A Caixa Cultural Curitiba está recebendo a exposição World Press Photo 2025 numa atividade, gratuita e aberta ao público. Após duas décadas, a exposição retorna à capital paranaense em sua 68ª edição, reunindo 42 projetos vencedores selecionados entre mais de 59 mil imagens inscritas por fotógrafos de 141 países. As obras apresentam um panorama sensível e potente dos principais acontecimentos globais recentes, ampliando perspectivas sobre temas sociais, políticos, ambientais e humanitários.

As narrativas visuais da mostra abordam questões urgentes como crise climática, conflitos armados, migração, gênero e diversidade.

O Brasil marca presença entre os vencedores com o trabalho dos fotógrafos Anselmo Cunha, André Coelho e Amanda Perobelli, que capturam desde as enchentes históricas no Rio Grande do Sul até celebrações esportivas no país.

O público também poderá ver registros de relevância internacional envolvendo o Brasil, como a série sobre a seca na Amazônia, do mexicano Musuk Nolte, e a fotografia do surfista Gabriel Medina, captada pelo francês Jerome Brouillet, após a manobra que lhe garantiu medalha olímpica em Paris.

World Press Photo 2025, foto Bruno de Sá

Foto: Bruno de Sá

Joana Klaus, gerente de conteúdo fala sobre a mostra fotográfica:

Como você define o papel da fotografia jornalística no mundo atual, especialmente diante de conflitos e crises humanitárias?

Joana Klaus – O papel do fotojornalismo é crucial nesse contexto de desinformação que estamos vivendo. Ele dá voz a narrativas que são negligenciadas, ele é instrumento da democratização da informação e testemunha de acontecimentos que não aparecem na grande mídia, mas que precisam ser reverberados. Por isso, a liberdade de imprensa é uma causa amplamente defendida pela Fundação World Press Photo.

Quais foram os principais critérios curatoriais para selecionar e organizar os 42 projetos vencedores desta edição?

Joana – A seleção é feita por um júri independente definido pela Fundação World Press Photo. São seis júris regionais na primeira etapa, que selecionam as melhores imagens das suas respectivas regiões. Por fim, o júri global faz a seleção das finalistas. Não existe uma receita para definir a melhor foto, mas critérios como relevância do tema, composição da imagem e o impacto que ela causa são decisivos.

World Press Photo 2025, foto Bruno de Sá

Foto: Bruno de Sá

Entre tantas imagens impactantes, qual foto ou projeto mais mexeu com você durante a curadoria e por quê?

Joana – A maior parte dos projetos traz histórias dramáticas e é impossível não se comover quando a gente mergulha neste material. Mas o que mais me mexeu foi o projeto chamado ‘Caminhos de Esperança Desesperada’, que mostra famílias com crianças pequenas atravessando uma floresta densa entre a Colômbia e o Panamá, e esta é apenas a primeira etapa da jornada até o México. Eu fico imaginando o desespero e a falta de perspectiva que deve motivar essas famílias a colocarem seus entes mais queridos em risco em busca de uma vida digna em outro país.  As cenas captadas pelo fotógrafo colombiano Federico Ríos são muito impactantes.

A World Press Photo retorna a Curitiba após 20 anos. O que o público curitibano pode esperar de mais especial ou diferente nesta edição?

Joana – Sem dúvida, a representatividade brasileira. A edição de 2025 trouxe três brasileiros entre os vencedores: a Amanda Perobelli e o Anselmo Cunha, que retrataram a enchente história no Rio Grande do Sul, e o André Coelho, que venceu com a imagem dos torcedores do Botafogo na final da Copa Libertadores. O Brasil ainda foi tema do projeto Seca no Rio Amazonas, do peruano Musuk Nolte, e tivemos também a foto icônica do Gabriel Medina, feita pelo francês Jerome Brouillet, nos Jogos Olímpicos de Paris.

Como a exposição se conecta com a campanha Feminicídio Zero e de que forma a arte pode contribuir para conscientização social?

Joana – A Campanha Feminicídio Zero é uma iniciativa para conscientizar a sociedade sobre os diversos tipos de violência que a mulher enfrenta e que muitas vezes culminam em feminicídio. A exposição amplia o debate ao trazer histórias que revelam como o corpo e a liberdade das mulheres seguem sendo ameaçados em diversos lugares do planeta. É uma oportunidade para o público brasileiro fazer um paralelo com essas narrativas e refletir sobre a sua própria realidade. A arte contribui para a conscientização social a partir do momento em que ela retrata esses temas por meio de diferentes linguagens e de forma democrática, com o intuito de alcançar o maior número de pessoas em diferentes círculos da sociedade.

World Press Photo 2025, foto Bruno de Sá

Foto: Bruno de Sá

O que mais costuma surpreender o público nos bastidores da produção e seleção destas fotografias?

Joana – A história de cada projeto, a maneira como essas fotografias foram feitas e detalhes do processo criativo são informações importantes que costumam surpreender o público. Muitas vezes, parece que alguns detalhes da fotografia foram pensados no processo de produção, mas é na escolha editorial que eles aparecem e ganham significado.

Como a estrutura regional do concurso ajuda a garantir diversidade e representatividade nas histórias escolhidas?

Joana – A divisão em seis regiões deu visibilidade a trabalhos que antes não ganhavam relevância frente a acontecimentos históricos que costumam ser veiculados na grande mídia. A escolha por regiões permitiu que cada país ou continente trouxesse suas narrativas visuais locais, temas que fazem parte das questões mais discutidas da atualidade, como mudanças climáticas, migrações, conflitos armados e questões de gênero, mas que não são conhecidos pelo grande público. Essa nova organização deu voz a essas histórias, regiões e personagens.

Exposição World Press Photo 2025

Caixa Cultural Curitiba, R. Conselheiro Laurindo, 280, Centro

A exposição fica em cartaz até 30 de novembro de 2025

Visitação: até sábado, das 10h às 20h; domingo, das 10h às 19h

Acessibilidade: visita com Libras e audiodescrição

Entrada gratuita

Classificação: 12 anos

Bruno de Sá

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