Colombo município da Região Metropolitana de Curitiba fica encravado a 20 km a partir da Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, Marco Zero da capital paranaense, e a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, em Colombo.

Esta Igreja pode ser o início da visita à maior colônia italiana do Paraná. Se você pensou que era Santa Felicidade, como muitos acreditam, se enganou. Os italianos chegaram à região em 162 italianos, a maioria do Vêneto, em 1838, há 145 anos, e Colombo é município há 133 anos, desde 1890, e de sua colonização também participaram índios (principalmente guaranis), portugueses e negros.

60% do município é área de preservação ambiental e ele, também, está situado sobre o Aquífero Carste com extensão de quase 158 km², que se estende por Campo Magro, Almirante Tamandaré, Campo Largo, Rio Branco do Sul e Itaperuçu.

Mas, voltando à Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Ela é uma réplica de uma igreja de Vicenza, Norte da Itália, e da Itália vieram objetos sacros e os mármores . Foi erguida em 1899 e está aberta à visitação de terça a sexta das 8h às 18h; aos sábados, das 8h às 11h30 e domingos das 6h às 11h e das 18h às 20h30.

Em frente à Igreja está a R. XV que mantém no seu calçamento as mesmas características da Colombo de 1890. A seguir vá a, talvez, a atração mais famosa e concorrida do município, a Gruta do Bacaetava, a 12 minutos da Igreja. É um passeio que leva no máximo 40 minutos, mas que tem limitação de 300 visitantes por dia e, por isso, é recomendável fazer reserva no WhatsApp (41)98861-8336. Não é cobrado ingresso, mas se pede 1 kg de alimento ou uma peça de roupa que serão destinados para doação.

A gruta, se ressalve, não tem inscrições rupestres e nem a confirmação de que nela estiveram índios, mas o nome Bacaetava é de origem tupi-guarani e significa “casa da pedra furada”. Ela foi descoberta por Antonio Gasparin, imigrante italiano, quando estava preparando a terra de sua propriedade para o plantio nos meados do século XIX. Quando partilhou o que descobriu a Gruta virou atração. Ao morrer, Antonio doou as terras onde está a Gruta para a Igreja Matriz de Colombo que, por sua vez, repassou para a Santa Casa de Misericórdia que vendeu para o município.

O primeiro registro da gruta é de 1889.

Hoje, a Gruta do Bacaetava está dentro de um Parque Municipal com 17 hectares e no ano passado recebeu cerca de 25 mil pessoas recepcionadas no Centro de Visitantes. Ali, antes da visita, se assiste um vídeo de 8 minutos que explica detalhes.

Um deles é o que diferencia uma gruta de uma caverna: gruta tem entrada e saída; caverna não.

E a Gruta do Bacaetava, cortada pelo Rio de mesmo nome, tem 300 metros de extensão. Os visitantes percorrem 170 metros delas passarelas.

Durante o passeio, o guia contará uma história da II Guerra Mundial. O governo convocou brasileiros e italianos para lutar na Itália e descendentes que moravam em Colombo não quiserem ir. Para não serem convocados se esconderam na gruta. Nessa época, mães desses italianos “fugidos” colocaram na entrada uma santa, Nossa Senhora de Lourdes – que hoje está em outro local, próximo ao Centro de Visitantes – e, ali, faziam romarias quando deixavam comidas para os filhos escondidos. Ficaram por cerca de 3 meses na gruta em condições insalubres e num breu indescritível.

A imagem de Nossa Senhora de Lourdes que estava na Gruta.

No passeio pelas passarelas, vê-se estalactites (que se formam a partir do teto) e estalagmites (crescem do chão para cima) formados pelo depósito de carbonato de cálcio. Se quiser dar uma de explorador, pode fazer o seguinte cálculo: a cada 5 a 10 cm de uma estalagmite ou estalactite se conta 100 anos.

Gruta do Bacaetava.

Portadores de necessidades especiais – cadeirantes, autistas e deficientes visuais – podem visitar a gruta que está aberta sexta, sábado e domingo. Às quartas e quintas, é possível visitar em grupos de mais de 20 pessoas.

Não pense, porém, que é sair da gruta e poder voltar a Curitiba sem mais nada. O turista pode reservar mais um dia em sua estadia porque Colombo reserva boas surpresas. E quem mora em Curitiba, aproveite a pequena distância que separa as duas cidades para conhecer o que o município vizinho tem a oferecer.

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O Circuito Italiano de Turismo Rural – pioneiro no Paraná – tem caminhos para todos os gostos. Ele pode ser rural, lógico; pode ser rota de restaurantes, de cerveja, religioso e de vinho em mais de 60 empreendimentos que integram o circuito.

Na Gasparin e Filhos, por exemplo, a atividade é colher e pagar verduras orgânicas direto da horta. Também tem um pesque e pague. Aberto todos os dias das 8h às 11h e das 13h às 18h, sendo que aos domingos funciona das 8h às 18h, mas serve almoço com pratos típicos.

