta turística regional.
Em termos concretos, um viajante poderia começar sua jornada na Colômbia, continuar pelo Equador, viajar para o Chile, visitar a Argentina e terminar seu roteiro no Paraguai.
Para que essa possibilidade deixe de ser uma ideia atraente e se torne uma proposta turística concreta, condições específicas são necessárias: melhores conexões aéreas, infraestrutura, procedimentos simplificados, promoção conjunta e acordos entre operadores turísticos.
A chave, a verdadeira chave, está aí: facilitar as viagens por diversos países.
Segurança, investimento e conectividade: os fatores que podem mudar o cenário.
A relação entre esses elementos é direta
Maior segurança pode fortalecer a confiança do viajante. O investimento permite a melhoria da infraestrutura e dos serviços. A conectividade facilita as viagens entre os destinos. E a promoção internacional coordenada pode ajudar a região a ganhar visibilidade.
Se esses fatores avançarem em conjunto, o impacto não se limitará a hotéis ou agências de viagens.
Restaurantes, transporte, excursões, lojas, atividades culturais e comunidades locais também fazem parte da cadeia de valor do turismo. Portanto, a expansão do turismo pode gerar efeitos em diversos setores da economia.
O desafio para os governos será transformar a mudança em resultados
As transformações políticas na América Latina podem ser observadas sob diferentes perspectivas. O turismo oferece uma perspectiva particularmente concreta: permite mensurar se certas condições — segurança, estabilidade, investimento e abertura — conseguem se traduzir em atividade econômica real.
Para Colômbia, Chile, Equador, Argentina e Paraguai, o desafio será alavancar seus pontos fortes, levando em consideração as condições necessárias para que os visitantes queiram vir, permanecer por mais tempo e explorar diferentes destinos.
O futuro do turismo latino-americano pode estar menos relacionado à competição isolada entre países e mais à capacidade de construir uma experiência regional integrada.
Uma oportunidade que transcende fronteiras
A América Latina possui recursos naturais, culturais e gastronômicos capazes de sustentar uma oferta turística diversificada. O desafio reside em conectá-los melhor.
Se os países conseguirem avançar em segurança, investimento, infraestrutura e conectividade, a região poderá fortalecer sua competitividade e distribuir os benefícios do turismo entre mais destinos e comunidades.
Não se trata apenas de atrair mais viajantes. Trata-se também de permitir que eles permaneçam por mais tempo, explorem mais lugares e participem de uma economia turística com maior alcance.
Este será um dos grandes desafios para os novos governos: demonstrar que as mudanças políticas podem se traduzir em resultados concretos para a economia real. E, dentro desse processo, o turismo tem o potencial de se tornar um dos setores capazes de exibir visivelmente esses resultados.
Bernardo Sabisky, jornalista, fotógrafo, escritor e Diretor de Viajes, Fotos y Comidas
Aqui, o texto original em espanhol:
América Latina prepara un nuevo mapa turístico
América Latina atraviesa una etapa de transformaciones políticas que podría repercutir también en el turismo. Colombia, Chile, Ecuador, Argentina y Paraguay aparecen en este escenario como países con posibilidades de fortalecer su posición internacional si logran combinar seguridad, estabilidad, inversión y mayor conectividad.
El desafío es importante. Pero también lo es la oportunidad
Para la industria turística latinoamericana, un contexto con reglas más previsibles, mejores condiciones para la inversión y mayores niveles de seguridad podría traducirse en nuevos proyectos, más conexiones entre destinos y una oferta regional capaz de competir con otros grandes mercados turísticos.
Colombia busca recuperar confianza y fortalecer su atractivo
Colombia aparece como uno de los casos con mayor potencial dentro de este escenario. Una orientación política que priorice la seguridad, la inversión y el crecimiento económico podría contribuir a recuperar la confianza tanto de los viajeros como de los empresarios vinculados con el turismo.
El país cuenta con una oferta amplia. Cartagena, Medellín, Bogotá, el Eje Cafetero, el Caribe y los destinos de naturaleza permiten desarrollar propuestas dirigidas a perfiles muy diferentes.
Una mejora en seguridad y conectividad, además, podría darle a Colombia un papel que va más allá de sus propios destinos: funcionar como puerta de entrada a circuitos turísticos que incorporen otros países de Sudamérica.
Chile apuesta por estabilidad y turismo de mayor valor
Chile posee una de las propuestas turísticas más diversas de la región. Desierto, montañas, glaciares, vinos, gastronomía y una extensa costa forman parte de un patrimonio que puede atraer a visitantes con intereses muy distintos.
En ese contexto, políticas orientadas a recuperar competitividad, facilitar inversiones y mejorar las condiciones de seguridad podrían reforzar su posición como destino internacional.
Pero hay otro aspecto relevante. Chile también puede ocupar un lugar estratégico en la construcción de circuitos regionales que conecten el Pacífico con Argentina, Bolivia, Perú y Paraguay. La posibilidad de combinar destinos de distintos países puede ampliar la experiencia del viajero y extender su permanencia en la región.
Ecuador: naturaleza y seguridad, dos factores decisivos
Ecuador concentra en un territorio relativamente pequeño una diversidad natural extraordinaria. Quito, Guayaquil, Cuenca, la Amazonía, la costa y las islas Galápagos conforman una oferta turística de enorme amplitud.
