4.612 visitantes. 15 Estados. 4 países. 269 cidades. Esse é um dos balanços positivos do Encatho & Exprotel, evento que aconteceu em Florianópolis e teve encerramento na quinta, 31 de julho. Essa foi a 36ª vez que a Abih-SC promove o encontro, um dos maiores do Sul do Brasil. Além da exposição com mais de 200 marcas, o Encatho teve diversas palestrar, painéis e encontros que trouxeram novas informações e, principalmente, interação entre profissionais, empresas, entidades e gestores públicos, além de muitos negócios.
Margot Rosenbrock, diretora presidente da Abih-SC disse que a Encatho & Exprotel é “um espaço vivo onde o conhecimento circula, os negócios acontecem e as relações se fortalecem. Ver esse ecossistema unido é a certeza de que estamos no caminho certo, contribuindo de forma concreta para o desenvolvimento do turismo e da hotelaria de Santa Catarina e do Brasil”.
Na programação, o Movimento TradeTur SC, iniciativa da Fecomércio-SC e do Programa Empreender, que visa fortalecer a rede de colaboração entre os atores do turismo catarinense, apresentou a sua articulação estadual que conecta núcleos para gerar negócios e fortalecer o turismo regional.
O Movimento busca aprimorar o planejamento, execução e acompanhamento de ações estratégicas no setor turístico, estimulando a melhoria contínua, o desenvolvimento de infraestrutura, a conscientização sobre a importância do turismo e a qualificação profissional.
Os objetivos do Movimento TradeTur SC são fortalecer a rede de colaboração, unindo diferentes instâncias de governança e atores do turismo, desenvolver mecanismos de planejamento e execução, adotando estratégias e ações priorizadas pelos próprios atores do setor, estimular a melhoria contínua, apoiando iniciativas que visam aprimorar a qualidade dos serviços e produtos turísticos. Também quer promover a conscientização, fortalecer a capacitação incentivando a qualificação profissional e a busca por novas oportunidades de negócios, interagir com a administração pública, integrar a educação, construindo conteúdos transversais sobre turismo para aplicação na educação.
Durante o evento, hoteleiros, bares, restaurantes, fornecedores e toda a cadeia de turismo e hotelaria, buscou gerar oportunidades de negócios, networking e desenvolvimento para o trade turístico e empresarial do Estado, sempre com o objetivo de aprimorar a experiência do turista em Santa Catarina. É o sentimento de Messias Fernandes, da Morada dos Canyons, empreendimento turístico localizado em Praia Grande, Santa Catarina, divisa com o Rio Grande do Sul, na região dos Aparados da Serra, conhecida por seus cânions imponentes, que lembrou que “hospitalidade e sustentabilidade caminham juntas e a integração entre empresas fortalece todo o trade”.
Conexões
Um dos painéis foi o “Conexões que encantam: transformando chegadas em experiências” onde Maria Conceição Junkes, presidente da Abav Nacional e Abav-SC defendeu a atuação conjunta entre os agentes de viagem e a cadeia hoteleira e turismo: “Quando agência e hotel trabalham em sintonia, o hóspede se sente esperado e o impacto positivo é imediato”, reforçando a importância da integração entre hotelaria e mercado turístico.
O gerente comercial da hotelaria Jurerê In, Marcel Bicca, destacou que “gestos simples podem encantar o hóspede. Um sorriso no check-in, o quarto impecável, um mimo com o nome do hóspede. Tudo precisa funcionar em perfeita sincronia para que a experiência seja completa.
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Não é sobre vender quartos: é sobre contar histórias
O encantamento parece controverso à primeira vista, pois, aparentemente exige uma personalização, que é contrária à padronização tão almejada em um hotel. Mas, Fabiula Moreira, gerente de marketing do Costão do Santinho, e Antonio Coradini, gestor comercial e de marketing do Fazzenda Park, mostraram que a essência do encantamento está justamente no processo e na operação. Com a mediação de Danisa Virmond, diretora comercial do Vila do Farol, os executivos discutiram o tema no painel de marketing do Encatho “Não é sobre vender quartos: é sobre contar histórias”.
O processo de encantamento começa dentro de casa, com transparência e muito treinamento. “Muitas vezes acabamos priorizando o treinamento técnico, mas a cultura do encantamento precisa ser passada”, conta Antonio. Além disso, é importante alinhar o discurso e as ações com a comunicação interna, pois os colaboradores e terceirizados devem ser os primeiros a compartilhar as novas ações e campanhas de vendas. “O que nos faz ser diferentes e únicos, gerar a experiência para o hóspede, é treinar toda a operação sobre aquela campanha, para que cada colaborador faça sua parte, na sua área, entregando tudo junto. O time não pode ficar desconectado”, complementa Fabiula.
Os executivos falaram sobre a arte de contar histórias condizentes com a entrega do empreendimento. Em tempos de Inteligência Artificial (IA) e redes sociais aceita-se tudo, mas, quando essa história é contada pelo comercial, fecha-se a venda e não corresponde à realidade é um problema.
Para a moderadora, “a IA ajuda nas vendas, mas o fechamento é dentro de casa. As redes sociais são vitrine, mas o que faz com que o hóspede decida é a reputação do empreendimento”, diz Danisa. Vale mencionar que a reputação está também ligada às notas dos OTAs (agências de viagens on-line) que também comercializam os empreendimentos, como o Booking e o Expedia, e até mesmo o ranqueamento do Google. “Precisamos olhar como está nossa reputação. É algo imensurável. Quarto, estrutura, todo mundo tem. O que vai fazer o cliente decidir para onde vai é a sua reputação, que vai fazê-lo escolher por você”, diz Fabíula.
Para Danisa o encantamento está diretamente ligado à forma como as histórias são contadas para o cliente e isso exige processo. Para ela, cada colaborador precisa estar atento em sua atividade para explorar a personalização em meio ao desenvolvimento de suas atividades.
Já em outro painel do Encatho & Exprotel, Mari Ferreira, arquiteta especializada em neurociência aplicada à hospitalidade, falou sobre o impacto visual dos ambientes harmoniosos e bem-organizados, o conforto percebido pelos enxovais, os aromas estratégicos e os sabores memoráveis e o equilíbrio entre música e silêncio, que elevam a percepção sobre o ambiente. A arquiteta reforçou que memórias sensoriais têm um poder duradouro: um cheiro, um som ou uma sensação podem resgatar lembranças agradáveis mesmo após muitos anos, fortalecendo o vínculo emocional com o hotel.
Ramal 9
A hotelaria depende bastante das pessoas, pois é um serviço feito por pessoas e destinado a pessoas. Lara Perdigão, especialista em Gestão de Pessoas, questionou sobre os ambientes mais humanos para a hotelaria, sendo o contraponto das tecnologias generativas, chatbots e ferramentas de IA. Para Lara, sempre que o aspecto humano é mais valorizado é melhor para a hotelaria. “Ainda somos humanos recebendo humanos. Estamos impactados pela tecnologia, que é ótima, mas ela não resolve tudo. O hóspede faz o check-in, chega no quarto e a primeira coisa que ele faz é ligar para o ramal 9, da recepção, porque esqueceu a senha do wi-fi. Ainda somos humanos atendendo humanos”, diz.
Com apoio Assessoria de Imprensa






