O Ministério do Turismo e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) se uniram e lançaram o “Guia Para Atender Bem Turistas Neurodivergentes”. A iniciativa, que é inédita, reúne orientações práticas para a recepção deste público no setor, a fim de tornar o turismo brasileiro mais acessível, acolhedor e adequado a diferentes perfis de viajantes.

O documento foi desenvolvido a partir de uma pesquisa nacional conduzida pela UEA, em parceria com o MTur. A análise identificou que o atendimento e o preparo das equipes são os fatores de maior impacto na experiência turística dos neurodivergentes.

A pesquisa nacional que serviu de base para o guia foi realizada entre fevereiro e março de 2026 com 761 participantes, entre pessoas neurodivergentes, familiares e profissionais da área.

Entre os participantes:

90,1% relataram julgamentos relacionados a comportamentos neurodivergentes;

89,8% apontaram falta de compreensão das necessidades por parte das equipes;

87,5% citaram falta de flexibilidade no atendimento;

77% relataram dificuldade com tempo de espera sem previsibilidade;

72,7% apontaram o barulho intenso como um dos principais gatilhos de desconforto.

“Não é um material teórico”

“A partir dos dados da pesquisa, falou o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, criamos esse Guia para que os turistas se sintam mais seguros quando forem viajar e, principalmente, para que o empreendedor esteja preparado para receber o turista neurodivergente”. Para o ministro, mesmo adequações de pequeno porte já significam muito para o turista neurodivergente: “São adaptações acessíveis a todo o trade turístico. Na maioria das vezes, são informações básicas que podem ser compartilhadas antes da viagem, aumentando o acolhimento dessas pessoas”.

A coordenadora da pesquisa, professora doutora Marklea da Cunha Ferst, destacou que o Guia foi pensado para aproximar soluções práticas da realidade do setor turístico. “O Guia foi criado para ajudar o operador da atividade turística a saber como agir diante de situações reais. Não é um material teórico. Para cada desafio, existem sugestões de adaptações práticas e exemplos de soluções possíveis”, explicou Marklea.

Segundo a pesquisadora, grande parte das mudanças necessárias envolve adaptações simples e de baixo custo, principalmente relacionadas a comunicação, organização dos ambientes e ao preparo das equipes.

A professora Marklea Ferst foi responsável pela coordenação e pelo desenvolvimento da pesquisa, bem como pela elaboração do Guia, produzido no âmbito de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado entre o Ministério do Turismo e a UEA para a realização de ações voltadas ao turismo responsável, com ênfase na acessibilidade do setor turístico.

Natália Moraes, Assessoria de Comunicação Social do Ministério do Turismo

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