O Brasil tem quatro Reservas Naturais de Surf, locais que priorizam reconhecer, valorizar e proteger ecossistemas de surfe icônicos que abrigam atributos ambientais, culturais e econômicos. Elas estão em três Estados: Alagoas, na praia do Francês, Marechal Deodoro; Espírito Santo, em Regência, em Linhares; Santa Catarina, na praia de Moçambique, em Florianópolis, e São Paulo, com Itamambuca, Ubatuba. A praia da Guarda do Embaú, na cidade catarinense de Palhoça já é reconhecida como Reserva Mundial de Surf, indicada pela Save The Waves Coalition por cumprir os critérios de exigência para um grupo seleto no mundo.

Coordenado pelo Instituto Aprender Ecologia em uma parceria com a Conservação Internacional (CI-Brasil), o processo seletivo do Programa Brasileiro de Reservas de Surf (PBRS) contou com a submissão de quatro comunidades do Litoral brasileiro e que possuem o objetivo de transformar seus espaços. Segundo Mauricio Bianco, vice-presidente da Conservação Internacional, a conservação marinha e costeira é fundamental para evitar os efeitos mais drásticos da crise climática: “Milhares de picos de surfe em todo o mundo são cercados por ecossistemas que armazenam grandes quantidades de carbono e apenas cinco países detêm quase metade desse carbono armazenado, entre eles o Brasil. Esses ecossistemas de surfe em nosso Litoral são importantes não apenas para o clima e biodiversidade, mas também geram benefícios socioeconômicos por meio da geração de empregos e renda. É por isso que a Conservação Internacional se aliou ao Programa Brasileiro de Reservas de Surfe, que une conservação da natureza, comunidades locais e a prática do esporte”.

As candidatas foram avaliadas em quatro critérios: 1. qualidade, consistência e relevância das ondas; 2. características socioecológicas do ecossistema de surfe; 3. cultura, história e desenvolvimento do surfe no local; 4. engajamento comunitário, capacidade de governança e sustentabilidade da Reserva.

Próximos passos

A partir do anúncio, feito no segundo semestre de 2024, as praias selecionadas devem, com orientações do Núcleo Executivo do PBRS, iniciar a formação do Comitê de Gestão Local e a organizar o evento de celebração para a titulação como Reserva Nacional de Surf, que oficializará a nomeação por um período de dois anos. A celebração será seguida pela elaboração de um Plano de Gestão, que definirá ações e metas a serem realizadas nas comunidades. O Sistema de Monitoramento das Reservas de Surf acompanhará os indicadores e auxiliará na melhoria contínua dos Planos de Gestão.

Com o avançar do PBRS, a ideia é ampliar as oportunidades para que mais praias no Brasil possam aplicar o modelo baseado nos Programas Australiano e Mundial de Reservas de Surf, este último coordenado pela Save the Waves Coalition.

TURISMO: As principais praias de Santa Catarina

As praias

Praia do Francês, Alagoas – Na Costa Sul de Alagoas, se destaca não apenas pelas suas águas cristalinas e ondas tubulares, mas também pela riqueza do seu ecossistema de surfe único e cênico, que inclui a vila dos pescadores, coqueirais, barreira de corais, restinga e um brejo natural. Campeonatos de surfe são realizados ali desde a década de 1980, incluindo de modalidades como Stand Up Paddle e Boadyboard, que destacam a versatilidade das ondas do local.

Praia do Francês, Alagoas

Praia do Francês. Foto: Marco Ankoski/MTur

Itamambuca, São Paulo – Está inserida em uma região de alta biodiversidade, abrangendo ecossistemas variados do Bioma Mata Atlântica e Marinho Costeiro. As condições de ondas são muito especiais, principalmente devido à preservação de elementos naturais como o Rio Itamambuca, bancos de areia e dunas frontais. O forte engajamento da comunidade local, composta também por caiçaras, quilombolas e indígenas, contribui muito para manter exuberantes os elementos naturais da localidade. A história do surfe no local remonta à década de 1950 quando a praia começou a ser desbravada por surfistas aventureiros, e a partir daí vários campeões se destacaram no cenário local e mundial.

Laura Piatto, Praia Itamambuca, São Paulo

Laura Piatto na Praia Itamambuca. Foto: Gustavo Jacob

Regência, Espírito Santo – Com ondas perfeitas, longas, tubulares, a Regência (foto da capa) possui uma singular sociobiodiversidade em um dos mais importantes cursos d’água da costa brasileira, o Rio Doce, que deságua no Norte do Espírito Santo, em Linhares. A área delimitada para a Reserva Nacional de Surf de Regência Augusta contém vários picos que quebram constantemente ao longo do ano. A aprovação da Lei do Direito das Ondas de Regência em agosto de 2024 foi um marco no reconhecimento da natureza como sujeito de direitos não só no Espírito Santo, mas no Brasil, chancelando a capacidade de engajamento da comunidade. A saúde comunitária e a regeneração da cadeia produtiva dos surfe são as engrenagens da candidatura.

Moçambique, Florianópolis – Maior extensão de praia existente na ilha de Santa Catarina, somando 12,5 km, ligando dois importantes picos para a história do surfe: o Canto das Aranhas e a Barra da Lagoa. As ondas são consistentes ao longo do ano e proporcionam condições para todos os níveis e modalidades de surfe. A praia é contígua ao Parque Estadual do Rio Vermelho, uma Unidade de Conservação de proteção integral e recebe as águas da Lagoa da Conceição em sua porção Sul, na Barra da Lagoa, formando um incrível ecossistema de surfe.

Praia do Moçambique, Florianópolis

Praia do Moçambique.

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