O legado dos tropeiros, que vinham de Viamão, Rio Grande do Sul, para o Interior de São Paulo no século 18 ainda está vivo em Palmeira, região dos Campos Gerais, no Paraná, com sua gastronomia, arquitetura e hospitalidade. Essa herança cultural tem sido o principal atrativo turístico da cidade, ativo bem explorado pelo atual prefeito Altamir Sanson (PSD), conhecido por investir no turismo há quatro mandatos.
E se os tropeiros chegaram a Palmeira com cavalos e carroças, para o turista vai ficar cada vez mais fácil. No último dia 16 de dezembro de 2025, o governo do Paraná anunciou o início da duplicação da BR-277, em um trecho de 10,4 km entre Palmeira e Porto Amazonas – um pleito de muitas décadas. “Vai ser muito bom para o município de Palmeira, que tem muito a crescer. Nosso prefeito está muito ligado ao governo do Estado e essa ampliação vai ser muito valorosa para nosso turismo”, diz o secretário de Meio Ambiente, Cultura, Turismo e Comunicação de Palmeira, Friedrich Norbert Kliewer.
Com o acesso facilitado, a pouco mais de 1h30 da capital Curitiba, espera-se que muitos turistas descubram Palmeira e possam vivenciar e perceber os traços dos imigrantes alemães e italianos, presentes na gastronomia e na arquitetura local.
Pão no Bafo
Entre as iguarias está o Pão no Bafo, prato tombado em 2015 como Patrimônio Imaterial da cidade. A receita chegou em Palmeira em 1878 com os primeiros imigrantes russo-alemães que se instalaram na região e mistura carne de porco, repolho e massa de pão cozida no vapor. Acompanha o prato o carneiro assado, comida campeira característica do tropeirismo, e o Queijo Porungo, com gosto e textura específicos, só conquistados pelo clima único da cidade. Ele tem esse nome por conta de seu formato, que lembra o purungo, utensílio usado na fabricação das cuias do chimarrão.

Pão no Bafo. Foto: Prefeitura Palmeira
Depois de degustar da comida tropeira com influência europeia, um passeio a pé pelo centro histórico da cidade revela edifícios de madeira que contam a história da rota tropeira e da própria colonização. São exemplos a sede do Clube Palmeirense, de 1866, onde ocorrem os principais eventos sociais do município até hoje, além dos casarões com varandas em arcos e elementos decorativos em madeira.
A Igreja Nossa Senhora Imaculada Conceição, na Praça Marechal Floriano Peixoto, se destaca pela referência ao barroco colonial português. Conta a história que a Igreja foi construída em 1819 e dedicada à padroeira da cidade. A curiosidade fica por conta da construção da segunda torre da igreja, que foi erguida em decorrência de uma promessa de um devoto que ganhou na loteria. Mesmo com a construção em madeira, a Igreja impressiona pela riqueza de seu interior. “Nosso centro histórico tem recebido mais visitantes esse ano devido à divulgação e à atuação de estagiários que explicam a história [da cidade] e recebem os turistas”, conta Kliewer.

Museu Histórico de Palmeira. Foto: Prefeitura Municipal
Colônia Cecília
Vale visitar também o Ypiranga Futebol Clube, que conta com uma arquibancada de madeira tombada pelo Patrimônio histórico do Paraná datada de 1922. Sua arquitetura é muito peculiar para um estádio de futebol, contando com ornamentos regionais típicos, nos beirais em lambrequim, treliçados e guarda-corpos vazados.
Em tempo: a Colônia Cecília foi fundada em 1890 por imigrantes italianos e marcou época por ser uma pioneira em sua forma de gestão, uma vez que buscava criar uma sociedade igualitária. Localizada em Palmeira, a Colônia enfrentou dificuldades como a fome, conflitos internos e hostilidade de vizinhos católicos, resultando em seu fracasso em 1894. Suas propostas ficaram marcadas na história e inspiram filmes e obras literárias até hoje.
Gisele Passos, jornalista associada à Abrajet-PR (Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo – Paraná) que viajou a Palmeira a convite do lançamento do Guia de Turismo dos Campos Gerais