Sin embargo, el potencial turístico necesita condiciones adecuadas para desarrollarse.
La seguridad aparece como un factor central. Un fortalecimiento institucional y una mejora de las condiciones de seguridad podrían contribuir a recuperar la confianza de los visitantes y favorecer nuevas inversiones vinculadas con la actividad turística.
En este punto, la recuperación de la confianza no depende solamente de la promoción internacional. También requiere que el visitante perciba un entorno estable durante todo su recorrido.
Argentina: una oferta turística de alcance continental
Argentina cuenta con una ventaja difícil de replicar: una enorme diversidad de destinos dentro de un mismo territorio.
Buenos Aires, la Patagonia, Mendoza, las Cataratas del Iguazú, el Noroeste, los glaciares, los centros de esquí y la gastronomía permiten construir productos turísticos destinados a públicos muy diferentes.
Una mayor estabilidad económica y reglas favorables para la inversión podrían impulsar el desarrollo de hoteles, infraestructura, conectividad aérea y nuevos emprendimientos turísticos.
La ubicación del país también abre una posibilidad adicional. Argentina puede fortalecer su papel como uno de los grandes centros del turismo sudamericano mediante una mayor articulación con Chile, Paraguay, Uruguay, Brasil y Bolivia.
No es solamente una cuestión de sumar visitantes. También importa facilitar que esos viajeros puedan recorrer más de un destino durante el mismo viaje.
Paraguay busca ganar espacio en el turismo regional
Paraguay puede encontrar en este escenario una oportunidad particular.
Durante años, el país permaneció al margen de muchos de los principales circuitos turísticos de Sudamérica. Sin embargo, su crecimiento económico, su ubicación estratégica y el desarrollo de Asunción y otros destinos abren posibilidades para atraer nuevas inversiones.
El turismo de negocios, la gastronomía, la naturaleza, las compras y los eventos aparecen como áreas con posibilidades de expansión dentro de la propuesta turística paraguaya.
La integración con Argentina y Brasil podría ser especialmente relevante. Una mayor articulación permitiría desarrollar circuitos trinacionales y favorecer un incremento del flujo de visitantes entre los tres países.
La oportunidad está en pensar una América Latina multidestino
Aquí aparece, probablemente, uno de los puntos centrales del escenario regional.
La competencia entre países no necesariamente tiene que ser el único camino. Colombia, Ecuador, Chile, Argentina y Paraguay podrían obtener mayores beneficios si logran integrarse en una oferta turística regional.
En términos concretos, un viajero podría iniciar su recorrido en Colombia, continuar por Ecuador, viajar hacia Chile, visitar Argentina y terminar su itinerario en Paraguay.Para que esa posibilidad deje de ser una idea atractiva y se convierta en una propuesta turística concreta, hacen falta condiciones específicas: mejores conexiones aéreas, infraestructura, simplificación de trámites, promoción conjunta y acuerdos entre operadores turísticos.
La clave, la verdadera clave, está allí: hacer que viajar por varios países resulte sencillo.
Seguridad, inversión y conectividad: los factores que pueden cambiar el escenario
La relación entre estos elementos es directa
Una mayor seguridad puede fortalecer la confianza del viajero. La inversión permite mejorar infraestructura y servicios. La conectividad facilita los desplazamientos entre destinos. Y una promoción internacional coordinada puede ayudar a que la región gane visibilidad.
Si estos factores avanzan de manera conjunta, el impacto no quedaría limitado a los hoteles o las agencias de viajes.
Restaurantes, transporte, excursiones, comercios, actividades culturales y comunidades locales también forman parte de la cadena de valor turística. Por eso, una expansión de la actividad puede generar efectos sobre distintos sectores de la economía.
El desafío para los gobiernos será convertir el cambio en resultados
Las transformaciones políticas de América Latina pueden observarse desde distintos ángulos. El turismo ofrece uno particularmente concreto: permite medir si determinadas condiciones —seguridad, estabilidad, inversión y apertura— consiguen convertirse en actividad económica real.
Para Colombia, Chile, Ecuador, Argentina y Paraguay, el desafío será aprovechar sus fortalezas sin perder de vista las condiciones necesarias para que los visitantes quieran llegar, permanecer más tiempo y recorrer distintos destinos.
El futuro del turismo latinoamericano podría estar menos relacionado con la competencia aislada entre países y más con la capacidad de construir una experiencia regional integrada.
Una oportunidad que trasciende las fronteras
América Latina tiene recursos naturales, culturales y gastronómicos capaces de sostener una oferta turística diversa. El desafío consiste en conectarlos mejor.
Si los países consiguen avanzar en seguridad, inversión, infraestructura y conectividad, la región podría fortalecer su competitividad y distribuir los beneficios del turismo entre más destinos y comunidades.
No se trata solamente de atraer más viajeros. También de lograr que puedan permanecer más tiempo, conocer más lugares y participar de una economía turística con mayor alcance.
Ese será uno de los grandes desafíos para los nuevos gobiernos: demostrar que los cambios políticos pueden transformarse en resultados concretos para la economía real. Y, dentro de ese proceso, el turismo tiene condiciones para convertirse en uno de los sectores capaces de mostrar esos resultados de manera visible.
Bernardo Sabisky, periodista, fotógrafo, escritor y director de Viajes, Fotos y Comidas