Mas, se não quiser ser “natureba” e preferir produtos prontos, vá na Conservas Poli. Prestes a completar 30 anos em 2024, 48 itens estão à disposição. De conservas, ovos de codorna, linha orgânica, palmitos, linha de sachês e geleias com receitas da família. Um vidro de 140g de pepino em conserva custa R$ 9,06; molho de pimentão com raiz forte 180g, R$ 6,60, geleia de uva orgânica 300g, R$ 12,48 e, da linha orgânica, molho de tomate com manjericão orgânico 570g, R$ 11,76.

Conservas Poli.

Entre as atrações da rota religiosa está a casa onde morou a Irmã Antonieta Farani. A casa ficava na Praça São Paulo da Cruz, em Curitiba, praticamente em frente à Igreja Senhor Bom Jesus do Cabral, foi transportada para Colombo em 2007 e aberta à visitação a partir de 2008 no bairro Capivari, onde a Irmã viveu parte de sua vida e deu aula numa escola pública. A Irmã Antonieta Farani já tem dois milagres reconhecidos faltando um para iniciar processo de santificação. É da Irmã a frase “O amor simplificou a minha vida”.

Memorial da Venerável Irmã Antonieta Farani.

Se quiser conhecer as cervejas artesanais produzidas no município, 7 cervejarias estão abertas para recebê-lo: Baptizein, Beergarden Floresta, Bruttus (41-99733-1678), Fortuna (41-99841-0055), Ignorus, Kohzan e Turbinada.

E, se quiser ainda ir na toada, seis vinícolas integram o Circuito Italiano: Busatto, Cavalli, Franco Italiano (41-3621-1211), Gasparin (41-3656-3692), Paladar Queijos e Vinhos e Strapasson.

A vinícola Franco Italiano surgiu da união das famílias Rausis, da França, e Ceccon, da Itália, e hoje produz 100 mil litros por ano, sendo que até a terceira geração eram vinhos coloniais e, agora, na quarta geração, há um esmero na produção com rótulos de vinhos finos.

Vinícola Franco Italiano.

O Censurato, um Cabernet Sauvignon, por exemplo, foi eleito nos anos 2019 e 2020 como o melhor Cabernet do Brasil. Na loja da vinícola a garrafa sai por R$ 86.

Pasárgada é um dos dois restaurantes do Circuito. O É da Pam é o outro. Nesse que começou e ainda serve café colonial (R$ 58/pessoa) todos os dias, o almoço é tipo buffet com pratos que ficam sobre o fogão à lenha. De terça a sábado, com variação no cardápio, o valor e de R$ 40 por pessoa, e aos domingos, R$ 71.

É da Pam.

O cliente além dos pratos salgados (tilápia à dorê, escalopes de maminha ao molho madeira, pernil à pururuca (uma delícia), galinha ao molho e barreado) tem livre buffet de salada, mesa de queijos, sobremesas e sucos naturais. O café extraforte fecha a refeição. Ah! a razão do nome É da Pam é explicado em cada mesa. Para não dar spoiler, mas aguçar a curiosidade, a Pam, hoje, está com 21 anos.

Colombo também oferece hospedagem. No Hotel Bolsi são apenas 14 apartamentos, quadra de tênis e piscina com diárias a partir de R$ 180 com café.

Hotel Bolsi.

A Estância Betânia, mais conhecida dos curitibanos, está a 26 km de Curitiba, e na sua estrutura oferece arvorismo, tirolesa, lagoa com pedalinhos, pesca, passeios a cavalo.

Colombo vai dar cada vez mais força a turismo, garante o secretário de Indústria, Comércio, Turismo e Trabalho, Plínio Schmidt. Segundo ele, é intenção entregar a Gruta do Bacaetava para a iniciativa privada para que este atrativo “ganhe novos investimentos e possa atrair mais público”. Quer, também, melhorar o acesso ao Morro da Cruz, onde no alto dos seus 1,2 mil metros, se pode contemplar todo o município.

Plínio destaca que o município vem conquistando bom fluxo de turistas, mas ele tem uma preocupação: a necessária e vital duplicação da Rodovia da Uva que deve ser iniciada no segundo semestre de 2023. Para o secretário, a obra, muito esperada, pode dificultar o turismo “porque é o acesso mais importante ao município e como a obra que deve demorar de dois a três anos vai interditar essa rota, precisamos criar uma alternativa de acesso que hoje não temos”.

Visitar Colombo é um passeio relaxante, principalmente ao andar pela área rural, cheia de verde e ar puro, e que vai mostrar como o município cresceu, o que deixaria orgulhoso meu bisavô, Eduardo Ferreira Guimarães, que foi prefeito de Colombo entre 1920 e 1924.

Mais informações sobre o turismo em Colombo, clique nesse link ou vá ao Posto de Informações Turísticas que fica anexo ao Parque da Uva na R. Marechal Floriano Peixoto, 8.771 e fica aberto de quarta a domingo das 8h às 16h30.

Now Boarding visitou Colombo a convite do Departamento de Turismo

Jean Luiz Féder, jornalista associado à Abrajet-PR

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