Viajar de trem é, por si só, um convite ao relaxamento, mas o trajeto operado pela Serra Verde Express entre Curitiba e Morretes eleva essa experiência a um novo patamar. Não se trata apenas de um deslocamento, mas de uma verdadeira imersão na história do Paraná e na exuberância da Mata Atlântica.

Recentemente, tive o privilégio de reviver essa aventura, mas desta vez com um olhar especial: levei minha filha, Caroline Souza, e meu neto, Luigi Souza, para compartilharem comigo esse cenário que parece saído de um filme.

O que faz o passeio de trem para Morretes tão especial? Não são apenas as paisagens de tirar o fôlego, mas também a sensação de estar conectando o passado e o presente. Cada estação, cada uma das 41 pontes e cada um dos 13 túneis parecem contar uma história que nos faz querer ficar para sempre.

A beleza do caminho é apenas uma parte da mágica; a experiência de estar a bordo dos vagões da Serra Verde Express é algo que se precisa viver para entender.

Caroline Souza no trem da Serra Verde Express

Caroline Souza no trem da Serra Verde Express.

Aventura para todas as idades na Serra do Mar

Para Luigi, de 13 anos, a viagem foi uma descoberta constante. Com os olhos atentos à janela, ele não perdeu um detalhe sequer do caminho. “Durante a ida, eu pude olhar uma paisagem incrível da Serra do Mar, com montanhas, árvores e pedras”, contou ele, entusiasmado.

O que mais o impressionou foi a engenhosidade da obra: “Gostei muito da vista lá de cima, principalmente quando o trem passava pelas pontes no meio das montanhas e pelos túneis, que eu contei”. Luigi ficou fascinado ao saber que a ferrovia foi construída há tantos anos, com túneis abertos até por picaretas. “O guia conta a história do trem e sobre a importância dela para o desenvolvimento da região”, completou meu neto.

Para a designer gráfica Caroline Souza, mãe do Luigi, a viagem de retorno também reservou momentos de contemplação. “Viajar de trem é uma experiência muito especial. O trajeto tem paisagens lindas, cheias de montanhas, rios e várias cachoeiras pelo caminho”, destacou Caroline. Segundo ela, o componente histórico enriquece o lazer: “Enquanto o trem segue pela serra, também vão contando curiosidades e histórias antigas sobre a construção da ferrovia e do Brasil, o que deixa a viagem ainda mais interessante. É um passeio tranquilo, bonito e cheio de história”.

Uma obra monumental da engenharia brasileira

A Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá, inaugurada em 1885, foi uma obra monumental que conectou o Litoral ao Planalto paranaense.

Projetada pelos engenheiros André e Antônio Rebouças, a ferrovia superou os desafios da acidentada Serra do Mar, causando perplexidade ao país na época diante da ousadia do projeto.

Hoje, cerca de 140 anos depois, a ferrovia continua deslumbrando passageiros sob a operação da Serra Verde Express, representando um marco para o progresso técnico do país.

Passar pelo Viaduto do Carvalho ou atravessar os abismos da serra sobre trilhos centenários é um lembrete do esforço humano para desbravar a natureza de forma harmônica.

A viagem dura entre 4 e 4h30, tempo suficiente para desconectar do celular e conectar-se com quem amamos e com o verde lá fora.

Trem Serra do Mar, Paraná

Dicas práticas para o seu embarque

Para quem deseja planejar essa aventura com a Serra Verde Express, aqui vão algumas orientações essenciais.

As partidas na alta temporada são diárias e na baixa, de sexta a domingo, com saídas às 8h30 da Rodoferroviária de Curitiba. Uma dica de ouro: os assentos do lado esquerdo na descida (Curitiba-Morretes) oferecem a vista mais privilegiada dos vales e abismos.

Existem categorias para todos os perfis, desde o vagão turístico, com serviço de bordo básico, até as categorias Boutique e Luxo, que oferecem janelas amplas, poltronas confortáveis, lanches diferenciados e bebidas inclusas.

Ao chegar em Morretes, o compromisso é gastronômico: saborear o tradicional barreado, prato típico da região. O retorno pode ser feito novamente nos trilhos às 15h30 ou de ônibus, garantindo um dia completo de turismo e cultura em família.

Silvana Canal, jornalista associada à Abrajet-PR (Associação Brasileira dos Jornalistas de Turismo – Paraná)

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